31 de julho de 2025

Nordeste e o PT. Ciro Gomes anuncia nova discordância com o PT.

Ele disse que nunca concordava com um tucano mas hoje concordou.

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( Brasília-DF, 05/09/2007) A Política Real está atenta.


O deputado Ciro Gomes(PSB-CE) anunciou ao plenário Ulysses Guimarães, da Câmara Federal, que volta a discrepar do Partido dos Trabalhadores. Ele fez aparte ao deputado Zenaldo Coutinho(PSDB-PA)que fez longo pronunciamento contestanto algumas teses petistas firmadas no encontro nacional do último final de semana.

Chamou atenção a manifestação do deputado cearense que pediu aparte ao deputado Zenaldo Coutinho(PSDB-PA) para mesmo afirmando que quase sempre discrepava do parlamentar tucano se achava obrigado a concordar com parte das críticas, pois não concordava com a tese que defende o fim do Senado. Ele disse que voltava a discrepar com o Partido dos Trabalhadores. Veja a íntegra da fala de Ciro Gomes no contexto do discurso do parlamentar tucano:


O SR. ZENALDO COUTINHO (PSDB-PA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de entrar propriamente no tema, objeto do discurso que preparei surpreendi-me, hoje, com a manifestação do Sr. Ministro Paulo Bernardo que considerou estranha a decisão dos Deputados do PSDB de não apoiarem a prorrogação da CPMF. O eminente Ministro argumenta que este tributo é filho do partido tucano. Esquece o Sr. Ministro de argumentar que quando os tucanos criaram este tributo o fizeram como Contribuição Provisória. E a palavra provisória, gramaticalmente, quer dizer temporária, efêmera, passageira e não permanente. As condições econômicas existentes à época da criação desta contribuição não persistem nos dias de hoje com um superávit de mais de 60 bilhões de reais este ano.
Ora, se não há as mesmas restrições econômicas existentes à época e se nós temos uma abundância, uma fartura de recursos superavitários na arrecadação, não temos por que continuar sacrificando a população brasileira com mais este tributo, onerando em cerca de 40% o PIB brasileiro.
É nessa direção que o PSDB, por unanimidade, diga-se de passagem, decidiu não apoiar, ou seja, decidiu ser contra a prorrogação da CPMF, numa lógica e numa coerência daqueles que defendem a economia e a sociedade brasileira.
Sr. Presidente, respondida essa indagação do Ministro, passarei ao tema principal do meu pronunciamento: o 3.º Congresso do Partido dos Trabalhadores.
Logo após a denúncia do mensalão ter sido aceita pelo Supremo Tribunal Federal, os petistas ignoraram o tema daqueles que estão sendo processados pelo STF por causa do escândalo, adiando para 2009 a realização de uma corregedoria partidária para discutir eventuais desvios por parte de seus filiados. Certamente, o PT entende que, até 2009, não precisa discutir absolutamente nada sobre os desvios cometidos por seus filiados.
Esses, Sras. e Srs. Deputados, compõem o partido do Presidente Lula, que, em discurso inflamado no denominado 3.º Congresso, dizem ser a maior expressão da ética no Brasil.

Entre as propostas discutidas e aprovadas, está um plebiscito que discutirá a reestatização da companhia Vale do Rio Doce, um retrocesso político que, do ponto de vista prático, não terá efeito, entretanto, certamente trará inquietude ao mercado.

O apoio do partido à descriminalização do aborto e sua regulamentação pela rede pública de saúde e a desestabilizadora proposta de defesa da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para votar a reforma política, onde no texto aprovado defende que "a reforma política não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou ser incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos dos seus integrantes", iniciando, assim, um projeto de extinção do Senado Federal.

Os membros do PT, com seus arroubos contra as Instituições, fazem parte de sua estratégia de poder — isso é notório — e a tática utilizada está nos manuais trotskistas, em que se busca ou se cria um problema pontual, e agitadores insuflam o povo a destruir o alvo escolhido. No caso, o projeto em curso é o de aproveitar os problemas do governista Senador Renan Calheiros e utilizá-Ios como uma clava para destruir o Senado Federal.
O jornal Correio Braziliense, em sua edição de sábado, 1º de setembro, página seis, mostra a proposta do Presidente Nacional do PT, Deputado Ricardo Berzoini, que em entrevista defende a idéia: "O sistema unicameral é mais produtivo para a democracia, agiliza os processos e reproduz a vontade do povo". Claro está o oportunismo da proposta, pois o Governo petista não tem no Senado a avassaladora maioria de Parlamentares aliados que tem na Câmara dos Deputados. Seria a forma de travar qualquer objeção por parte do Senado Federal, que, como Câmara Revisora, representa os interesses dos Estados da Federação.
Como o PT parece querer copiar Hugo Chávez segue a sua linha de assalto às instituições democráticas.
E nesse ponto específico do Senado Federal é importante enfatizar que são os menores Estados do Brasil que perdem com a extinção do Senado, posto que o pequeno Estado do Acre tem três Senadores como também o Estado de São Paulo tem três Senadores, o que gera um equilíbrio da Federação brasileira que quer agora ser atingida de morte por parte dessa proposta do PT.

