Maranhão. José Sarney volta a se manifestar mas dessa vez é por obituário.
A Poítica Real está atenta.
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( Brasília-DF, 23/10/2007) A Política Real está atenta.
O senador José Sarney(PMDB-AP) sempre chama atenção, mesmo quando ele não busca as luzes. Na semana passada chamou atenção seus movimentos que foram melimetricamente obervados pelos repórteres da agência, em plenário.
Hoje ele voltou à cena mas foi por conta de obituário. Saudou a figura de José Aparecido de Oliveira, com teve bom trânsito além de terem trabalhado juntos.
Veja a íntegra da falação desta tarde:
“ Com a licença dos demais oradores inscritos, eu pedi a palavra porque ontem eu não me encontrava neste plenário, quando foi apresentado um pedido de voto de pesar pelo falecimento de José Aparecido de Oliveira. E hoje eu estou aqui não só para subscrever esse requerimento, como também para dizer que eu estou entre aqueles que devem receber pesar, porque fui, durante cinqüenta anos, seu amigo estreito; uma amizade de todos os dias, uma amizade que extrapolou a política para ser uma amizade pessoal, pela qual eu tinha – e tenho – um grande orgulho e uma grande satisfação.
Conheci José Aparecido de Oliveira em 1958, no Rio de Janeiro, quando ele era Secretário do então Deputado José Magalhães Pinto. Logo verificamos em José Aparecido de Oliveira uma liderança extraordinária, liderança que ele exerceu durante toda a sua vida, com a sua capacidade de conviver, o seu gosto de fazer amigos. Ele cultivava a amizade como se cultivam os campos e os jardins. Ele tinha essa capacidade de reunir em torno dele pessoas e, ao mesmo tempo, de dar o seu afeto, de extrapolar a sua estima a essas pessoas que ele conheceu.
Eu me lembro que, primeiro, entre os intelectuais do Rio de Janeiro daquele tempo, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Fernando Sabino, e, entre os políticos mais velhos, Milton Campos, Sobral Pinto e Niemeyer foram amigos íntimos de José Aparecido de Oliveira, como também ele teve uma posição destacada em 1960, na eleição do Presidente Jânio Quadros. Ele foi um homem articulador, durante aquele tempo. Eu participava também daquele grupo, com Seixas Dória, Clovis Costa, Edilson Távora e alguns outros deputados. Acompanhávamos o candidato a Presidente, pelo Brasil inteiro, e José Aparecido era, sem dúvida, o grande articulador, um dos maiores articuladores, que desenvolvia a sua ação em benefício da candidatura vitoriosa do Presidente Jânio Quadros. E foi Secretário do Presidente Jânio Quadros, durante o tempo – os seis meses – em que ele foi Presidente, também com uma atuação destacada, não somente como Secretário, mas como grande articulador político.
José Aparecido de Oliveira tinha também uma grande qualidade, a qualidade que ele tinha de, na diversidade, manter a unidade das amizades que fazia. Assim, ele foi um grande amigo também do Presidente Juscelino Kubitschek; foi amigo também do Presidente João Goulart; era um grande amigo do Presidente Tancredo Neves; foi – já não digo meu amigo dileto – quem convoquei para ser Governador de Brasília. Aqui ele teve uma administração que, sobretudo, desejava fosse caracterizada pela preservação da Capital, para que ela não fosse descaracterizada. Junto com Niemeyer, ele pôde justamente fazer esse trabalho, de tal modo que Brasília se transformou em Patrimônio da Humanidade.
José Aparecido tinha uma personalidade extraordinária. Talvez a sua personalidade fosse maior até do que todas as suas virtudes, porque se incluía entre elas; era um dos mecanismos em que ele exercia a sua virtude.
Foi Ministro de Estado, durante o tempo em que eu fui Presidente; foi Ministro da Cultura. Com ele mantive, durante toda a vida, uma estreita convivência; até os seus últimos dias, quase diariamente, tínhamos a oportunidade de falarmos e, ao mesmo tempo, de incentivá-lo a que encarasse a vida. E ele sempre teve essa qualidade, até o fim dos seus dias, de estar preocupado com o Brasil.
