31 de julho de 2025

Nordeste e os Biocombustíveis

César Borges critica governo por não incentivar produção de etanol no Nordeste e por não desenvolver o biodiesel.

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(Brasília-DF, 09/05/2007) Durante a audiência realizada pelo subcomissão de biocombustíveis o representante do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan Filho, comentou sobre o desenvolvimento do biodiesel no país. “No caso do biodiesel precisamos ainda de produtos que rendam mais utilizando uma quantidade menor de área”, disse. Segundo Ângelo Bressan a produção de biodiesel é de 500 litros por hectare e no último leilão o preço do combustível chegou a R$ 1,80. Ele alega que o rendimento dos produtos voltados para o biodiesel é menor do que o uso da cana-de-açúcar para fazer o álcool.

O senador César Borges (DEM-BA) demonstrou decepção com os dados trazidos pelos convidados, tendo em vista que o biodiesel é um dos principais programas de desenvolvimento destinado ao Nordeste. “O biodiesel foi apresentado pelo governo aos nordestinos como redenção social e até agora não vi acontecer nada”, declarou. O senador criticou o governo por não incentivar a produção de etanol no Nordeste levando em consideração o momento positivo do setor. “Cerca de 91 % da produção do etanol é proveniente do Sudeste. O Nordeste precisa de incentivo para se beneficiar também com cenário positivo do etanol”, argumentou.

Roberto Gianetti respondeu ao César Borges alegando que o biodiesel será a próxima matriz energética do país, mas que ainda precisa de muito investimento para se consolidar e aconselhou que o Nordeste buscasse entrar no mercado de etanol a partir da mandioca. “Já ouvi pesquisa que diz que a mandioca é tão competitiva quanto a cana-de-açúcar na produção de etanol”, disse. Ângelo Bressan alegou que essas outras culturas voltadas para o etanos foram deixadas de lado tendo em vista o sucesso da cana-de-açúcar mas alegou que as novas alternativas voltaram para a agenda de discussão do governo.

O senador João Tenório (PSDB-AL) também defendeu políticas publicas para tornar a produção do Nordeste mais competitiva ao invés de ficar buscando novas alternativas. “O que vejo hoje é uma migração de produtores do Nordeste para o Sudeste e o Centro-oeste”, revelou. César Borges disse que essa postura acentua as desigualdades regionais do país. “Não vejo política específica para incentivar o desenvolvimento d região. Sempre que existe um ´boom` em algum setor só quem se beneficia é o Sudeste, isso só aumenta o abismo entre as regiões”, disse.

(por Liana Gesteira)