O desgastante episódio do Presidente do Senado...

O Sr. Ciro Gomes - V.Exa. me permite um aparte, Deputado?

O SR. ZENALDO COUTINHO - Imediatamente, Deputado Ciro.
O Sr. Ciro Gomes - Deputado Zenaldo coutinho, discrepo quase sempre de V.Exa. no olhar sobre a conjuntura político-partidária brasileira mas o faço sempre admirando a qualidade com que V.Exa. sustenta suas opiniões. E para celebrar esse dissenso quase geral quero convergir com V.Exa. não nas deliberações do PT que continuo discrepando, mas no ponto que brilhantemente está seguindo. A presença do Senado Federal na estrutura do Parlamento brasileiro, quero crer, como V.Exa. já vinha nos esclarecendo brilhantemente, é essencial para a preservação da unidade nacional porque é natural que, pelo princípio do “one man, one vote,” haja uma desproporção na representação popular, dado que são discrepantes a presença da população nas diversas unidades da Federação. É o Senado Federal que, tradicionalmente, tem posto este ponto de equilíbrio que preserva e financia a unidade do nosso País. De maneira que não creio que seja nem remotamente feliz a idéia de se perder esse fator de unidade nacional que representa o Senado Federal brasileiro. Agradeço a V.Exa. e o parabenizo pela fala discrepando da maior parte dela.

O SR. ZENALDO COUTINHO - Muito obrigado, Deputado Ciro. Com relação ao aparte, no mérito que V.Exa. aborda, incluo-o no meu pronunciamento com muita alegria.
O desgastante episódio do Presidente do Senado Renan Calheiros é pontual, e de comportamento pessoal. Assim deve ser tratado e não pode se estender à Instituição que representa, como bem enfatiza o Deputado Ciro Gomes os Estados brasileiros.
A ambigüidade das propostas petistas, Sr. Presidente, vem de longa data e mistura ideologias exógenas, questionadas e em desuso nos locais de origem com a atual realidade. O imbróglio das ideologias mal compreendidas, em oposição à realidade fática, traz discussões do tipo do plebiscito da reestatização da Vale do Rio Doce.
A forma estabelecida sobre como desestabilizar o mercado surge conforme relata a jornalista da Agência Estado, Chiara Quintão, ao relatar em sua matéria a síntese das discussões sobre a Companhia Vale do Rio Doce. Diz ela, entre aspas: "Não vamos estimular o Governo a reestatizar a Vale ou não. Estamos apenas dizendo à sociedade brasileira que o Governo passado fez uma fraude, vendeu a Vale do Rio Doce por R$ 3 bilhões e hoje a empresa vale mais de R$ 50 bilhões" . Isso era o cerne da discussão do PT.
Essa discussão é direcionada e falsa, porque não se lembram eles de que milhares de brasileiros são hoje acionistas da Vale do Rio Doce, que compraram suas ações com os recursos disponibilizados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), possibilitando a inserção do povo na participação da empresa como sócio, cujas ações, além dos dividendos pagos, decuplicou em valor.
A Companhia tem atualmente este valor de mercado justamente em virtude de sua privatização, que, ao romper com as amarras de uma empresa estatal, transformou-a na segunda maior mineradora do mundo e que o principal acionista majoritário — pasmem, senhores — é a PREVI, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, portanto, servidores brasileiros. Está nas mãos do povo. O povo é o maior acionista da Vale do Rio Doce, diferentemente quando era estatal e não conseguia se consolidar no mercado e não tinha os superávits econômicos que passou a adquirir com os investimentos que conseguiu fazer a empresa privada.
No congresso do PT, antes de retirar a proposta de imediata reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, a delegada Misa Boito, do grupo trotskista "O Trabalho", lembrou os processos políticos em curso na Venezuela e Bolívia, onde o os governos de esquerda de Hugo Chávez e Evo Morales, respectivamente, nacionalizam companhias privadas. Também destacou ela o governo de Rafael Corrêa no Equador e pregou a necessidade de enfrentar a reação "dos mercados" à proposta.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é preciso lembrar, que no Brasil, a privatização fez parte da agenda governamental desde a Década de 80, antes do início do Governo Fernando Henrique Cardoso, que iniciou em 1995, quando já haviam sido concluídas as privatizações dos setores de fertilizantes, petroquímica e siderurgia, além da EMBRAER, hoje orgulho da indústria aeronáutica brasileira, também, na posição entre as três maiores produtoras de aviões comerciais do mundo.
Concedo um aparte ao Deputado Júlio Delgado.

( da redação com informações da taquigrafia da Câmara Federal)