Esqueci-me de dizer que ele foi um dos amigos mais íntimos também do Presidente Itamar Franco, de quem foi Embaixador e por quem foi convidado para ser Ministro. Assim, José Aparecido conseguiu, justamente como eu disse, através das amizades, ser a grande personalidade que foi.
Mas eu ia dizendo que, até os últimos dias, ele estava preocupado com o Brasil. Ele era um ser político, que acompanhava tudo o que acontecia com o seu País, com a sua Pátria, com os fatos nacionais. Ele também era muito fiel às suas idéias. Era um homem que tinha as suas convicções e, por estas, ele foi vítima de uma das brutalidades, que foi a cassação do seu mandato e a sua exclusão da vida pública durante dez anos, que ele exerceu com uma dignidade absoluta, não saindo do Brasil, mas aqui vivendo e sofrendo aqueles dias.
Todos nós, como seus amigos, jamais o abandonamos ou deixamos de estar com ele e de ver o renascer, com a democracia, da sua carreira política, que se consagrou na governadoria de Brasília e, ao mesmo tempo, como Ministro de Estado.
Portanto, é com grande pesar que eu também quero me associar a essa manifestação do Senado. Sinto-me, de certa forma, igualmente recebendo os pêsames do Senado pela perda que o Brasil sofreu e que eu, como seu amigo, também sofri.
Posso confessar que eu também tenho esse gosto pela convivência, sei ter o amor pelas pessoas, sei prezar as amizades, sei respeitar a dignidade das pessoas e, portanto, é com esse sentimento que sinto a perda de um grande amigo.
Na minha idade, a gente já começa a falar muito sobre as despedidas, mas são despedidas e adeuses que marcaram a nossa vida e que, portanto, fazem parte dela.
Que Deus o tenha na sua glória, José Aparecido de Oliveira!”
( da redação com informações da taquigrafia da Câmara Federal)
O senador José Sarney(PMDB-AP) sempre chama atenção, mesmo quando ele não busca as luzes. Na semana passada chamou atenção seus movimentos que foram melimetricamente obervados pelos repórteres da agência, em plenário.
Hoje ele voltou à cena mas foi por conta de obituário. Saudou a figura de José Aparecido de Oliveira, com teve bom trânsito além de terem trabalhado juntos.
Veja a íntegra da falação desta tarde:
“ Com a licença dos demais oradores inscritos, eu pedi a palavra porque ontem eu não me encontrava neste plenário, quando foi apresentado um pedido de voto de pesar pelo falecimento de José Aparecido de Oliveira. E hoje eu estou aqui não só para subscrever esse requerimento, como também para dizer que eu estou entre aqueles que devem receber pesar, porque fui, durante cinqüenta anos, seu amigo estreito; uma amizade de todos os dias, uma amizade que extrapolou a política para ser uma amizade pessoal, pela qual eu tinha – e tenho – um grande orgulho e uma grande satisfação.
Conheci José Aparecido de Oliveira em 1958, no Rio de Janeiro, quando ele era Secretário do então Deputado José Magalhães Pinto. Logo verificamos em José Aparecido de Oliveira uma liderança extraordinária, liderança que ele exerceu durante toda a sua vida, com a sua capacidade de conviver, o seu gosto de fazer amigos. Ele cultivava a amizade como se cultivam os campos e os jardins. Ele tinha essa capacidade de reunir em torno dele pessoas e, ao mesmo tempo, de dar o seu afeto, de extrapolar a sua estima a essas pessoas que ele conheceu.
