31 de julho de 2025

Pernambuco. Roberto Magalhães lembra "Dia do Aviador" em artigo erudito.

Texto foi enviado à redação.

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( Brasília-DF, 25/10/2007) A Política Real sempre que tem acesso divulga artigos de parlamentares nordestinos. Veja a íntegra do artigo do deputado Roberto Magalhães(DEM-PE) que saúda o dia do aviador. Em texto erudito, cheio de reminiscências e muita história ele lembra a data que se passou ontem,23:

“ Dia do aviador



No dia 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, na França, o brasileiro Santos Dumont realizou pela primeira vez a proeza de voar em uma aeronave mais pesada que o ar, o 14- Bis.

Na primeira tentativa, ele voou cerca de 60 metros de distância a uma altura
entre dois e três metros. Poucos dias depois, repetiu o feito e percorreu 220 metros de distância a uma altura de seis metros.

Logo após a criação do 14 Bis, Dumont construiu uma nova aeronave, menor, mais aperfeiçoada e com o sugestivo nome de Demoiselle, senhorita em francês, considerada sua obra-prima. Para surpresa geral, o brasileiro abriu mão de todos os direitos autorais do invento, e chegou a publicar um detalhado diagrama da aeronave na revista americana Popular Mechanics.


Para se entender melhor a extensão desse gesto de não querer fazer da invenção daquela máquina de voar um meio de ganhar dinheiro, após a referida publicação, dezenas de pessoas, em vários países do mundo, inclusive inventores, como Fokker, copiaram o projeto do Demoiselle, com pequenas modificações, e o patentearam como criações próprias. Mais de duzentos aparelhos semelhantes foram produzidos nos anos seguintes. É próprio dos homens que são tocados pela genialidade, que têm uma profunda visão do homem, da humanidade, do seu destino, essa simplicidade, esse despojamento.

O desenvolvimento da aviação no Brasil faz jus à competência e à ousadia de Santos Dumont. Em 1914, poucos anos, portanto, após Dumont conquistar o domínio das aeronaves, o Brasil fundou sua primeira escola de aviação.


O grande avanço brasileiro no setor, todavia, deu-se algumas décadas mais tarde, graças à criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e do Centro Tecnológico da Aeronáutica, dois centros de excelência internacionalmente reconhecidos.

Hoje, as aeronaves produzidas no Brasil equipam as forças aéreas de mais de uma dezena de países, além de transportarem cargas e passageiros nos cinco continentes.


Faço questão de registrar os nomes de pioneiros aviadores como Nelson Lavenère-Wanderley e Casimiro Montenegro Filho, que fizeram a viagem inaugural do Correio Aéreo Militar no dia 12 de junho de 1931, conduzindo uma mala postal do Rio de Janeiro a São Paulo.


Falar do Correio Aéreo Nacional nos leva também a lembrar do brigadeiro Eduardo Gomes, patrono da Aeronáutica, o qual foi decisivo na criação desse grande instrumento de penetração no interior brasileiro e de assistência àquelas populações, inclusive às populações indígenas.


É preciso lembrar — os mais jovens não lembram e, hoje, já não é muito grande, ao contrário da minha geração, o número dos que se interessam pela Segunda Grande Guerra — uma página heróica que a humanidade viveu na luta pela democracia contra o nazifacismo.

O Brasil sofreu terrivelmente.

Os Unterseeboot, submarinos alemães infestavam o Atlântico e fizeram submergir inúmeros navios da frota brasileira que faziam o transporte de pessoas e carga na nossa costa. Numa só noite, puseram a pique cinco navios do Lloyd Brasileiro, entre eles dois dos principais, o Baependy e o Araraquara. Foi esse fato que levou, finalmente, o governo brasileiro a romper com os países do Eixo e a declarar guerra a esses países. As nossas Forças Armadas, entre elas a FAB, levaram até a Itália a presença de um país latino americano na luta contra a ditadura hitlerista e dos seus países aliados na guerra.


Nos últimos meses, o País tem enfrentado uma crise aérea de graves proporções, com episódios dramáticos que provocaram a perda de muitas vidas, além de causarem sérios transtornos a milhares de passageiros no Brasil inteiro, coisa aliás absolutamente surpreendente. Há muitos anos que vôo e nunca tive nenhum acidente, nunca estive em risco. Sempre achei que o avião era o transporte mais seguro que a humanidade já conheceu.


De repente, o Brasil entra numa crise da qual ninguém sabia a causa
nem conseguia dar jeito. Foram seis meses de falta de rumo, até que finalmente se chegou a uma das causas, começou-se a tomar medidas de racionalização e, hoje, creio que o pior já passou. Estamos já em condições de voar em céu de brigadeiro, como se diz.”


( da redação com informações de assessoria)