VACINAS: Depois de chamar de vacina “jacaré”, Bolsonaro pediu pressa para Pfizer entregar imunizante; farmacêutica vai antecipar 14 milhões de doses para junho
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( Publicada originalmente às 13h 00 do dia 08/03/2021)
(Brasília-DF, 09/03/2021) Nesta segunda-feira, 8, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente da Pfizer, Albert Bourla, por videoconferência, e pediu a antecipação de lotes do imunizante, que foi desenvolvido em parceria com empresa de biotecnologia alemã BioNtech. Bolsonaro chegou a dizer que esse imunizante estava em teste que alguém que o recebesse poderia virar “jacaré”. A Pfizer informu que vai entregar ao Brasil 14 milhões de doses da sua vacina contra covid-19, até junho deste ano.
Quem apareceu para falar da reunião no salão branco do Palácio do Planalto foi o assessor especial do Ministério da Saúde, Airton Soligo, que estava ao lado do minsitro da Economia, Paulo Guedes, um intusiasta da vacinação em massa. Soligo explicou que o contrato com a farmacêutica previa a entrega 99 milhões de doses este ano, sendo 2 milhões em maio, 7 milhões em junho e o restante no segundo semestre. Segundo ele, a Pfizer se comprometeu a antecipar 5 milhões de doses, a serem entregues entre maio e junho - totalizando 14 milhões de doses no primeiro semestre.
A entrega de cerca de 60 milhões de doses da vacina estava concentrada no último trimestre do ano, mas, segundo Soligo, também haverá um esforço para antecipar esses lotes para o terceiro trimestre. A vacina da Pfizer teve seu registro definitivo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro.
Janssen
O Governo Federal informou que Bolsonaro também vai se reunir com representante da Janssen, produto da Johnson & Johnson, para tratar da aquisição de 30 milhões de doses de vacina contra covid-19.
Até o final de março, segundo o assessor, mais 31,8 milhões de doses estarão disponíveis: 25 milhões da Coronavac e 6,8 milhões da Covishield. No caso da vacina AstraZeneca/Oxford serão 3,8 milhões produzidas pela Fiocruz e 3 milhões produzidas na Coreia do Sul e entregues pela iniciativa Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em abril, a previsão é de mais 42 milhões de doses de vacinas, sem contar os imunizantes Covaxin e Sputnik V que também estão sendo negociados pelo governo federal.
“A partir de agora, o Brasil, nos próximos 60 dias, aplicará 1 milhão de doses [diárias] e, a partir de maio, passa a ser no mínimo de 1,5 milhão de doses por dia”, disse Soligo em entrevista à imprensa após a reunião no Palácio do Planalto. “A Fiocruz já está produzindo 400 mil doses por dia formará um lote grande; o Butantan, 660 mil doses por dia. Ou seja, o Brasil apostou certo quando apostou na AstraZeneca e no próprio Butantan”, completou.
Economia
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a antecipação da entrega de vacinas pela Pfizer foi possível pois a farmacêutica aumentou a sua capacidade de produção de 1,5 milhão para 5 milhões de doses diárias.
“E fazendo isso deve haver mais vacina para todo mundo, inclusive para nós”, disse em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto, ao lado de Soligo.
“Cada um tenta fazer na sua área o melhor possível para o Brasil. E, claramente, nessa negociação anterior com a Pfizer, o problema de escala foi um problema sério. Não fazia sentido 100 mil ou 200 mil doses para um país como o Brasil. Então, o Brasil o tempo inteiro pedindo [fabricação em] escala e eles, por sua vez, pedindo exigências, que, dos dois lados, demoraram um pouco na negociação”, disse Guedes.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)