31 de julho de 2025
Brasil e Poder

SUCESSÃO NA CÂMARA: Após reunião dos partidos de esquerda, Orlando Silva diz que oposição a Bolsonaro “precisa ter dimensão do que está em jogo”

Aliado do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o parlamentar do PCdoB diz que o “caminho é construir uma aliança anti-Bolsonaro” para defender a ciência, a democracia e a independência do Legislativo

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( Publicada originalmente às 15h 47 do dia 17/12/2020) 

(Brasília-DF, 18/12/2020) O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou nesta quinta-feira, 17, em suas redes sociais, que os partidos que compõem a oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) precisam “ter dimensão do que está em jogo” na disputa da eleição para presidente da Câmara dos Deputados, que acontecerá no próximo 1º de fevereiro de 2.021.

A declaração do parlamentar, que apesar de eleito por São Paulo, é baiano, aconteceu após reunião que as lideranças dos seis partidos de esquerda (PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB e Rede sustentabilidade) com representação na Casa promoveu para debater que estratégia e iniciativa devem adotar no pleito que escolherá os integrantes da Mesa Diretora da Câmara pelos próximos dois anos. Os seis partidos possuem 131 deputados e podem ser fundamentais na escolha do futuro dirigente daquela Casa. Os seis partidos chegaram ao entendimento de refutarem a candidatura de Arthur Lira (PP-AL), que conta com o apoio de Bolsonaro.

Com um colégio eleitoral formado por 513 deputados, se elege presidente aquele que obter no mínimo 257 votos. Aliado do atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o parlamentar do PCdoB diz que o caminho para as oposições “é construir uma aliança anti-Bolsonaro” para defender a ciência, a democracia e a independência do Legislativo. Ele entende que caso o deputado Lira se torne presidente da Câmara, a pauta de costumes defendida pelo presidente brasileiro, como a liberação das armas, a proibição do aborto e a redução da maioridade penal passem a ser os temas que serão enfrentados no ambiente legislativo.

“O que está em jogo na eleição para presidência da Câmara dos Deputados? Por que Bolsonaro está jogando tudo para anexar a Câmara ao Palácio do Planalto? Hoje, Bolsonaro apoia Arthur Lira. Arthur é bolsonarista? Não diria. Mas sua vitória seria a de Bolsonaro. Ele é conhecido por cumprir acordos. Para Bolsonaro apoiá-lo, há acordos. É adequado supor que seriam cumpridos. e o que serve a Bolsonaro não serve ao Brasil”, comentou o baiano Orlando Silva.

“Está em jogo a democracia brasileira, a disputa eleitoral em 2.022. Bolsonaro precisa controlar quem decide sobre o impeachment e a pauta, precisa impor os temas da extrema-direita ([liberação das] armas, [redução da] maioridade penal, proibição do aborto) e alimentar a sua horda, mantendo o país polarizado. A Oposição mostra que tirou lições da última eleição da Mesa. Curiosamente, a defesa de uma “candidatura de esquerda” virou bandeira de quem tentou apoiar o candidato defendido por Bolsonaro e perdeu em seus partidos”, complementou.

“O caminho é construir uma aliança anti-Bolsonaro, ancorada na defesa da democracia, da independência da Câmara, da ciência e da vida no combate à Covid, entre outros itens de uma pauta que seja amálgama dessa frente ampla. Formado o Bloco Parlamentar, resolvemos a eleição da Mesa e passamos a discutir um nome que expresse esses compromissos na Presidência. Essa eleição da Câmara dos Deputados é decisiva para o futuro do Brasil. A oposição precisa ter essa dimensão e ter dimensão do seu papel”, completou.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)