Rio Grande do Norte. Garibaldi Alves anuncia resultados de pesquisa sobre desencanto dos jovens com os políticos.
Presidenciável disse que não comenta sucessão de Renan e se disse impressionado.
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( Brasília-DF, 22/10/2007) A Política Real está atenta.
O senador Garibaldi Alves Filho(PMDB-RN), tido e havido como um dos presidenciáveis no caso da renúncìa do senador Renan Calheiros( PMDB-AL) disse hoje em plenário que não quer comentar sucessão e preferíu se indignar com os resultados de pesquisa publicada por jornal potihguar que destaca o desencanto dos jovens com os políticos. Segundo a pesquisa, mais de 76% dos jovens universitários de Natal não acreditam nos políticos.
“ Os jovens não acreditam na política e a situação é a seguinte, segundo uma pesquisa realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, minha cidade, Sr. Presidente: 68,17% dos universitários ouvidos pela Consult/Tribuna do Norte ainda acreditam no Brasil, mas apenas a longo prazo; 76,33% não acreditam nos políticos nacionais – 76,33%!
Senador Paulo Paim, 73,33% não acreditam nos políticos locais, e aqui estou incluído, inevitavelmente, porque sou um dos políticos locais. Impressiona-me! Isso deve levar a uma reflexão.”
Ele foi aparteado pelo senado Paulo Paim) PT=RS).
Veja a íntegra da falação:
Veja a íntegra da falação do senador Garibaldi Alves:
“ Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, sei que hoje, no Senado Federal – e com muita razão -, os seus componentes estão preocupados com duas coisas. A primeira delas é a CPMF, uns acreditando que a sua prorrogação é necessária e outros, oposicionistas, acreditando que a sua prorrogação já não é mais viável.
Considero legítimo, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, que todos estejamos, diante desses dois temas, preocupados para que o debate possa ser o mais construtivo, o mais objetivo, e para que venha a esclarecer, para todos os brasileiros, o que significa para a Nação a prorrogação desse imposto, dessa contribuição sobre a movimentação financeira. Mas eu não vou entrar, hoje, no mérito dessa discussão, como também não vou entrar no mérito da outra discussão sobre a sucessão que poderá acontecer, com a eleição de um novo Presidente, se o Senador Renan Calheiros não voltar à Presidência do Congresso Nacional, aliás, do Senado Federal.
Não vou entrar no mérito, Sr. Presidente, porque vou, aqui, pensar mais adiante. Vou-me voltar para uma pesquisa, para um trabalho que foi feito no País inteiro e no meu Estado, que mostrou que os jovens estão absolutamente descrentes do futuro político do nosso País.
Os jovens não estão querendo tirar o seu título de eleitor aos 16 anos porque não acreditam que aquele título, tão decantado como uma arma fundamental para todo brasileiro, tenha esse efeito, tenha esse condão e que possa modificar os rumos da vida do nosso País.
Ora, Srªs e Srs. Senadores, que País é este em que os jovens não se sentem atraídos pela política nem mesmo para serem eleitores, quanto mais para serem candidatos? Os jovens estão dizendo, como disseram nessa pesquisa, que uma apatia toma conta do País.
Os jovens não acreditam na política e a situação é a seguinte, segundo uma pesquisa realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, minha cidade, Sr. Presidente: 68,17% dos universitários ouvidos pela Consult/Tribuna do Norte ainda acreditam no Brasil, mas apenas a longo prazo; 76,33% não acreditam nos políticos nacionais – 76,33%!
Senador Paulo Paim, 73,33% não acreditam nos políticos locais, e aqui estou incluído, inevitavelmente, porque sou um dos políticos locais. Impressiona-me! Isso deve levar a uma reflexão.
O Tribunal Superior Eleitoral já iniciou um trabalho, uma campanha de marketing, para que os jovens tirem o primeiro título, porque não estão tirando o título de eleitor. Duvido que um jovem, ao completar 18 anos, não vá procurar o Detran da sua cidade para tirar a carteira de motorista, mas tirar o titulo de eleitor, não. “Para quê?” Dizem eles: “Para quê?” Aqui está a pesquisa. “Para que tirar o título de eleitor? Só porque é obrigatório? “Sinceramente, foi minha mãe” – diz uma jovem chamada Elaine, de 18 anos – “quem mandou eu tirar o título, porque é obrigatório, porque não faz a menor diferença em minha vida. Não acredito no futuro do Brasil e sinto que, a cada dia, piora mais.”. Larissa, também de 18 anos, não acredita que o Brasil possa mudar: “Na verdade, eu não acredito nos políticos. Eles mentem demais. Eu tirei meu título, porque é obrigado, mesmo.”.
