Sergipe. Pesquisa da Universidade Federal não confirma tese de que onde há pobreza há violência.
A Política Real teve acesso.
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( Brasília-DF, 24/08/2007) A Política Real teve acesso.
Pesquisa sobre o perfil da violência no Sergipe feito pela Universidade Federal do Sergipe aponta que as explicações tradicionais - de que lugares populosos, onde há percentuais consideráveis de pobreza, baixa escolaridade e jovens, aparecem entre os mais violentos - não colam, não conferem.
"Os resultados da pesquisa desmistificam a idéia de pobreza relacionada à criminalidade", resume o professor Marco Antônio Jorge, do Departamento de Economia. "Existem outros lugares do país onde essa idéia é perfeitamente aplicável, mas não foi o que conseguimos comprovar aqui, pois os homicídios parecem assumir um comportamento aleatório".
O estudo mapeou a violência com base nas taxas de homicídio verificadas nos anos de 2004, 2005 e 2006. Para chegar à conclusão de que não há um padrão de causalidade bem definido sobre os índices de criminalidade no Estado, a equipe do projeto, composta por mais dois alunos, relacionou essas taxas a uma série de variáveis sócio-econômicas (renda familiar per capita, anos de escolaridade da população adulta e taxa de alfabetização, percentual de jovens de 15 a 24 anos, taxa de urbanização, Índice de Desenvolvimento Humano - IDH - etc).
Dentre essas variáveis, quase todas apresentaram baixa associação em relação às taxas de homicídio. Somente uma - a taxa de urbanização - indica que a criminalidade pode ser explicada por ela.
LOCAIS - Os municípios citados na pesquisa com maiores médias de assassinatos, nos três anos avaliados, foram Divina Pastora, Barra dos Coqueiros, Itabaiana, Cedro de São João, Estância e Neópolis. Já dentre as menores médias estão Pedra Mole, São Francisco, Cumbe, Santa Rosa de Lima e Nossa Senhora do Socorro. No que se refere a este último, o pesquisador faz uma ressalva.
"Os resultados contrariam o que constantemente é noticiado sobre crimes no local, então consideramos que uma provável deficiência na coleta de dados tenha subestimado a criminalidade registrada no município". O professor esclarece que os dados de homicídios para cada uma das cidades foram coletados junto ao setor de estatísticas da Polícia Civil.
"Se por acaso algum assassinato deixou de ser registrado, sabemos que isso já compromete os resultados", diz Gabriel Rodrigues Lopes, bolsista que, juntamente com Klebson Santana de Oliveira, encarregou-se de coletar os dados.
Gabriel destacou também a dificuldade de trabalhar com as estatísticas do IBGE, tendo em vista que o último censo populacional é de 2000 e a pesquisa enfoca anos posteriores. "Para calcular as taxas municipais de homicídios, a alternativa foi utilizar estimativas populacionais".
INFLUÊNCIA - A pesquisa buscou ainda verificar a possível existência de uma contaminação de localidades com quantidade elevada de homicídios. Isto é, procurou observar a questão de lugares violentos estarem influenciando outros.
Com as taxas de homicídio calculadas foram construídos mapas que, analisados visualmente, apresentam alguns focos aparentes de contaminação espacial. "Nos anos de 2004 e 2005, por exemplo, notamos os municípios de Canhoba e Propriá como prováveis influenciadores da violência em Japoatã e Neópolis", diz Marco Antônio.
Mas, se visualmente tem-se a impressão de que a criminalidade está se espalhando, os números não confirmam, pelo menos é o que mostra os índices calculados no estudo. "Os valores obtidos para os três anos indicam a ausência de autocorrelação espacial significativa".
Apesar disso, destaca o professor, é interessante observar com atenção o que vem ocorrendo na margem do rio São Francisco, pois pode estar se configurando na região um foco de violência que se cristaliza na forma de taxas elevadas de assassinato.
( da redação com informações de assessoria)
Pesquisa sobre o perfil da violência no Sergipe feito pela Universidade Federal do Sergipe aponta que as explicações tradicionais - de que lugares populosos, onde há percentuais consideráveis de pobreza, baixa escolaridade e jovens, aparecem entre os mais violentos - não colam, não conferem.
"Os resultados da pesquisa desmistificam a idéia de pobreza relacionada à criminalidade", resume o professor Marco Antônio Jorge, do Departamento de Economia. "Existem outros lugares do país onde essa idéia é perfeitamente aplicável, mas não foi o que conseguimos comprovar aqui, pois os homicídios parecem assumir um comportamento aleatório".
O estudo mapeou a violência com base nas taxas de homicídio verificadas nos anos de 2004, 2005 e 2006. Para chegar à conclusão de que não há um padrão de causalidade bem definido sobre os índices de criminalidade no Estado, a equipe do projeto, composta por mais dois alunos, relacionou essas taxas a uma série de variáveis sócio-econômicas (renda familiar per capita, anos de escolaridade da população adulta e taxa de alfabetização, percentual de jovens de 15 a 24 anos, taxa de urbanização, Índice de Desenvolvimento Humano - IDH - etc).
Dentre essas variáveis, quase todas apresentaram baixa associação em relação às taxas de homicídio. Somente uma - a taxa de urbanização - indica que a criminalidade pode ser explicada por ela.
LOCAIS - Os municípios citados na pesquisa com maiores médias de assassinatos, nos três anos avaliados, foram Divina Pastora, Barra dos Coqueiros, Itabaiana, Cedro de São João, Estância e Neópolis. Já dentre as menores médias estão Pedra Mole, São Francisco, Cumbe, Santa Rosa de Lima e Nossa Senhora do Socorro. No que se refere a este último, o pesquisador faz uma ressalva.
"Os resultados contrariam o que constantemente é noticiado sobre crimes no local, então consideramos que uma provável deficiência na coleta de dados tenha subestimado a criminalidade registrada no município". O professor esclarece que os dados de homicídios para cada uma das cidades foram coletados junto ao setor de estatísticas da Polícia Civil.
"Se por acaso algum assassinato deixou de ser registrado, sabemos que isso já compromete os resultados", diz Gabriel Rodrigues Lopes, bolsista que, juntamente com Klebson Santana de Oliveira, encarregou-se de coletar os dados.
Gabriel destacou também a dificuldade de trabalhar com as estatísticas do IBGE, tendo em vista que o último censo populacional é de 2000 e a pesquisa enfoca anos posteriores. "Para calcular as taxas municipais de homicídios, a alternativa foi utilizar estimativas populacionais".
INFLUÊNCIA - A pesquisa buscou ainda verificar a possível existência de uma contaminação de localidades com quantidade elevada de homicídios. Isto é, procurou observar a questão de lugares violentos estarem influenciando outros.
Com as taxas de homicídio calculadas foram construídos mapas que, analisados visualmente, apresentam alguns focos aparentes de contaminação espacial. "Nos anos de 2004 e 2005, por exemplo, notamos os municípios de Canhoba e Propriá como prováveis influenciadores da violência em Japoatã e Neópolis", diz Marco Antônio.
Mas, se visualmente tem-se a impressão de que a criminalidade está se espalhando, os números não confirmam, pelo menos é o que mostra os índices calculados no estudo. "Os valores obtidos para os três anos indicam a ausência de autocorrelação espacial significativa".
Apesar disso, destaca o professor, é interessante observar com atenção o que vem ocorrendo na margem do rio São Francisco, pois pode estar se configurando na região um foco de violência que se cristaliza na forma de taxas elevadas de assassinato.
( da redação com informações de assessoria)