ORÇAMENTO: Congresso aprova LDO com previsão de aumento no salário mínimo de R$ 43,00 e aquisição de vacinas contra covid para atender toda população
Relator da matéria, Irajá Abreu acolheu diversas emendas de parlamentares, dentre elas, seis iniciativas do potiguar Jean Paul Prates para garantir recursos em ações de cultura, educação, meio ambiente e no enfrentamento à pandemia
( Publicada originalmente às 18h 47 dp doa 16/12/2020)
(Brasília-DF, 17/12/2020) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram nesta quarta-feira, 16, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do próximo ano, 2.021, com previsão de aumento no salário mínimo de R$ 43,00 e aquisição de vacinas contra o novo coronavírus (covid-19) para atender todos os mais de 213 milhões de brasileiros. A proposta deveria ter sido votada no final do primeiro semestre do ano e deveria ter passado, primeiro, pela Comissão Mista de Orçamento(CMO) que face a pandemia e a disputa política entre grupos acabou não sendo instalada para analisar o assunto que foi levada direta ao plenário por acordo dos líderes.
A LDO, que segue agora para sanção do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), prevê ainda um déficit nas contas públicas de R$ 247,1 bilhões. As contas do governo federal estão negativas desde o ano de 2014, no último ano do primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).
O parecer do relator, senador Irajá Abreu (PSD-TO), alterou a versão encaminhada pelo Poder Executivo. Os deputados aprovaram o substitutivo por 444 votos. Apenas dez deputados votaram contra. No Senado, a votação foi simbólica. Para aprovar a matéria de uma maneira mais célere, foram rejeitados todos os destaques oferecidos pelas bancadas na Câmara e no Senado.
Assim, o valor do salário-mínimo hoje em R$ 1.045,00 subirá para R$ 1.088,00. a garantia do valor orçamentário para a aquisição das vacinas contra o covid-19 aconteceu após o relator do projeto acatar parcialmente duas emendas apresentadas pelos deputados Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde no governo Dilma, e de Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
O parecer de Irajá, filho da senadora Kátia Abreu PP-TO), expandiu também as metas e prioridades do Poder Executivo, prevendo políticas para a primeira infância, investimentos em andamento, programa habitacional Casa Verde e Amarela nas cidades com até 50 mil habitantes e mais outros 125 programas priorizados por deputados e senadores.
Ações aprovadas
Entre as várias emendas de congressistas acolhidas por Irajá de Abreu se encontram seis iniciativas que foram apresentadas pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN), com objetivo de garantir recursos em ações da cultura, educação, meio ambiente e ao enfrentamento à pandemia.
Na área da educação, o petista potiguar apresentou três emendas. Uma delas visa garantir o fortalecimento de ensino da rede federal de educação profissional e tecnológica no Brasil, formada por vários Institutos Federais e centros federais de educação tecnológica, pela Universidade Tecnológica Federal (UTF) e pelas escolas técnicas vinculadas às universidades federais.
“É muito importante garantir a continuidade dos Institutos Federais. Estas instituições têm suas bases em um conceito de educação profissional e tecnológica sem similar em nenhum outro país”, comemorou o senador do RN.
Sem contigenciamento
Uma outra emenda evita o contingenciamento de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Jean Paul lembra que, desde sua criação em 1969, o fundo tornou-se um instrumento fundamental para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
Segundo ele, é por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma agência pública que apoia a inovação e atua como secretaria-executiva deste fundo, o FNDCT financiou, ao longo das últimas cinco décadas, projetos estratégicos em instituições de ciência e tecnologia, em universidades, em empresas e nas forças armadas.
“Devido ao tamanho da importância do FNDCT para o desenvolvimento da pesquisa científica brasileira apresentamos a presente emenda para que os recursos não sejam contingenciados e com isso seja possível o uso total das verbas vinculadas ao fundo”, complementou.
Sem descontinuidade
Outra emenda do senador Prates que foi aprovada visa evitar a descontinuidade das políticas sociais básicas e essenciais, como educação, saúde, assistência social e a segurança alimentar e nutricional.
Por fim, o petista potiguar conseguiu incluir na LDO um dispositivo que garante a revitalização da bacia hidrográfica do rio São Francisco, que amplia o combate à pandemia e o combate à pobreza. Além do incentivo, a promoção e a preservação do patrimônio cultural e histórico brasileiro através do Fundo Nacional da Cultura (FNC).
Lei Kandir
O Congresso aprovou também o PLN 41/20, com R$ 4 bilhões para cumprir o acordo em que a União compensa estados e municípios pelas perdas causadas em virtude da Lei Kandir. Nesta matéria, o relator, deputado Cacá Leão (PP-BA), recomendou a aprovação. O texto também segue para sanção presidencial.
Crédito suplementar
O Congresso aprovou ainda o relatório do deputado Domingos Neto (PSD-CE) ao PLN 29/20, que abre abre crédito suplementar de R$ 3,2 bilhões em favor de diversos órgãos do governo federal para que o país possa quitar obrigações com organismos internacionais. A proposta também segue para a sanção. A bancada do Novo na Câmara tentou impedir a votação desta matéria, mas sem sucesso.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)