Sr. Presidente, isso não nos pode levar ao conformismo. Os políticos não podem pensar:
“Não, eles estão dizendo isso, mas, na véspera da eleição, eles vão lá tirar o título e vão votar em um candidato.”. Não sei. Sinceramente, não sei. Antigamente, era assim, mas hoje não é. Hoje, os jovens que estão aí já foram aqueles que fizeram a luta armada contra a ditadura, foram aqueles que pintaram a cara e foram às ruas para derrubar o Presidente da República, no caso, o atual Senador Fernando Collor.
Não, Sr. Presidente, essa é uma situação que não permite que possamos ser indiferentes, displicentes. E eu dou um aparte, com muita satisfação, ao Senador Paulo Paim.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Senador Garibaldi Alves, faço um aparte a V.Exª, primeiro, cumprimentando-o pelo seu pronunciamento, que toca nessa questão da nossa juventude. Como V. Exª dizia, poderíamos lembrar dos “caras pintadas” de ontem, poderíamos lembrar dos “caras pintadas” de anteontem nas Diretas Já. Sem sombra de dúvida, o pronunciamento de V. Exª toca numa questão fundamental porque a juventude é o futuro da Nação. Eles serão os dirigentes do País no amanhã. Esse debate da participação dos jovens na política é fundamental. Confesso a V. Exª que fiquei feliz porque o Colégio Julinho, um dos colégios mais combativos, na linha do que V. Exª fala, dos jovens rebeldes, que moldaram a história – no Rio Grande do Sul, muitos passaram por ali – vai patrocinar um debate na próxima quinta-feira à tarde para o qual fui convidado e cujo tema será política, ética e paz. Vai ser o momento de mostrarmos a importância da participação política da nossa juventude. A Ubra também está fazendo, numa série de universidades do Rio Grande do Sul, esse tipo de debate para incentivar a juventude – não só na universidade, mas também a do chamado 1º e 2º Graus – a cada vez mais interagir com a política. Por isso que, nesse momento, o alerta de V. Exª, um político respeitado em todo o País, é fundamental para que o jovem perceba que ele não pode deixar de participar ativamente da vida política do país. Por que não lembrar que muitos de nós que estamos aqui hoje passamos pelos grêmios estudantis, nos DCEs. Participamos e aquela participação foi fundamental para que estivéssemos aqui hoje.
Por isto, cumprimento V. Exª, porque entendo que seu pronunciamento – repito, um dos políticos mais respeitados neste País – incentiva a juventude a participar desse debate, o debate do amanhã, do futuro, dos nossos netos, enfim, das gerações vindouras. Parabéns a V. Exª.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB – RN) – Agradeço a V. Exª Senador Paulo Paim. Ainda bem que V. Exª vai para esse debate; sei que os políticos vão ser muito bem representados por V. Exª. V. Exª sabe que nós não podemos nos deixar abater por conta desta situação que enfrentamos. Afinal de contas, os jovens estão caindo numa tentação de generalizar as coisas. Eles poderiam se mostrar mais argutos no sentido de realmente apontar aqueles que são os verdadeiros culpados por este descrédito que toma conta da Nação. Mas o jovem tem a tendência, às vezes, de generalizar, e aí confunde-se o joio com o trigo e não há nenhuma exceção, nenhuma reparação a fazer. Daí por que Sr. Presidente, faço um apelo aos jovens para que eles façam como esses jovens do Colégio Juninho.
Creio que tivemos aqui a presença de alguns estudantes desse colégio. Não sei se eram exatamente aqueles estudantes que estavam reunidos com V. Exª os estudantes desse colégio.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Nesse caso especifico, o Colégio Julinho é no Rio Grande do Sul – na capital de Porto Alegre. Por lá passaram inúmeros políticos que marcaram a história do Rio Grande; mas não quer dizer que não tenhamos outros colégios como aqui em Brasília. Por exemplo, eu participei de diversos debates nessa ótica da política da ética aqui na UNB.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB – RN) – Percebo, então, que é no Rio Grande do Sul; e que bom, porque o Rio Grande do Sul é ainda uma terra, um Estado, em que não apenas os jovens mas até mesmo os mais velhos acreditam na política, nos políticos e nos partidos. Há, realmente, por parte do rio-grandense-do-sul um apego muito grande aos partidos. Creio que o Senador Paulo Paim vai concordar comigo, S. Exª que é participante e testemunha de tudo isto que eu estou dizendo.
