Na véspera das eleições municipais, comissão do Congresso ouvirá explicações de dirigentes da Anvisa e Butantan sobre suspensão das pesquisas da CoronaVac
Parlamentares ouvirão, ainda, dirigentes da Aneel sobre a falta de energia há mais de uma semana no estado do Amapá
( Publicada originalmente às 14h 00 do dia 11/11/2020)
(Brasília-DF, 12/10/2.020) Na véspera das eleições municipais, a comissão mista do Congresso Nacional, formada por deputados e senadores, que acompanha e monitora a execução orçamentária das iniciativas de combate ao novo coronavírus (covid-19), ouvirá nesta próxima sexta-feira, 13, as explicações que os dirigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan sobre a suspensão das pesquisas da coronavac, ocorrida na última segunda-feira, 9.
Apesar das pesquisas terem sido autorizadas pela Anvisa na manhã desta quarta-feira, 11, após os técnicos do órgão federal avaliarem como satisfatórias as explicações encaminhadas pelos dirigentes do Butantan, que atestavam que a morte do voluntário, registrada na última sexta-feira, 6, não tinha nenhuma relação com as pesquisas da vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac, o episódio causou um enorme estremecimento entre os profissionais das duas instituições, e até mesmo provocações políticas entre o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) com a gestão João Dória Jr. do governo de São Paulo, a quem o Butantan é ligado.
Nessa terça-feira, 10, apesar do diretor-geral do Butantan, Dimas Covas, afirmar que o óbito ocorrido com o voluntário não ter nenhuma relação com as pesquisas da coronavac, que já se encontra em fabricação em larga escala para distribuição com objetivo de imunizar milhares de pessoas contra a doença que já matou mais de 162 mil brasileiros, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Torres, afirmou em entrevista coletiva dada a imprensa, após as declarações do dirigente do Butantan, que a Anvisa não recebeu em nenhum momento o detalhamanento sobre o óbito pelos canais institucionais correto entre sexta-feira, 6, e segunda-feira, 9, quando foi decidido que as pesquisas em torno da coronavac deveriam ser suspensas.
O imbróglio entre as duas entidades se ampliou ainda mais quando o presidente Bolsonaro em uma postagem nas suas redes sociais, ao responder a um apoiador se o governo federal compraria a vacina sino-brasileira, produzida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com a fundação paulista de imunizantes, que o “efeito adverso grave” registrado nas pesquisas, conforme apontava a decisão da Anvisa de segunda-feira, 09, demonstrava “mais uma vez” que ele, Bolsonaro, estava correto em não avalizar a aquisição desta “vacina da China do Dória”. A partir daí, o assunto passou a dominar o cenário político com diversos líderes de partidos centristas, como PSDB e Cidadania, e da oposição, PT, PSB, PSOL e Rede Sustentabilidade, condenando a fala do presidente brasileiro.
“Após avaliar os novos dados apresentados pelo patrocinador [Butantan] depois da suspensão do estudo, a Anvisa entende que tem subsídios suficientes para permitir a retomada da vacinação e segue acompanhando a investigação do desfecho do caso para que seja definida a possível relação de causalidade entre o EAG inesperado e a vacina”, disse o órgão federal nesta quarta-feira, 11.
Apagão
Os parlamentares da comissão aprovaram, ainda, a realização de uma audiência também na próxima sexta-feira, 13, onde ouvirão, ainda, alguns dirigentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a falta de energia que afeta desde o último dia 03 o estado do Amapá, onde a população ficou às escuras até a noite de sábado, 07, e desde então atendida com um rodízio de energia que deixa mais quase 70% da população sem luz ao longo do dia.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)