Senadores rejeitam nome de Fábio Marzano, indicado por Bolsonaro, para delegado permanente do Brasil na OMC
Com voto secreto, apenas nove senadores votaram a favor da indicação; Kátia Abreu e Major Olímpio comemoraram a rejeição do embaixador para Genebra; senadores aprovaram, ainda, projeto que cria carteira de vacinação e rastreamento de vacinas
( Publicada originalmente às 19h 04 do dia 15/12/2020)
(Brasília-DF, 16/12/2020) Os senadores rejeitaram nesta terça-feira, 15, com o voto de 37 parlamentares, em votação secreta, o nome do diplomata Fábio Mendes Marzano, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), para assumir assento de delegado permanente do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça.
Apenas nove senadores votaram a favor da indicação. A senadora Kátia Abreu (PP-TO) e o senador Major Olímpio (PSL-SP) comemoraram a rejeição do embaixador para o cargo na cidade suíça. Kátia Abreu afirmou que o Senado disse não a “arrogância” e Olímpio falou ao “inferno com o chanceler” e ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
“Em nome das mulheres senadoras, dos meus colegas senadores, de todos os partidos que compõem esta Casa, que hoje ficou bastante claro para todo Brasil e para o mundo inteiro que o Senado Federal tem um papel muito importante na política externa brasileira, que nós sabemos o que estamos fazendo, que nós queremos que o nosso País avance, que nós queremos ampliar as nossas relações, que nós queremos participar dos acordos bilaterais para que o nosso comércio possa ser ampliado, para que o Brasil não participe apenas com 2% do comércio mundial, mas que a gente possa sonhar em chegar a 5%, a 7% do comércio mundial, que o agronegócio possa chegar a 12%”, comentou a senadora tocantinense.
“Esse indicado, Fabio Mendes Marzano, ao ser sabatinado na comissão por uma das nossas senadoras, quando ela questionava; questionava, não, argumentava, e de forma coerente e como o Senado da República tem obrigação, esse sr. Fabio Mendes, de maneira grotesca, irresponsável, simplesmente disse que não era da sua alçada e não iria responder à senadora. Então, eu peço aos Senadores, em nome da altivez do Senado, que não votem por essa indicação. Eu lamento ter que tomar uma atitude dessa natureza, mas primeiramente respeito a uma Senadora que, durante todas as sessões, de forma muito responsável, fez o que a maioria de nós não fez, que foi estimular os candidatos a se posicionarem”, disparou o senador paulista.
“Senadora Kátia Abreu, quero ser solidário a Vossa Excelência porque não pude estar naquele momento na comissão, senão eu já teria dito a esse cidadão, naquele momento. Então, eu peço, eu encareço: vamos votar contra, o Senado todo. Que se faça outra indicação no começo do ano. Mas vir aqui dizer o que foi dito, de forma grotesca, e isso sair barato! ‘Ah, mas eu sou do time do chanceler’. Para o inferno o chanceler! Respeito ao Senado, respeito aos senadores! Vamos todos votar contra esse cidadão”, completou o senador do PSL.
Vacinas
Os senadores aprovaram, ainda, o Projeto de Lei (PL) 5217/20 que cria a carteira nacional de vacinação e determina rastreamento de vacinas sob responsabilidade do Programa Nacional de Imunizações. A proposição segue para análise da Câmara dos Deputados.
Empréstimos
O Senado aprovou também três mensagens do presidente Bolsonaro que autoriza os Ministérios da Economia e da Cidadania a contratar R$ 8,1 bilhões junto a Corporação Andina de Fomento, a Agência Francesa de Desenvolvimento e ao New Development Bank para financiar os programas de renda destinados aos afetados pelo novo coronavírus (covid-19). As três mensagens vão a promulgação.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)