Sr. Presidente, a psicóloga Elza Dutra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, afirma, Senador Mão Santa, que esse resultado é um alerta para que os políticos prestem atenção. “Embora não exista nenhuma revolta aparente, as coisas vão mudar em algum momento. Esses jovens, em breve, estarão no mercado de trabalho ou na carreira política, e sabem que não podem mais continuar assim”.
Para a psicóloga, a falta de esperança no futuro do País reflete na falta de esperança que os jovens sentem em relação aos planos futuros.
“Fico muito preocupada ao saber de um resultado como esse e percebo que a ética está invertida. Isso influencia diretamente no comportamento das pessoas”.
Sr. Presidente, o que dizer mais? Fernanda Azevedo, 18 anos, estudante de Direito, “Acredito que o País pode mudar de outras maneiras, mas não acredito que a corrupção tenha fim, isso seria pensar utopicamente. A sociedade, um dia, vai se mobilizar e se libertar disso, porque ainda acredito no Brasil solidário”.
Está aí, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, um alerta. Para mim, isso aqui é um libelo.
Nunca se fez uma acusação tão contundente ao comportamento dos políticos, como essas que os jovens estão fazendo.
Quando penso que o mais se dizia por este Brasil afora era que o título de eleitor era a maior arma de que o cidadão dispunha e que tornava iguais todos os homens e todas as mulheres porque, afinal de contas, os homens e as mulheres vivem cada um a sua vida, as suas diferenças, as suas divergências, mas há uma coisa que os faz iguais: o voto.
O voto do Presidente da República é igual ao voto do mais humilde eleitor do Brasil. Hoje os jovens voltam as costas para a possibilidade de influenciar e participar da vida política brasileira. Creio que nada mais importante do que fazer hoje como se faz no Rio Grande do Sul, debater com os jovens e dizer a eles que o caminho não é o caminho da descrença e da desilusão. Os jovens precisam tirar seu título e acreditar que, para mudar, nada mais eficiente, nada mais digno do que mudar por meio do voto, por meio da democracia, por meio da liberdade de expressão.
Sr. Presidente, ouçamos os jovens. Eles estão dizendo o que esta Nação precisa ouvir, sobretudo seus políticos, que somos nós. Eles não estão falando no deserto, estão falando de nós, e nós precisamos dizer a eles: vamos mudar este País. Este País é nosso, vai ser construído com o nosso voto, com a nossa participação.
Muito obrigado, Sr. Presidente.”
( da redação com informações da taquigrafia do Senado Federal)
O senador Garibaldi Alves Filho(PMDB-RN), tido e havido como um dos presidenciáveis no caso da renúncìa do senador Renan Calheiros( PMDB-AL) disse hoje em plenário que não quer comentar sucessão e preferíu se indignar com os resultados de pesquisa publicada por jornal potihguar que destaca o desencanto dos jovens com os políticos. Segundo a pesquisa, mais de 76% dos jovens universitários de Natal não acreditam nos políticos.
“ Os jovens não acreditam na política e a situação é a seguinte, segundo uma pesquisa realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, minha cidade, Sr. Presidente: 68,17% dos universitários ouvidos pela Consult/Tribuna do Norte ainda acreditam no Brasil, mas apenas a longo prazo; 76,33% não acreditam nos políticos nacionais – 76,33%!
Senador Paulo Paim, 73,33% não acreditam nos políticos locais, e aqui estou incluído, inevitavelmente, porque sou um dos políticos locais. Impressiona-me! Isso deve levar a uma reflexão.”
Ele foi aparteado pelo senado Paulo Paim) PT=RS).
Veja a íntegra da falação:
Veja a íntegra da falação do senador Garibaldi Alves:
“ Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, sei que hoje, no Senado Federal – e com muita razão -, os seus componentes estão preocupados com duas coisas. A primeira delas é a CPMF, uns acreditando que a sua prorrogação é necessária e outros, oposicionistas, acreditando que a sua prorrogação já não é mais viável.
Considero legítimo, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, que todos estejamos, diante desses dois temas, preocupados para que o debate possa ser o mais construtivo, o mais objetivo, e para que venha a esclarecer, para todos os brasileiros, o que significa para a Nação a prorrogação desse imposto, dessa contribuição sobre a movimentação financeira. Mas eu não vou entrar, hoje, no mérito dessa discussão, como também não vou entrar no mérito da outra discussão sobre a sucessão que poderá acontecer, com a eleição de um novo Presidente, se o Senador Renan Calheiros não voltar à Presidência do Congresso Nacional, aliás, do Senado Federal.
