MAIA NO FINADOS: Rodrigo Maia se diz pessimista com a cena econômica e que não prorroga orçamento de guerra nem calamidade; ele disse que Guedes está sozinho no governo
Maia, sobre vacina, volta a defender união governo e congresso para encontrar soluções e não avalia ajuizado vetos a China
( Publicada originalmente às 15h 00 do dia 02/11/2020)
(Brasília-DF, 03/11/2020) Em pleno Dia de Finados, o deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, não pára. Ele concedeu entrevista em live ao “Valor Econômico” . Na linha de reconhecer uma crise pela frente, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado nesse domingo, 1º, pelo jornal “O Estado de São Paulo” e republicado aqui na Política Real, ele não esta nada otimista. Além de economia ele também falou sobre a questão das vacinas.
“Por enquanto, nenhum de nós tem certeza do que o governo vai fazer. Estamos vendo, a cada semana, uma linha de atuação. Num momento você vê balão de ensaio de prorrogar o auxílio emergencial. Na outra, balão de ensaio de prorrogar o estado de calamidade”, disse. Ele falou mais. “O ministro Paulo Guedes está quase que sozinho dentro do governo defendendo Teto de Gastos”, disse.
Maia voltou a dizer que, até ele deixar a presidência, em 1º de fevereiro de 2021, a Câmara dos Deputados não votará nenhuma eventual proposta de prorrogação do estado de calamidade em função da covid-19 ou de extensão do auxílio emergencial pago a quem foi financeiramente afetado pela pandemia.
“Nenhum destes dois assuntos será pautado na Câmara. O governo que esqueça isto”, declarou Maia, alegando que a aprovação destas medidas causaria uma “profunda crise econômica e social no país”.
Maia também falou contra a prorrogação do chamado Orçamento de Guerra, regime extraordinário fiscal, financeiro e de contratações para enfrentamento da situação de calamidade. “Não haverá prorrogação da Emenda Constitucional da guerra e não haverá, em hipótese nenhuma, votação de nenhuma mensagem que chegue prorrogando o estado de calamidade.”
Maia também voltou a dizer que o Congresso está convencido da importância de aprovar uma Reforma Tributária. Segundo ele, falta apenas um acordo com o governo federal para que o tema possa ir à votação.
“Falta só organizar o texto [da proposta] com o governo. O ministro [da Economia] Paulo Guedes às vezes fica com dúvidas se queremos um fundo que vai tirar dinheiro do governo federal [para reparar eventuais perdas de estados e municípios], mas temos um acordo com o ministro: vamos escrever juntos a redação sobre [a operação do] fundo”, disse Maia.
Vacina
Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a dizer que o Congresso e o governo federal construam, conjuntamente, uma proposta legal estabelecendo restrições a quem se negar a tomar a vacina contra a covid-19 que venha a ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Acho que seria bom que os poderes Executivo e Legislativo chegassem a um caminho sobre este tema. Para que ele não fique sem solução e o Poder Judiciário tenha que resolver e, depois, fiquem todos reclamando que o Judiciário o resolveu”, declarou Maia.
Maia não disse que é favorável obrigatoriedade na vacinação, porém disse ser possível pensar em medidas que desestimulem as pessoas a deixarem de tomar a vacina que for aprovada pela Anvisa.
“Este debate sobre obrigatoriedade tem que ser feito com todo cuidado. Tem alguns caminhos com os quais não é preciso obrigar, mas [pode-se] restringir o acesso a alguns equipamentos públicos”, disse Maia.
Maia defendeu a capacidade técnica da Anvisa e dos institutos de pesquisa brasileiros atestarem a segurança de uma futura vacina. Maia tratou a polêmica em torno da CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.
“Depois que a Anvisa aprovar uma vacina, esta deixará de ser de A ou de B. Será uma vacina autorizada pelo órgão brasileiro responsável e que tem a condição de garantir a imunização de todos. O importante é termos duas ou três vacinas aprovadas. E todas elas vão ter, de alguma forma, insumos chineses. Grande parte dos produtos e equipamentos usados no enfrentamento à covid-19 foram importados da China e ninguém deixou de usá-los. Imagina se fossemos vetar [produtos da] China em outros setores da economia. Como faríamos com os nossos celulares? E o que aconteceria com nossa economia se fôssemos proibidos de exportar para a China?”, acrescentou Maia.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)