31 de julho de 2025

Maranhão. Deputado denuncia morte de novo “Chico Mendes”

A Poítica Real está atenta.

Publicado em
( Brasília-DF, 22/10/2007) A Política Real está atenta.

O deputado Domingos Dutra( PT-MA) foi hoje, no final da tarde, em comunicação parlamentar, no plenário Ulysses Guimarães da Câmara Federal, informar ao plenário e ao país a morte de um trabalhador maranhense que denunciava desmatamento.



Veja a íntegra da falação do deputado:

“ Sr. Presidente, retorno à tribuna, agora para lamentar e condenar o recrudescimento dos conflitos agrários no Brasil.

Na última sexta-feira, no Município de Viana, Estado do Maranhão, localizado a 210 quilômetros da Capital, São Luís, foi assassinado barbaramente com um tiro, pelas costas, o líder conhecido como Lourenço.

Lourenço vinha fazendo denúncias contra proprietários de terras que, de forma ilegal, praticavam desmatamento na região, tendo sido muitos deles multados pelo IBAMA.
Expresso minha solidariedade à família de Lourenço e solicito às autoridades da segurança pública do Maranhão que adotem medidas para elucidação do caso. Solidarizo-me ainda com Fred, ZéFoba, Domingos Gomes e Faustino, lideranças de Viana envolvidas na luta pela terra naquele município.

Viana é município antigo, tem várias comunidades quilombolas e remanescentes indígenas. Não se trata de invasão de terra e seus moradores vêm sendo vítimas de violência.

Registro ainda que ontem, no município de Santa Tereza do Oeste, a 540 quilômetros de Curitiba, houve um confronto entre trabalhadores rurais sem terra e jagunçosda multinacional Syngenta Seeds, no qual morreram duas pessoas. Foi assassinada a liderança do MST Valmir Motta de Oliveira, de 32 anos, conhecido como Keno, e, lamentavelmente, também morreu o segurança Fábio Ferreira, de 25 anos.
Lamentamos profundamente o acirramento dos conflitos e também a contratação, pelas empresas, de firmas de segurança, geralmente com jagunços, para confrontar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

Neste momento, encontra-se no Paraná o Deputado Assis do Couto, Vice-Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, membro do núcleo agrário e da bancada do PT, mediando o diálogo, visando a evitar o recrudescimento do conflito.

Sr. Presidente, num país com tanta terra como o nosso não há necessidade de haver derramamento de sangue. Não há necessidade de pessoas morrerem na luta por um pedaço de terra. É preciso que as grandes empresas e os latifundiários entendam que neste País cabem os atuais 187 milhões de brasileiros. Não há sentido em alguns se considerarem mais brasileiros que outros, achando que podem ter 100 mil hectares de terra, enquanto outros brasileiros têm de morar debaixo de pontes, em favelas e em beira de estradas.

É preciso o entendimento de que este País é de todos nós e de que o art. 5º da

Constituição estabelece que o acesso à terra é um direito individual para todos os brasileiros e não apenas para uma minoria. É incompreensível que pessoas matem e morram na luta por um pedaço de terra.

Nós aqui solicitamos ao Governo Federal; ao Governo do Presidente Lula, que tem avançado; ao Ministro da Reforma Agrária; ao Presidenta do INCRA; ao Governo do Paraná Roberto Requião, que sempre teve uma postura progressista diante dos conflitos de terra, primeiro, que investiguem imediatamente as circunstâncias em que se deu esse confronto no Paraná, em Santa Tereza do Oeste, que adotem providências para desarmar as milícias e que avancem no processo de reforma agrária.

E desejo que, neste século, avancemos de tal forma que não vejamos brasileiros e brasileiras morrendo, derramando sangue por um pedaço de terra num País continental com terras vastas e suficientes para garantir a cada brasileiro um pedaço de terra para morar e trabalhar.

Portanto, deixo aqui as minhas preocupações, o meu registro, o apelo ao Governo Federal e às autoridades estaduais, tanto do Estado do Maranhão quanto do Estado do Paraná, para que não deixem mais esse crime impune.

Muito obrigado.”

( da redação com informações de taquigrafia da Câmara Federal)