31 de julho de 2025
Mundo e Poder

José Guimarães, líder da Minoaria, quer que Itamaraty explique decisão do governo brasileiro a favor do projeto de 5G dos EUA, em detrimento a proposta chinesa

Alexandre Padilha e Jorge Solla fizeram o mesmo sobre a decisão do governo de permitir que centro dos EUA se instale no país para coordenar políticas de segurança sanitária; petistas veem ato para esvaziar OMS e fazer do Brasil laboratório contra covid

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José Guimarães

( Publicada originalmente às 19h 15 do dia 12/11/2020) 

(Brasília-DF, 13/11/2.020) O líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), apresentou nesta quinta-feira, 12, um requerimento de informações para que o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, explique a decisão do governo brasileiro a favor do projeto “Clean Network” de 5G do governo dos Estados Unidos da América (EUA), em detrimento da proposta oferecida pela empresa chinesa Huawei.

De acordo com o petista cearense, existem dez questões, elencadas por ele, que precisam ser respondidas pela chancelaria brasileira, visto que a opção pela iniciativa norte-americana poderá acarretar um atraso ainda maior do país no ambiente digital. Guimarães aponta que “é fato notório que a gigante chinesa Huawei detém a tecnologia da internet 5G, considerada como uma revolução tecnológica sem precedentes e que mudará o mundo em que vivemos”. Ao contrário, dos EUA que “aparentemente ainda não possuem o mesmo domínio da 5G que os orientais”.

“Portanto, a iniciativa ‘Clean Network’ apesar de ter a aparente finalidade de ‘segurança de informação’, pode esconder o grande interesse dos Estados Unidos de impedir que países como o Brasil adquiram a tecnologia chinesa, antes que os americanos estejam prontos para uma concorrência à altura. Importante dizer que a internet 5G quebrou o paradigma das gerações anteriores e abriu infinitas outras possibilidades não só em termos de velocidade de comunicação, mas de transportes, automação da indústria, equipamentos de defesa etc”, argumentou o petista na justificativa do requerimento.

Segundo ele, o Itamaraty precisa responder as seguintes questões: Quais outros países estão apoiando esta política? A iniciativa visa a segurança da informação e privacidade dos cidadãos em relação a todas empresas, independentemente de sua proveniência, ou apenas às chinesas? A adesão do Brasil considera os interesses nacionais ou apenas se soma aos interesses geopolíticos dos Estado Unidos nessa disputa pela internet 5G? Tendo a pergunta anterior em consideração, quais os interesses brasileiros que foram primordialmente levados em consideração para participação do Brasil na “Clean Network”?

Guimarães quer saber também se a adesão do Brasil a “Clean Network” poderá ter como consequência a exclusão da chinesa Huawei do leilão de internet 5G que o Brasil promoverá em 2021? Considerando a exclusão das empresas chinesas do futuro leilão brasileiro, quais as alternativas que restam para o país nesta modalidade tecnológica? Os Estados Unidos possuem a tecnologia da internet 5G? Qual será o impacto do apoio do Brasil a “Clean Network” com a relação bilateral do país com a China?

Coordenação dos EUA

Os deputados Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e Jorge Solla (PT-BA) também apresentaram nesta quinta-feira, 12, um outro requerimento de informações sobre a decisão do governo brasileiro de permitir que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos EUA se instale no país para coordenar políticas de segurança sanitária.

Os petistas veem o ato como uma tentativa de esvaziamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e fazer do Brasil, juntamente com os países vizinhos da América do Sul, um laboratório para que os cientistas americanos possam estudar os impactos do novo coronavírus (covid-19). Os EUA é o país com o maior número de casos da doença, assim também como o que possui o maior número de óbitos. Lá, já foram infectados mais de 10,5 milhões de pessoas, com 242,5 mil norte-americanos indo a óbito.

“O CDC, é uma agência do Ministério de Saúde norte-americano, cabendo questionar se o centro de controle, como um órgão da administração federal dos EUA teria autorização para ter uma sede no Brasil, pois isto depende de acordo internacional, que não identificamos que esteja estabelecido e permita isto. As representações dos países estrangeiros ou são vinculadas à Embaixada ou estão cobertas por acordos bilaterais. As ações internacionais relativas à proteção à saúde são coordenadas por organismos multilaterais em que o Brasil, os EUA e a maioria dos países têm assento”, comentaram os parlamentares na justificativa do requerimento.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)