Não vou entrar no mérito, Sr. Presidente, porque vou, aqui, pensar mais adiante. Vou-me voltar para uma pesquisa, para um trabalho que foi feito no País inteiro e no meu Estado, que mostrou que os jovens estão absolutamente descrentes do futuro político do nosso País.
Os jovens não estão querendo tirar o seu título de eleitor aos 16 anos porque não acreditam que aquele título, tão decantado como uma arma fundamental para todo brasileiro, tenha esse efeito, tenha esse condão e que possa modificar os rumos da vida do nosso País.
Ora, Srªs e Srs. Senadores, que País é este em que os jovens não se sentem atraídos pela política nem mesmo para serem eleitores, quanto mais para serem candidatos? Os jovens estão dizendo, como disseram nessa pesquisa, que uma apatia toma conta do País.
Os jovens não acreditam na política e a situação é a seguinte, segundo uma pesquisa realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, minha cidade, Sr. Presidente: 68,17% dos universitários ouvidos pela Consult/Tribuna do Norte ainda acreditam no Brasil, mas apenas a longo prazo; 76,33% não acreditam nos políticos nacionais – 76,33%!
Senador Paulo Paim, 73,33% não acreditam nos políticos locais, e aqui estou incluído, inevitavelmente, porque sou um dos políticos locais. Impressiona-me! Isso deve levar a uma reflexão.
O Tribunal Superior Eleitoral já iniciou um trabalho, uma campanha de marketing, para que os jovens tirem o primeiro título, porque não estão tirando o título de eleitor. Duvido que um jovem, ao completar 18 anos, não vá procurar o Detran da sua cidade para tirar a carteira de motorista, mas tirar o titulo de eleitor, não. “Para quê?” Dizem eles: “Para quê?” Aqui está a pesquisa. “Para que tirar o título de eleitor? Só porque é obrigatório? “Sinceramente, foi minha mãe” – diz uma jovem chamada Elaine, de 18 anos – “quem mandou eu tirar o título, porque é obrigatório, porque não faz a menor diferença em minha vida. Não acredito no futuro do Brasil e sinto que, a cada dia, piora mais.”. Larissa, também de 18 anos, não acredita que o Brasil possa mudar: “Na verdade, eu não acredito nos políticos. Eles mentem demais. Eu tirei meu título, porque é obrigado, mesmo.”.
Sr. Presidente, isso não nos pode levar ao conformismo. Os políticos não podem pensar:
“Não, eles estão dizendo isso, mas, na véspera da eleição, eles vão lá tirar o título e vão votar em um candidato.”. Não sei. Sinceramente, não sei. Antigamente, era assim, mas hoje não é. Hoje, os jovens que estão aí já foram aqueles que fizeram a luta armada contra a ditadura, foram aqueles que pintaram a cara e foram às ruas para derrubar o Presidente da República, no caso, o atual Senador Fernando Collor.
Não, Sr. Presidente, essa é uma situação que não permite que possamos ser indiferentes, displicentes. E eu dou um aparte, com muita satisfação, ao Senador Paulo Paim.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Senador Garibaldi Alves, faço um aparte a V.Exª, primeiro, cumprimentando-o pelo seu pronunciamento, que toca nessa questão da nossa juventude. Como V. Exª dizia, poderíamos lembrar dos “caras pintadas” de ontem, poderíamos lembrar dos “caras pintadas” de anteontem nas Diretas Já. Sem sombra de dúvida, o pronunciamento de V. Exª toca numa questão fundamental porque a juventude é o futuro da Nação. Eles serão os dirigentes do País no amanhã. Esse debate da participação dos jovens na política é fundamental. Confesso a V. Exª que fiquei feliz porque o Colégio Julinho, um dos colégios mais combativos, na linha do que V. Exª fala, dos jovens rebeldes, que moldaram a história – no Rio Grande do Sul, muitos passaram por ali – vai patrocinar um debate na próxima quinta-feira à tarde para o qual fui convidado e cujo tema será política, ética e paz. Vai ser o momento de mostrarmos a importância da participação política da nossa juventude. A Ubra também está fazendo, numa série de universidades do Rio Grande do Sul, esse tipo de debate para incentivar a juventude – não só na universidade, mas também a do chamado 1º e 2º Graus – a cada vez mais interagir com a política. Por isso que, nesse momento, o alerta de V. Exª, um político respeitado em todo o País, é fundamental para que o jovem perceba que ele não pode deixar de participar ativamente da vida política do país. Por que não lembrar que muitos de nós que estamos aqui hoje passamos pelos grêmios estudantis, nos DCEs. Participamos e aquela participação foi fundamental para que estivéssemos aqui hoje.
