31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Antes de Bolsonaro reclamar que STF castrou sua autoridade, Luís Roberto Barroso afirma que “muitas mortes” no país causadas pela covid “eram evitáveis”

Alexandre de Moraes lamentou, ainda, que o país esteja rendido a “desorganização” e “a ausência de lideranças” para “o mais importante, que é cuidar da população”

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( Publicada originalmente às 12h 00 do dia 04/03/2021) 

(Brasília-DF, 05/03/2021) Antes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamar nesta quinta-feira, 4, que o Supremo Tribunal Federal (STF) castrou a sua autoridade ao decidir que medidas restritivas na circulação de pessoas para evitar a propagação do novo coronavírus (covid-19) eram de competência de estados e municípios e não do governo federal, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do qual é o presidente, que “muitas mortes” causadas pela doença, que já matou mais de 260 mil brasileiros, “eram evitáveis”.

Na mesma linha, o ministro Alexandre de Moraes lamentou, ainda, que o país esteja rendido a “desorganização” e “a ausência de lideranças” para aquilo que deveria ser “o mais importante, que é cuidar da população”. Moraes, que também integra o STF, é um dos ministros daquela Corte que também ocupa neste 2.021 um assento junto ao colegiado responsável pelo julgamento de ações e processos relativos as eleições. As manifestações dos dois ministros aconteceram no início da sessão do TSE, ocorridas a partir das 10 horas, em que ambos renderam homenagens as famílias das vítimas que perderam suas vidas em decorrência da doença.

“Estamos batendo recordes negativos. Algumas dessas mortes eram, como em toda parte do mundo, inevitáveis, mas muitas eram evitáveis. Infelizmente estamos vivendo um momento de desvalorização da vida em que pessoas nos deixam e passam a ser tratadas puramente como números. É muito triste o que está acontecendo no Brasil e é legítimo o sentimento de abandono que as pessoas têm pelo país afora. O nosso carinho e solidariedade a todas as pessoas que vêm perdendo os seus entes queridos”, se pronunciou Barroso.

“É absolutamente lamentável que o Brasil é o único país do mundo em que a segunda onda da pandemia vem sendo muito pior do que a primeira. Isso [acontece], lamentavelmente, em face de desorganização, de ausência de liderança, de diferenças políticas que vêm, infelizmente, deixando de lado o mais importante, que é cuidar da população. Aproveito a oportunidade para dizer que é momento de união de todas as esferas políticas”, complementou ministro Moraes.

“Nenhuma autoridade sozinha conseguiria vencer o grave desafio do combate à pandemia do Covd-19. Todos os entes federativos deveriam, em cooperação, atuar contra a pandemia sempre sob a liderança nacional da União. Liderança essa que, infelizmente, vem faltando. E a população merece essa coordenação e liderança, porque a esperança só vai renascer a partir do momento em que todos verificarmos que, independentemente de diferenças políticas, todos estamos marchando para o combate à pandemia”, finalizou Alexandre de Moraes.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)