Nordeste e Agronegócio. Audiência Pública sobre ovino-caprinocultura analisou o setor.
Existe uma grande expectativa de crescimento e expansão da atividade de criação de cabras e ovelhas no País, principalmente no semi-árido nordestino, afirmou Jusmari Oliveira(PR-BA) Coordenador Nordeste da Cna, esteve no evento.
( Brasília,DF,25/09/2007) A Política Real acompanhou. Sem dúvida alguma, o churrasquinho de carneiro ou ovelha que grande parte da população brasileira come, fica mais gostoso quando se têm certeza que a carne foi produzida com segurança.
Preocupada com esta e outras situações, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, da Câmara realizou audiência pública, nesta quarta-feira, 25, por solicitação da deputada Jusmari Oliveira(PR-BA), onde foi discutida a situação da cadeia produtiva da caprinocultura e ovinocultura brasileira, sua estagnação e quais os mecanismos de incentivo para os produtores.
A parlamentar baiana ressaltou que existe uma grande expectativa de crescimento e expansão da atividade de criação de cabras e ovelhas no País, com potencial de se alcançar em poucos mais de três anos um dos maiores rebanhos comerciais do mundo. Principalmente no nordeste, com o apoio da Embrapa e Sebrae.
Jusmari afirmou que a "demanda mundial é crescente e que isso significa para o Brasil uma grande oportunidade de produzir e ofertar carne, pele, leite e lã de excelente qualidade, ecologicamente corretos e dentro das exigências dos principais mercados mundiais".
A deputada destaca ainda que a atividade pode ser excelente alternativa de geração de emprego e renda nas pequenas propriedades, evitando-se o êxodo rural.
Segundo Jusmari Oliveira, apesar de todo o potencial dessa cadeia produtiva, no entanto, a balança comercial brasileira é deficitária e a produção nacional continua parada. Ela acrescentou que, ao contrário do que tem ocorrido com suínos e aves, cuja criação tem aumentado significativamente, há redução de ovinos e caprinos, principalmente devido ao abate de matrizes, em razão dos preços favoráveis.
De acordo com ela, "é necessário identificar as principais limitações existentes e estabelecer políticas públicas específicas para o setor, que fomentem e garantam o fortalecimento, a reestruturação e a integração da produção de caprinos e ovinos, de tal forma que o Brasil possa contar com esse importante setor de transformação na geração de renda e emprego no campo".
Já, a diretora da empresa alimentícia Cescage Alimentos, Júlia Streski Fagundes Cunha, que também participou do seminário, alertou para as perdas comerciais, devido a concorrência na América do Sul, exercida sobre o Brasil pelo Uruguai, na comercialização da carne de caprinos e ovinos.
Segundo ela, o Uruguai coloca sua carne de melhor qualidade no mercado brasileiro com preço mais baixo que o nosso.
Este fato, alertou Júlia Streski, se deve pela ausência de uma legislação específica para o setor de gado ovino e caprino, estabelecida pelo governo brasileiro, bem como uma fiscalização de saúde, que certifique a qualidade dos nossos rebanhos.
Para a diretora da Cescage, "os preços ofertados pelo Uruguai ao mercado importador é menor do que o oferecido pelo Brasil, devido ao apoio que recebem das autoridades governamentais uruguaias.
Esta situação só se reverterá quando o governo brasileiro, através do Mercosul, regular o mercado", encerrou Júlia Streski.
Também participou da Audiência Pública, o pesquisador da Embrapa e secretário executivo da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos, Raimundo Nonato Braga Lobo.
Ele confirmou que a demanda mundial por alimentos busca atributos de segurança, qualidade e responsabilidade sócio-ambiental.
Dessa forma, o diferencial de qualidade do produto agroalimentar deve, necessariamente, assegurar a comprovação e a confiança do consumidor, cabendo ao governo estabelecer estas garantias, disse Nonato Braga.
Também participaram da Audiência, o coordenador da carteira de ovinos e caprinos do Sebrae nacional, Enio Queijada de Souza, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, Paulo Afonso Schwabo e o coordenador Nordeste da Confedceração Nacional da Agricultura e Pecuária, CNA.
( Por Almiro Archimedes, especial para a Política Real, com edição de Genésio Araújo Junior)