Eu me lembro que, primeiro, entre os intelectuais do Rio de Janeiro daquele tempo, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Fernando Sabino, e, entre os políticos mais velhos, Milton Campos, Sobral Pinto e Niemeyer foram amigos íntimos de José Aparecido de Oliveira, como também ele teve uma posição destacada em 1960, na eleição do Presidente Jânio Quadros. Ele foi um homem articulador, durante aquele tempo. Eu participava também daquele grupo, com Seixas Dória, Clovis Costa, Edilson Távora e alguns outros deputados. Acompanhávamos o candidato a Presidente, pelo Brasil inteiro, e José Aparecido era, sem dúvida, o grande articulador, um dos maiores articuladores, que desenvolvia a sua ação em benefício da candidatura vitoriosa do Presidente Jânio Quadros. E foi Secretário do Presidente Jânio Quadros, durante o tempo – os seis meses – em que ele foi Presidente, também com uma atuação destacada, não somente como Secretário, mas como grande articulador político.
José Aparecido de Oliveira tinha também uma grande qualidade, a qualidade que ele tinha de, na diversidade, manter a unidade das amizades que fazia. Assim, ele foi um grande amigo também do Presidente Juscelino Kubitschek; foi amigo também do Presidente João Goulart; era um grande amigo do Presidente Tancredo Neves; foi – já não digo meu amigo dileto – quem convoquei para ser Governador de Brasília. Aqui ele teve uma administração que, sobretudo, desejava fosse caracterizada pela preservação da Capital, para que ela não fosse descaracterizada. Junto com Niemeyer, ele pôde justamente fazer esse trabalho, de tal modo que Brasília se transformou em Patrimônio da Humanidade.
José Aparecido tinha uma personalidade extraordinária. Talvez a sua personalidade fosse maior até do que todas as suas virtudes, porque se incluía entre elas; era um dos mecanismos em que ele exercia a sua virtude.
Foi Ministro de Estado, durante o tempo em que eu fui Presidente; foi Ministro da Cultura. Com ele mantive, durante toda a vida, uma estreita convivência; até os seus últimos dias, quase diariamente, tínhamos a oportunidade de falarmos e, ao mesmo tempo, de incentivá-lo a que encarasse a vida. E ele sempre teve essa qualidade, até o fim dos seus dias, de estar preocupado com o Brasil.
Esqueci-me de dizer que ele foi um dos amigos mais íntimos também do Presidente Itamar Franco, de quem foi Embaixador e por quem foi convidado para ser Ministro. Assim, José Aparecido conseguiu, justamente como eu disse, através das amizades, ser a grande personalidade que foi.
Mas eu ia dizendo que, até os últimos dias, ele estava preocupado com o Brasil. Ele era um ser político, que acompanhava tudo o que acontecia com o seu País, com a sua Pátria, com os fatos nacionais. Ele também era muito fiel às suas idéias. Era um homem que tinha as suas convicções e, por estas, ele foi vítima de uma das brutalidades, que foi a cassação do seu mandato e a sua exclusão da vida pública durante dez anos, que ele exerceu com uma dignidade absoluta, não saindo do Brasil, mas aqui vivendo e sofrendo aqueles dias.
Todos nós, como seus amigos, jamais o abandonamos ou deixamos de estar com ele e de ver o renascer, com a democracia, da sua carreira política, que se consagrou na governadoria de Brasília e, ao mesmo tempo, como Ministro de Estado.
Portanto, é com grande pesar que eu também quero me associar a essa manifestação do Senado. Sinto-me, de certa forma, igualmente recebendo os pêsames do Senado pela perda que o Brasil sofreu e que eu, como seu amigo, também sofri.
Posso confessar que eu também tenho esse gosto pela convivência, sei ter o amor pelas pessoas, sei prezar as amizades, sei respeitar a dignidade das pessoas e, portanto, é com esse sentimento que sinto a perda de um grande amigo.
Na minha idade, a gente já começa a falar muito sobre as despedidas, mas são despedidas e adeuses que marcaram a nossa vida e que, portanto, fazem parte dela.
Que Deus o tenha na sua glória, José Aparecido de Oliveira!”
( da redação com informações da taquigrafia da Câmara Federal)