Federação Árabe Palestina do Brasil condena novo alinhamento da diplomacia brasileira contra a luta das populações Palestina e Síria, que vivem em áreas ocupadas por Israel, de terem atendimento da OMS
“Como brasileiros de origem palestina, rejeitamos, tal qual a maioria do povo brasileiro, esta guinada inédita de nossa política externa, alinhando-a à proteção dos crimes de Israel”, diz a nota da entidade
( Publicada originalmente às 18h 15 do dia 12/11/2020)
(Brasília-DF, 13/11/2.020) A Federação Árabe Palestina do Brasil condenou nesta quinta-feira, 12, o novo alinhamento da diplomacia brasileira contra a luta das populações palestina e síria, que vivem em áreas ocupadas por Israel, de terem atendimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrida na 73ª Assembleia Mundial da Saúde, órgão máximo da Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos mais importantes organismos da ONU.
A Federação, fundada em 1.979, apesar do voto do governo brasileiro, comemorou a aprovação da resolução que contou com o voto favorável de 78 nações. Apenas 13 países votaram contra e se alinharam a política de ocupação de Israel. “O Brasil, infelizmente, foi levado a novamente alinhar-se com os crimes de Israel contra o povo palestino”, diz nota assinada pelos dirigentes da organização, Ualid Rabah, Fátima Ali, Walid Shuqair e Hissa Hazin.
“Como brasileiros de origem palestina, rejeitamos, tal qual a maioria do povo brasileiro, esta guinada inédita de nossa política externa, alinhando-a à proteção dos crimes de Israel na Palestina e nos demais países seus vizinhos e nos afastando do Direito Internacional, especialmente o humanitário, das resoluções da ONU aplicáveis à Questão Palestina, das convenções e tratados internacionais de que o Brasil é signatário, assim como dos acordos mediados pela Comunidade Internacional e chancelados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, continuaram.
De acordo com a OMS, a ocupação israelense prejudica a sustentabilidade do sistema de saúde palestino, visto que a idade de um palestino deslocado pelo confisco de suas terras e tornado refugiado é 9 anos menor que a de um colono israelense assentado em território palestino ocupado, onde é negado o atendimento a cerca de 40% dos pacientes palestinos em hospitais israelenses, buscado em virtude dos efeitos da ocupação na infraestrutura de saúde da Palestina. Assim como as ambulâncias palestinas são interrompidas nos postos de controle militar israelenses, obrigando os pacientes à troca de veículos e o programa de imunizações está ameaçado porque Israel impede a importação de vacinas pelos palestinos, lançando incerteza e preocupação diante da covid-19.
“Os ataques a profissionais de saúde, ambulâncias e instituições de saúde são frequentes por parte de Israel, inclusive no âmbito da pandemia do coronavírus; Não há instalações de radioterapia ou medicina nuclear nas áreas ocupadas do território palestino, salvo no leste de Jerusalém; na Faixa de Gaza estão em falta perto de 50% dos itens da lista de medicamentos essenciais e quase 30% dos itens essenciais gerais;
Quase 55% dos meninos palestinos e 47% das meninas palestinas com idades entre 6 e 12 anos têm suspeita de problemas emocionais e ou transtornos mentais ocasionados pela ocupação israelense da Palestina”, acrescentam na nota os dirigentes da Federação Árabe Palestina do Brasil.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)