31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

Anvisa não responde se Bolsonaro foi informado sobre informações que levaram órgão suspender testes da coronavac por dois dias

Gustavo Mendes, técnico da entidade, respondeu apenas como foi a decisão do órgão para suspender os testes da coronaVac

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( Publicada originalmente às 17h 00 do dia 17/11/2020) 


(Brasília-DF, 18/11/2.020) A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não respondeu nesta terça-feira, 17, durante a audiência realizada na comissão externa da Câmara, se o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) foi informado sobre informações que levaram o órgão a suspender os testes da coronavac por dois dias, entre 9 e 10 de novembro.

O questionamento, feito pelo deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, foi apenas respondido pelo diretor do órgão, Gustavo Mendes, que a decisão da Anvisa em suspender os testes da coronavac se deu por um “processo racional” e que “a retomada do estudo só foi endossada pelo Comitê Independente de Segurança depois que nós, na reunião do dia 10, de manhã, solicitamos [os documentos] ao Instituto Butantan”.

“Eu quero saber o seguinte. A Anvisa tinha as informações sobre o motivo da suspensão e a busca de informações. Esse comitê informou ao presidente? Se nada disso aconteceu, a Anvisa, o Ministério da Saúde ou o Comitê de Operação de Emergência, do governo federal, aprendeu alguma coisa com esse fato? Porque eu não vou perguntar para o presidente se ele aprendeu alguma coisa sobre esse fato, mas será que essas estruturas de coordenação desse processo de desenvolvimento da busca de uma vacina aprenderam ou têm alguma proposta de mudança dos seus procedimentos, caso aconteça algum evento adverso grave similar, para que nós não sejamos, mais uma vez, torpedeados por um comunicado público à nação feito pelo presidente da República?”, observou o petista.

“Eu queria explicar também para o deputado Alexandre Padilha como foi esse processo, qual foi o processo racional para a retomada da ANVISA. O senhor mencionou, deputado, que na reunião já foi esclarecido, na reunião que nós fizemos segunda-feira (09). Então, isso é importante esclarecer. Nós interrompemos, na segunda-feira à noite, e já mandamos, por iniciativa nossa, um pedido de reunião com o Instituto Butantan na terça-feira (10) de manhã. Na terça-feira de manhã, tivemos acesso a mais informações sobre o caso específico. Essas informações que nós recebemos precisavam ser documentadas, obviamente, mas já trouxeram alguns esclarecimentos a mais em relação ao que nós tínhamos no dia 9”, comentou o dirigente da Anvisa.

“Mas ficou muito claro ali, na reunião do dia 10, de manhã, que ainda precisavam ser tomadas ações pelo Instituto Butantan, principalmente em relação a acionar o Comitê Independente de Segurança, e obter do Comitê Independente de Segurança uma manifestação sobre o caso, para decidir sobre a retomada ou não do estudo. Então, é muito importante esclarecer isso. A retomada do estudo só foi endossada pelo Comitê Independente de Segurança depois que nós, na reunião do dia 10, de manhã, solicitamos isso ao Instituto Butantan. Então, esse que é um rito esperado, de comunicar, de maneira célere, um evento adverso grave não esperado a esse Comitê Independente de Segurança, ele só foi iniciado depois que demandamos isso na reunião no dia 10, de manhã. Isso é uma peça fundamental para trazer a isenção da análise do caso, porque, como eu mencionei, o Comitê Independente é formado por pesquisadores que não estão envolvidos com a pesquisa”, emendou Gustavo Mendes.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)