Por isto, cumprimento V. Exª, porque entendo que seu pronunciamento – repito, um dos políticos mais respeitados neste País – incentiva a juventude a participar desse debate, o debate do amanhã, do futuro, dos nossos netos, enfim, das gerações vindouras. Parabéns a V. Exª.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB – RN) – Agradeço a V. Exª Senador Paulo Paim. Ainda bem que V. Exª vai para esse debate; sei que os políticos vão ser muito bem representados por V. Exª. V. Exª sabe que nós não podemos nos deixar abater por conta desta situação que enfrentamos. Afinal de contas, os jovens estão caindo numa tentação de generalizar as coisas. Eles poderiam se mostrar mais argutos no sentido de realmente apontar aqueles que são os verdadeiros culpados por este descrédito que toma conta da Nação. Mas o jovem tem a tendência, às vezes, de generalizar, e aí confunde-se o joio com o trigo e não há nenhuma exceção, nenhuma reparação a fazer. Daí por que Sr. Presidente, faço um apelo aos jovens para que eles façam como esses jovens do Colégio Juninho.
Creio que tivemos aqui a presença de alguns estudantes desse colégio. Não sei se eram exatamente aqueles estudantes que estavam reunidos com V. Exª os estudantes desse colégio.
O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT – RS) – Nesse caso especifico, o Colégio Julinho é no Rio Grande do Sul – na capital de Porto Alegre. Por lá passaram inúmeros políticos que marcaram a história do Rio Grande; mas não quer dizer que não tenhamos outros colégios como aqui em Brasília. Por exemplo, eu participei de diversos debates nessa ótica da política da ética aqui na UNB.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB – RN) – Percebo, então, que é no Rio Grande do Sul; e que bom, porque o Rio Grande do Sul é ainda uma terra, um Estado, em que não apenas os jovens mas até mesmo os mais velhos acreditam na política, nos políticos e nos partidos. Há, realmente, por parte do rio-grandense-do-sul um apego muito grande aos partidos. Creio que o Senador Paulo Paim vai concordar comigo, S. Exª que é participante e testemunha de tudo isto que eu estou dizendo.
Sr. Presidente, a psicóloga Elza Dutra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, afirma, Senador Mão Santa, que esse resultado é um alerta para que os políticos prestem atenção. “Embora não exista nenhuma revolta aparente, as coisas vão mudar em algum momento. Esses jovens, em breve, estarão no mercado de trabalho ou na carreira política, e sabem que não podem mais continuar assim”.
Para a psicóloga, a falta de esperança no futuro do País reflete na falta de esperança que os jovens sentem em relação aos planos futuros.
“Fico muito preocupada ao saber de um resultado como esse e percebo que a ética está invertida. Isso influencia diretamente no comportamento das pessoas”.
Sr. Presidente, o que dizer mais? Fernanda Azevedo, 18 anos, estudante de Direito, “Acredito que o País pode mudar de outras maneiras, mas não acredito que a corrupção tenha fim, isso seria pensar utopicamente. A sociedade, um dia, vai se mobilizar e se libertar disso, porque ainda acredito no Brasil solidário”.
Está aí, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, um alerta. Para mim, isso aqui é um libelo.
Nunca se fez uma acusação tão contundente ao comportamento dos políticos, como essas que os jovens estão fazendo.
Quando penso que o mais se dizia por este Brasil afora era que o título de eleitor era a maior arma de que o cidadão dispunha e que tornava iguais todos os homens e todas as mulheres porque, afinal de contas, os homens e as mulheres vivem cada um a sua vida, as suas diferenças, as suas divergências, mas há uma coisa que os faz iguais: o voto.
O voto do Presidente da República é igual ao voto do mais humilde eleitor do Brasil. Hoje os jovens voltam as costas para a possibilidade de influenciar e participar da vida política brasileira. Creio que nada mais importante do que fazer hoje como se faz no Rio Grande do Sul, debater com os jovens e dizer a eles que o caminho não é o caminho da descrença e da desilusão. Os jovens precisam tirar seu título e acreditar que, para mudar, nada mais eficiente, nada mais digno do que mudar por meio do voto, por meio da democracia, por meio da liberdade de expressão.
Sr. Presidente, ouçamos os jovens. Eles estão dizendo o que esta Nação precisa ouvir, sobretudo seus políticos, que somos nós. Eles não estão falando no deserto, estão falando de nós, e nós precisamos dizer a eles: vamos mudar este País. Este País é nosso, vai ser construído com o nosso voto, com a nossa participação.
Muito obrigado, Sr. Presidente.”
( da redação com informações da taquigrafia do Senado Federal)