31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINAS: Eduardo Pazuello, falando na Comissão do Covid, promete quase 25 milhões de doses de vacinas em janeiro, apesar do seu Ministério dizer, em nota, que não estabeleceu nenhuma data para aquisição dos imunizantes

Ministro explicou, ainda, que termo de responsabilidade exigido aos brasileiros que tomarão vacinas durante fase emergencial é uma medida baseada em legislação inglesa

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( Publicada originalmente às 12h 20 do dia 17/12/2020) 

(Brasília-DF, 18/12/2020) O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, prometeu nesta quinta-feira, 17, ao participar virtualmente de uma audiência da comissão externa do Senado Federal que monitora a situação da pandemia do novo coronavírus (covid-19) no Brasil, quase 25 milhões de doses de vacinas já para o próximo mês, janeiro de 2.021, mesmo com o seu Ministério afirmar, por meio de nota de esclarecimento, que a pasta não estabeleceu nenhuma data sobre quando a aquisição dos imunizantes acontecerá.

Segundo ele, já há previsão de que o governo brasileiro receba no próximo mês 24,7 milhões de doses de vacinas contra o covid, que já matou mais de 183 mil brasileiros. Isso acontece porque o país já tem acertos com três grandes laboratórios farmacêuticos, como a Astrazeneca, a Sinovac e a Pfizer, para receber as vacinas produzidas pelas três empresas, assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar emergencialmente o uso delas dentro do território brasileiro. O ministro explica que dentro das 24,7 milhões de doses aguardadas inicialmente, 15 milhões são da Astrazeneca que é produzida em parceria com a universidade inglesa de Oxford. Já a coronavac da chinesa Sinovac, produzida em parceria com o Instituto Butantan, ofertará nove milhões de doses ao Ministério da Saúde. A vacina da alemã Pfizer promete entregar 500 mil doses no primeiro mês do próximo ano.

“Se nós somarmos esses três números, vamos ter 24,7 milhões de doses em janeiro. Para fevereiro, repete-se a Pfizer, aumenta-se o Butantan para 22 milhões e mantém-se a AstraZeneca com 15,2 milhões. Vamos, então, para 37,7 milhões de doses. Em março, outras 31 milhões de doses; a partir daí, equilibra-se o número. Nós temos tratado, além da AstraZeneca, com 100 milhões de doses no primeiro semestre, e a produção de 20 milhões de doses por mês a partir de julho, já com a nossa tecnologia, o que dá 220 milhões de doses só com a AstraZeneca. Nós temos, com o Butantan, o primeiro lote de 46 milhões de doses. Repito, convênio assinado há mais de 60, 70 dias”, falou durante a audiência com os senadores.

“O Ministério da Saúde esclarece que não estabeleceu qualquer data para o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Isso porque não existe sequer pedido de registro realizado por nenhum laboratório junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Assim, as notícias veiculadas que citam o dia 21 de janeiro como uma possível data para o início da campanha de imunização não são verdadeiras. A desinformação não contribui e apenas confunde a população brasileira. Por isso, enfatiza-se a importância de os cidadãos, a imprensa e os formadores de opinião acompanharem atentamente os canais oficiais do Ministério da Saúde”, informou a pasta em aviso à imprensa disparado nas suas redes sociais às 12 horas e 10 minutos desta quinta.

“Memorandos de intenção de compras já foram devidamente firmados pela pasta com uma série de laboratórios, conforme divulgado. Para que possa ser estabelecido um cronograma, entretanto, é necessário ter uma ou mais vacinas aprovadas e registradas pela ANVISA, o que garantirá segurança aos brasileiros. Atingida essa etapa, as informações relativas aos processos de compra e distribuição serão divulgadas. O Ministério da Saúde, seus dirigentes e corpo técnico agirá sempre de forma responsável para com a saúde dos brasileiros”, completou a nota emitida pelo Ministério.

Termo

Pazuello explicou, ainda, aos senadores e à comissão do covid no Senado que o termo de responsabilidade que será exigido aos brasileiros que tomarão vacinas durante a fase emergencial é uma medida baseada na legislação inglesa para certificar que os imunizantes ainda estão em fase final de acertos clínicos. De acordo com ele, este procedimento não será mais utilizado assim que uma, ou mais vacinas, obter junto a Anvisa o registro definitivo.

“É assim que funciona na Inglaterra, não é uma invenção do governo brasileiro ou da Anvisa. Todos os ingleses que recebem a vacina nesse caráter de uso emergencial, em que não há registro, são voluntários e assinam termos de consentimento. A imprensa, às vezes, pega uma frase aqui, outra ali, e não tem a profundidade exata da coisa. Quando se fala de voluntário e consentimento é para antes do registro, antes da comprovação da eficácia e da segurança, ainda nas fases de teste”, complementou.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)