31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

POLÊMICA: Após Ministério da Saúde apagar publicação nas redes sociais que defendia o isolamento social, Eliziane Gama vê censura promovida pelo governo

Já os aliados do presidente não se pronunciaram sobre um dos temas mais discutidos da esfera cibernética; petistas criticam negacionismo e falta de projeto do governo Bolsonaro

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Eduardo Pazuello mandou retirar a postagem?!

( Publicada originalmente às 15h 30 do dia 18/11/2020) 

(Brasília-DF, 19/11/2.020) Após o Ministério da Saúde apagar uma publicação nas redes sociais que defendia o isolamento social nesta quarta-feira, 18, a senadora e líder do Cidadania, Eliziane Gama (MA), vê censura e uso político por parte do governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) a pasta ministerial responsável pelo combate ao novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 166 mil brasileiros.

Já os aliados do presidente não se pronunciaram sobre um dos temas mais discutidos da esfera cibernética. Os deputados João Daniel (PT-SE) e Joseildo Ramos (PT-BA) criticaram o “negacionismo” e a “falta de projeto” do governo Bolsonaro. Ambos aproveitaram para abordar as negativas do presidente brasileiro em querer comprar a coronavac, vacina contra a covid, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan ligado ao governo de São Paulo, além da fala recente na reunião de cúpula dos Brics, conselho de nações emergentes formada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em que negou que haja no país um cenário de devastação ambiental e de desrespeito aos direitos humanos dos povos originários.

Por volta das 09 horas desta quarta-feira, 18, o perfil do Ministério da Saúde no twitter publicou a seguinte mensagem: “Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores as chances de recuperação. Então, fique atento! Ao apresentar sintomas da Covid-19, Não espere, procure uma Unidade de Saúde e solicite o tratamento precoce”. Na sequência, uma usuária que se identifica com a pauta bolsonarista citar o nome do medicamento azitromicina, o perfil do Ministério publicou uma outra postagem que dizia: “Olá! É importante lembrar que, até o momento, não existem vacina, alimento específico, substância ou remédio que previnam ou possam acabar com a covid-19. A nossa maior ação contra o vírus é o isolamento social e a adesão das medidas de proteção individual”. Uma hora depois, a publicação foi apagada.

Essa postagem foi publicada em resposta a internauta e depois apagada

“A recomendação do Ministério da Saúde no post é cristalina para que todos se protejam contra a covid-19 por meio do isolamento social e do uso de máscaras, únicas formas ainda de se evitar o contágio do vírus”, comentou a senadora maranhense indignada. Segundo ela, a censura aconteceu por decisão do Palácio do Planalto.

“Também quero repudiar a atitude do presidente Bolsonaro, que lamentavelmente, mais uma vez, nega a ciência com questões ideológicas sobre a vacina contra a covid-19. É preciso que o presidente tenha respeito com a ciência. Independentemente do país que produza a vacina, nós devemos apoiar, ajudar e estar à frente para salvar vidas da nossa população. Nosso repúdio a essa postura antidemocrática e anticiência do presidente!”, complementou o petista João Daniel.

“Hoje nós estamos aqui para manifestar a nossa indignação em função do que está acontecendo com o nosso País. O nosso País está sem rumo. Está sem timoneiro. Está sem um porto seguro, embora seja uma nau desgovernada. O Brasil de hoje aproxima-se de uma tormenta sem precedentes. Na verdade, o Governo Federal não tem um projeto para o País, não tem um projeto de Nação. A fala do atual Presidente da República na última reunião do BRICS revela a ausência de uma pauta consistente, que demonstre para o mundo que o País pode garantir a proteção do seu imenso patrimônio ambiental. O Governo Federal não demonstra capacitação para utilizar os nossos ativos ambientais como uma alavanca de bons negócios, que possam trazer recursos e novas oportunidades para o nosso País”, completou Joseildo Ramos.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)