31 de julho de 2025

Sergipe. Polícia apresenta detalhes da Operação Cangaço.

Operação teria atingindo interesses em três estados nordestinos.

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( Brasília-DF, 09/08/2007) A Política Real teve acesso.

As Polícias Civil e Militar de Sergipe prenderam nessa terça-feira, 7, durante a Operação Cangaço, Carlos Alexandre Santos Silva, José Carlos Pereira, 31 anos, vulgo ‘Carlinhos Arapiraca’, Leonias de Jesus, 25, o ‘Leo’, e Abimael da Silva Borges, 19 anos, “Mael’, acusados de praticar homicídios, roubos e tráfico de entorpecentes em Sergipe, Alagoas e Ceará.

A operação foi iniciada há seis meses pela Delegacia Especial de Combate a Tóxicos e Entorpecentes (Decte) visando apurar, inicialmente, o tráfico de drogas em Sergipe. As buscas aos envolvidos contaram com a participação do setor de inteligência do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE). Os detalhes da operação foram apresentados na manhã desta quinta-feira, dia 9, pelo superintendente da Polícia Civil, delegado Paulo Márcio, e demais delegados envolvidos na “Operação Cangaço”.

De acordo com o superintendente, o primeiro a ser preso foi Carlos Alexandre, braço direito de Carlinhos Arapiraca, portando cocaína e uma pistola 380 milímetros quando voltava de Itabaiana para Nossa Senhora do Socorro. A prisão dele ocorreu há 15 dias, mas foi mantida em sigilo para não atrapalhar o decorrer da operação. Conforme o delegado da Decte, Robério Santiago, a polícia começou a apurar os crimes conhecendo apenas os apelidos dos investigados.

Segundo o delegado, dos seis meses de investigação, foram necessários quase dois meses somente para descobrir o verdadeiro nome de ‘Carlinhos Arapiraca’, considerado o líder da quadrilha. A partir dessa apuração, a polícia descobriu que Carlinhos e seu bando estavam envolvidos em sua série de crimes em Alagoas e Ceará.

Aprofundando as investigações, os policiais sergipanos, descobriram que a quadrilha de ‘Carlinhos Arapiraca’ é responsável por vários homicídios praticados em Itabaiana. Para se ter idéia da periculosidade de ‘Carlinhos Arapiraca’, ele foi intimado, na condição de testemunha, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), responsável pela apuração do Narcotráfico no Brasil, a fim de prestar esclarecimentos aos senadores referentes ao envolvimento de empresários e políticos com negócios ilícitos.

Segundo a Polícia Civil de Sergipe, na época em que prestou depoimento na CPI do Narcotráfico, ele estava detido em um presídio de Maceió. A informação é de que ele tinha envolvimento com um coronel da PM alagoana, acusado em uma série de crimes. “Nesse momento, seria prematuro afirmar se tem ou não empresários sergipanos envolvidos com essa quadrilha”, declarou Santiago.

No momento da prisão, Carlinhos apresentou um documento falso com o nome de José Nildo de Araújo. Carlinhos confessou ter matado, com 10 tiros, o comerciante José Jackson da Silva, 35 anos, no último dia 18 de julho, em Itabaiana. Além disso, no dia 30 de julho, a quadrilha comandada por ele assaltou uma agência do Banco do Brasil na cidade de Fortaleza, no Ceará, levando cerca de R$ 80 mil.

Na fuga eles mataram três pessoas, sendo dois deles os cabos Francisco Honorato de Castro e Francisco Assis do Nascimento, integrantes da Polícia Militar do Ceará. Durante o assalto, uma dona de casa foi alvejada e morreu a caminho de hospital. Ainda na capital cearense, o bando também roubou R$ 125 mil de uma residência. “Recebemos a informação de que eles teriam assaltado ainda outra agência do Banco do Brasil, dentro de um shopping center, em Fortaleza”, informou o delegado, da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), Gilberto Guimarães.

Em depoimento ao delegado Robério Santiago, o líder da quadrilha confessou todos os crimes que lhe são imputados. Porém, ao ser questionado sobre os homicídios praticados em Itabaiana, ele confessou que a maioria foi cometida tendo como motivação o tráfico de drogas e outros por mando. “Até o momento, ele não confessou quem são os mandantes dos homicídios praticados em Itabaiana”.

Para o delegado Gilberto Guimarães, da Divisão de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) os crimes de homicídio praticados por pistoleiros devem ter uma grande redução no agreste de Sergipe. O delegado explicou ainda, que o Dipol começou a auxiliar a “Operação Cangaço” logo após uma emboscada praticada contra uma família no povoado Bom Jesus, em Laranjeiras, em março deste ano. Dias depois do crime, a polícia prendeu o pistoleiro José de Oliveira Mendonça Filho, 35 anos, vulgo “Maguila” ou “João Feijão” e o mandante do crime, o empresário Edilvan de Almeida Cunha, 23 anos. “Confirmamos que havia uma rede de pistoleiros no município, especializada em crimes de mando”, informou.

Operação Cangaço – A Operação Cangaço ganhou esse nome porque a quadrilha agia de forma itinerante, ou seja, circulava por várias cidades do Nordeste, lembrando em certos momentos a atuação do bando de Lampião. A operação foi coordenada pela Delegacia Especial de Combate a Tóxicos e Entorpecentes (Decte) e contou com o apoio da Divisão de Inteligência Policial (Dipol), da Divisão de Homicídios, Delegacia Regional de Itabaiana, Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e de policias militares do Comando de Operações Especiais (Coe).

Para executar a operação foram necessários mais de 20 policiais e oito viaturas. Além dos quatro presos, os policiais também apreenderam um Fiesta, placa policial HVK-2178 de Fortaleza, o veículo teria sido comprado à vista com o dinheiro roubado da agência do Banco do Brasil da capital cearense, um revólver calibre 38 de 7 polegadas, 60 gramas de cocaína, 30 gramas de maconha e R$ 200 em dinheiro. A informação é de que os acusados têm mandados de prisão em vários Estados, mas inicialmente, eles responderão pelos crimes praticados aqui mesmo em Sergipe.

( da redação com informações de assessoria)