Nordeste e o Meio Ambiente. Sarney Filho fala pelo PV, destaca Prêmio Nobel e diz que falta muito a fazer.
A Política Real está atenta.
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( Brasília-DF, 16/10/2007) A Política Real teve acesso. O deputado Sarney Filho(MA), líder do PV na Câmara Federal, foi à tribuna do plenário Ulysses Guimarães informar o posicionamento de seu partido sobre o Nobel concedido ao ex-presidente dos EUA, Al Gore, assim como ao IPCC das Nações Unidas, a partir dos alertas do aquecimento global. Ele falou durante a ordem do dia, no final da tarde deste horário de verão aqui na Capital Federal.
Disse que apesar da satisfação de ver a disposição de alerta ser coroada destacou o fato de no Brasil o maior mal está ajustado ao desmantamento, enquanto no chamado mundo desenvolvido os males do aquecimento estão ligados à poluição química. Ele fez questão de salientar que este era um momento de alertar o parlamento:
- O Prêmio Nobel não é consolo para quem se vê, finalmente, compreendido. É, na verdade, o reconhecimento mundial pelo trabalho de alguém que não teve medo de se expor, de todas as formas, por muitos anos. A partilha do Prêmio com o IPCC reforça esse reconhecimento, considerando a seriedade dessa instituição, como bem diz o editorial do O Globo de hoje: Gore, o comunicador, a despertar a consciência do mundo. E o IPCC, que trabalha para produzir diagnósticos e indicar tratamentos.
E ele disse mais.
Veja a íntegra da fala do deputado Sarney Filho(MA), líder do PV na Câmara Federal:
“ Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou ler a Nota do Partido Verde ao Congresso e ao povo brasileiro:
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o anúncio do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, em conjunto com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, das Nações Unidas — IPPC — provoca algumas reflexões que a bancada e o Partido Verde como um todo considera oportuno partilhar com os parlamentares dessa Casa e com a sociedade brasileira.
Pensemos, primeiramente, que o prêmio foi concedido a um político, que já foi inclusive candidato à Presidência dos Estados Unidos.
Em segundo lugar, foi concedido a um precursor, digamos, profeta. Em 1982, quando quase ninguém no mundo falava sobre o aquecimento global, exceto alguns cientistas, o então Deputado Gore organizou o primeiro debate parlamentar sobre o tema. Foi ridicularizado por muitos, mas nunca desistiu do papel, tão antipático, de alertar para uma realidade que poucos queriam ver. E, pasmem, AINDA NÃO QUEREM VER. Ver a realidade obriga a tomar providências e atitudes desconfortáveis. Obriga os verdadeiros estadistas a adotarem medidas impopulares. Obriga a sociedade a alterar seus padrões de consumo. Obriga cada um de nós a repensar hábitos, rotinas, planejamento...
E nos obriga todos nós, brasileiros, a voltar os olhos para a contribuição que damos à situação tão difundida pelo agora Prêmio Nobel da Paz: o aquecimento global.
Nós contribuímos para agravar o efeito estufa. O Brasil está num incômodo 4º lugar em termos de contribuição do efeito estufa.
Devido a indústrias poluentes? Não. Quase que exclusivamente graças ao desmatamento, queimadas e incêndios das nossas florestas, o que representa 75% da nossa contribuição ao efeito estufa. Entre desmatamento, especialmente para ampliação de fronteiras pecuárias e agrícolas, queimadas e incêndios florestais, o Brasil perde o nosso maior patrimônio no atual contexto global: as florestas, estoques de carbono e fundamentais para a prestação dos serviços ambientais que os biomas prestam, além da biodiversidade, que destruímos sem nem mesmo utilizarmos seu potencial econômico.
Foi publicado hoje, pelo Correio Braziliense, que só no Estado do Mato Grosso, o desmatamento cresceu 107% somente entre junho e setembro deste ano, segundo dados do próprio Governo.
Quando o Partido Verde foi criado na Austrália, em 1972, foi considerado um bando de sonhadores. No Brasil, sua criação, em 1986, não foi muito melhor recebida.
Hoje, os alertas, as campanhas, as mobilizações mostram, infelizmente, sua razão de ser. Gostaríamos de estar errados. Com certeza, Al Gore também gostaria. Infelizmente, nós, do Partido verde, na intransigente defesa da sobrevivência, com qualidade, da espécie humana, e a busca da harmonização com todas as formas de vida, vemos, com tristeza, nossos piores temores se concretizarem.
O Prêmio Nobel não é consolo para quem se vê, finalmente, compreendido. É, na verdade, o reconhecimento mundial pelo trabalho de alguém que não teve medo de se expor, de todas as formas, por muitos anos. A partilha do Prêmio com o IPCC reforça esse reconhecimento, considerando a seriedade dessa instituição, como bem diz o editorial do O Globo de hoje: Gore, o comunicador, a despertar a consciência do mundo. E o IPCC, que trabalha para produzir diagnósticos e indicar tratamentos.
Por esse motivo, o Partido Verde vem à tribuna e a público para cumprimentar Al Gore e os membros do IPCC no sentido de pedir, mais uma vez, que todos os atores, governamentais e não-governamentais, tomem as atitudes necessárias, em respeito à sociedade como um todo, a decisão de declarar o desmatamento zero na Amazônia e que imediatamente assumamos metas voluntárias de redução das nossas emissões para que o mundo tenha um futuro melhor.
Sr. Presidente, aproveito ainda para dizer que estou dando entrada em requerimento, assinado pela bancada do PV e pelas Lideranças aqui presentes, da Oposição e do Governo, solicitando voto de louvor em homenagem ao Sr. Al Gore.
