CRISE NA PANDEMIA: Crise da falta de leitos de UTI faz oposição na Câmara representar Ministério da Saúde na PGR
Líderes da oposição encaminharam ofício e representação ao órgão com base em reportagens que denunciaram corte de UTIs pela metade e uso da estrutura estatal para promoção de um medicamento perigoso e sem eficácia comprovada.
( Publicada originalmente às 16h 10 dp doa 10/02/2021)
(Brasília-DF, 11/02/2021) A crise na Saude que fez o Governo de SP acionar o STF está mobilizando mais gente.
A Liderança da Minoria na Câmara nessa terça-feira, 9, apresentou duas ações contra o governo Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República: um ofício solicitando medidas a respeito da redução dos leitos e uma representação para impedir a distribuição indevida de cloroquina e hidroxicloroquina.
Ambas destacam que o Brasil não teve uma campanha massiva de testagem, como ocorreu em outros países do mundo, e lembram que o presidente ridicularizou a pandemia em diversos momentos, chamando-a de “gripezinha” e quebrando protocolos inúmeras vezes, não usando máscara ou criticando o isolamento social.
Além do líder do bloco, o deputado José Guimarães (PT-CE), assinam os documentos os líderes dos partidos Enio Verri (PT-PR), Daniel Cabral (PSB-PE) e Talíria Petrone (PSOL-RJ).
Na última sexta ,5, o El País publicou uma matéria que aponta a redução drástica no número de leitos de UTI custeados pelo Ministério da Saúde no exato momento em que a pandemia volta a se agravar no Brasil e que já tem como efeito o colapso da rede pública de Manaus (AM) e a lotação superior a 80% da capacidade em outras oito capitais. Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Saúde (Conass), Carlos Lula, ouvido pela reportagem, o número de leitos financiados com participação federal era de 7.717 leitos vigentes até o no mês passado, em fevereiro são apenas 3.187, além de 13.045 que estão sem habilitação federal. “Chegamos a ter 17.000 leitos [..] É como se o Ministério dissesse que, agora, estados e municípios terão que manter sozinhos a assistência”, conta o responsável pelo órgão que também é secretário de Saúde do Maranhão, preocupado com a falta de leitos chegar ao limite em todas as regiões.
Já a “Folha de S.Paulo”, no sábado ,6, denunciou que Bolsonaro vem mobilizando, pelo menos, cinco ministérios, uma estatal, dois conselhos da área econômica, Exército e Aeronáutica para difundir a cloroquina e a hidroxicloroquina como suposto tratamento precoce contra a Covid-19. Diversos experimentos científicos realizados até agora comprovaram que as drogas não possuem eficácia contra a doença e ainda oferecem risco de morte aos pacientes. Quase 6 milhões de comprimidos já foram distribuídos por essa política governamental irresponsável e assassina, a maior parte deles para as regiões Norte e Nordeste. Em plena crise pela falta de oxigênio que levou Manaus ao caos, a resposta imediata do governo foi enviar 120 mil unidades dos medicamentos.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)