31 de julho de 2025

Nordeste e a Segurança. Juiz Adeildo Nunes critica situação do presídio Anibal Bruno, em Pernambuco.

Paulo Rubem Santiago (PE) quer vincular recursos da CPMF para Sistema de Atendimento Socioeducativo.

Publicado em
(Brasília-DF, 25/09/2007) Durante audiência na Câmara, o presidente do Instituto Brasileiro de Execução Penais, Adeildo Nunes, denunciou situação grave do presídio Anibal Bruno, situado em Pernambuco. O juiz apontou que a instituição é conhecida pelo alto índice de tráfico de drogas. “O Anibal Bruno é uma refinaria de crack”, disse. Segundo Nunes, a corrupção é um dos principais problemas do sistema Carcerário do país e permite esse tipo de práticas ilícitas dentro dos presídios.

Outro ponto levantado durante o debate, que aconteceu na CPI do Sistema Carcerário, é a superpopulação. Adeildo Nunes revelou que o Anibal Bruno reúne cerca de 4 mil presos. O juiz defende que se crie um colegiado para dirigir as instituições penais do país, como forma de melhorar a gestão carcerária. “Temos que acabar com o critério unicamente político na escolha do diretor. A idéia de um colegiado seria uma solução”, afirmou. O presidente do Instituto informou que em São Pulo a situação é ainda pior, com uma média de 800 novos presos por ano. O promotor do estado de São Paulo argumenta que é preciso criar 130 unidades prisionais, no mínimo, para sanar atual superpopulação no País.

Outro ponto defendido pelos debatedores presentes na CPI foi a implantação das penas alternativas. “A prisão é uma das últimas hipóteses no rol de soluções para segurança pública. É preciso melhorar as penas alternativas do País”, disse Adeildo. O deputado Paulo Rubem Santiago (PE) criticou os critérios de financiamento na área de segurança pública. “Os orçamentos aplicados nos estados são incompatíveis com o que estamos discutindo aqui. Estamos esbarrando na má aplicação de recursos”, afirmou. O parlamentar é autor de uma emenda ao projeto de prorrogação da CPMF, que pede a vinculação de recursos da arrecadação do tributo para o Sistema Nacional de Atendimento SócioEducativo (Sinase).

( por Liana Gesteira, com edição de Genésio Araújo Junior)