Por outro lado, amigos e amigas, caros colegas Deputados, esse prêmio, mais do que uma homenagem, é um alerta: o mundo caminha para sua insustentabilidade. Ou nós tomamos providências agora para evitar que o pior aconteça, ou, então, amanhã, não somente a qualidade de vida de nossos filhos e netos estará ameaça, mas também a própria vida do planeta Terra.
Muito obrigado.
( da redação com taquigrafia da Câmara Federal)
Disse que apesar da satisfação de ver a disposição de alerta ser coroada destacou o fato de no Brasil o maior mal está ajustado ao desmantamento, enquanto no chamado mundo desenvolvido os males do aquecimento estão ligados à poluição química. Ele fez questão de salientar que este era um momento de alertar o parlamento:
- O Prêmio Nobel não é consolo para quem se vê, finalmente, compreendido. É, na verdade, o reconhecimento mundial pelo trabalho de alguém que não teve medo de se expor, de todas as formas, por muitos anos. A partilha do Prêmio com o IPCC reforça esse reconhecimento, considerando a seriedade dessa instituição, como bem diz o editorial do O Globo de hoje: Gore, o comunicador, a despertar a consciência do mundo. E o IPCC, que trabalha para produzir diagnósticos e indicar tratamentos.
E ele disse mais.
Veja a íntegra da fala do deputado Sarney Filho(MA), líder do PV na Câmara Federal:
“ Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou ler a Nota do Partido Verde ao Congresso e ao povo brasileiro:
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o anúncio do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, em conjunto com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, das Nações Unidas — IPPC — provoca algumas reflexões que a bancada e o Partido Verde como um todo considera oportuno partilhar com os parlamentares dessa Casa e com a sociedade brasileira.
Pensemos, primeiramente, que o prêmio foi concedido a um político, que já foi inclusive candidato à Presidência dos Estados Unidos.
Em segundo lugar, foi concedido a um precursor, digamos, profeta. Em 1982, quando quase ninguém no mundo falava sobre o aquecimento global, exceto alguns cientistas, o então Deputado Gore organizou o primeiro debate parlamentar sobre o tema. Foi ridicularizado por muitos, mas nunca desistiu do papel, tão antipático, de alertar para uma realidade que poucos queriam ver. E, pasmem, AINDA NÃO QUEREM VER. Ver a realidade obriga a tomar providências e atitudes desconfortáveis. Obriga os verdadeiros estadistas a adotarem medidas impopulares. Obriga a sociedade a alterar seus padrões de consumo. Obriga cada um de nós a repensar hábitos, rotinas, planejamento...
E nos obriga todos nós, brasileiros, a voltar os olhos para a contribuição que damos à situação tão difundida pelo agora Prêmio Nobel da Paz: o aquecimento global.
Nós contribuímos para agravar o efeito estufa. O Brasil está num incômodo 4º lugar em termos de contribuição do efeito estufa.
Devido a indústrias poluentes? Não. Quase que exclusivamente graças ao desmatamento, queimadas e incêndios das nossas florestas, o que representa 75% da nossa contribuição ao efeito estufa. Entre desmatamento, especialmente para ampliação de fronteiras pecuárias e agrícolas, queimadas e incêndios florestais, o Brasil perde o nosso maior patrimônio no atual contexto global: as florestas, estoques de carbono e fundamentais para a prestação dos serviços ambientais que os biomas prestam, além da biodiversidade, que destruímos sem nem mesmo utilizarmos seu potencial econômico.
Foi publicado hoje, pelo Correio Braziliense, que só no Estado do Mato Grosso, o desmatamento cresceu 107% somente entre junho e setembro deste ano, segundo dados do próprio Governo.
Quando o Partido Verde foi criado na Austrália, em 1972, foi considerado um bando de sonhadores. No Brasil, sua criação, em 1986, não foi muito melhor recebida.
Hoje, os alertas, as campanhas, as mobilizações mostram, infelizmente, sua razão de ser. Gostaríamos de estar errados. Com certeza, Al Gore também gostaria. Infelizmente, nós, do Partido verde, na intransigente defesa da sobrevivência, com qualidade, da espécie humana, e a busca da harmonização com todas as formas de vida, vemos, com tristeza, nossos piores temores se concretizarem.
O Prêmio Nobel não é consolo para quem se vê, finalmente, compreendido. É, na verdade, o reconhecimento mundial pelo trabalho de alguém que não teve medo de se expor, de todas as formas, por muitos anos. A partilha do Prêmio com o IPCC reforça esse reconhecimento, considerando a seriedade dessa instituição, como bem diz o editorial do O Globo de hoje: Gore, o comunicador, a despertar a consciência do mundo. E o IPCC, que trabalha para produzir diagnósticos e indicar tratamentos.
Por esse motivo, o Partido Verde vem à tribuna e a público para cumprimentar Al Gore e os membros do IPCC no sentido de pedir, mais uma vez, que todos os atores, governamentais e não-governamentais, tomem as atitudes necessárias, em respeito à sociedade como um todo, a decisão de declarar o desmatamento zero na Amazônia e que imediatamente assumamos metas voluntárias de redução das nossas emissões para que o mundo tenha um futuro melhor.
Sr. Presidente, aproveito ainda para dizer que estou dando entrada em requerimento, assinado pela bancada do PV e pelas Lideranças aqui presentes, da Oposição e do Governo, solicitando voto de louvor em homenagem ao Sr. Al Gore.
Por outro lado, amigos e amigas, caros colegas Deputados, esse prêmio, mais do que uma homenagem, é um alerta: o mundo caminha para sua insustentabilidade. Ou nós tomamos providências agora para evitar que o pior aconteça, ou, então, amanhã, não somente a qualidade de vida de nossos filhos e netos estará ameaça, mas também a própria vida do planeta Terra.
Muito obrigado.
( da redação com taquigrafia da Câmara Federal)