Maranhão. Sarney vai à tribuna e faz protesto contra fechamento de TV na Venezuela.
A Política Real acompanhou.
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( Brasília-DF, 28/05/2007) O senador José Sarney(PMDB-AP) voltou se manifestar no plenário “Rui Barbosa” do Senado Federal. Ele não foi para defender os amigos Silas Rondeau e nem o senador Renan Calheiros(PMDB-AL), que logo em seguida se manifestou. Ele foi a plenário para protestar pelo fechamento da TC RCL, de Caracas, Venezuela. Ele lembrou um episódio quando saiu da Presidência da República:
“Desci para despedir-me do Sindicato de Jornalistas que cobria o Palácio do Planalto. O Presidente do Sindicato era o Sr. Bartolo, de O Estado de S.Paulo, o qual estava sentado a uma máquina de escrever – naquele tempo, não existia ainda computador – e me disse: “Sr. Presidente, o senhor pode sair sabendo que eu aqui não recebi nem autocensura, porque sabia que existia um governo democrático no País”. Nem ele se julgava no dever de autocensurar-se ao escrever. Portanto, é assim que se processa uma democracia, e não com medo, com o fechamento dos órgãos que podem servir à opinião pública.”
Veja a íntegra da falação:
“ Sr. Presidente, serei muito breve. Esta minha intervenção é um dever de consciência. Esta Casa já ouviu, do Senador Eduardo Suplicy, um grande protesto contra o fechamento na Venezuela da RCTV.
Eu agora venho também manifestar o meu protesto por esse fato. Sr. Presidente, a democracia é uma palavra, mas sobretudo é um estado de espírito. Quando começa a ser adjetivada, ela começa a decompor-se. Quando se fala em democracias populares, quando se fala em democracia de qualquer natureza, evidentemente, neste momento, ela deixa de ser democracia para começar a decompor-se.
Portanto, não acredito que ninguém possa associar democracia somente a uma definição, por maior que ela seja, mas, sobretudo, pela prática, pelo estado de espírito. Não pode haver uma democracia na qual não exista instituição livre, instituição forte, basilar dela, como Congresso livre, forte e aberto; imprensa livre e sem restrições.
No momento em que o Governo tem o poder de silenciar qualquer órgão de oposição, a qualquer título, neste momento, passo a temer o que seja o conceito de democracia nesse País.
Quando Presidente da República, quando começamos a integração latino-americana, com Raúl Alfonsín, o que primeiro nos preocupou foi a cláusula democrática, que visava restaurar a democracia no continente. Essa democracia não pode de nenhuma maneira entrar em um processo de involução. Por isso a nossa preocupação, o nosso protesto contra o que ocorre na Venezuela: o fechamento da maior estação de televisão daquele país.
Um dos orgulhos que trago na vida, Sr. Presidente, foi o dia em que deixei a Presidência.
Desci para despedir-me do Sindicato de Jornalistas que cobria o Palácio do Planalto. O Presidente do Sindicato era o Sr. Bartolo, de O Estado de S.Paulo, o qual estava sentado a uma máquina de escrever – naquele tempo, não existia ainda computador – e me disse: “Sr. Presidente, o senhor pode sair sabendo que eu aqui não recebi nem autocensura, porque sabia que existia um governo democrático no País”. Nem ele se julgava no dever de autocensurar-se ao escrever. Portanto, é assim que se processa uma democracia, e não com medo, com o fechamento dos órgãos que podem servir à opinião pública.
Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Tião Viana. Bloco/PT – AC) – Agradeço a V. Exª.
O SR. JOSÉ SARNEY (PMDB – AP) – Queria apenas fazer um adendo, pode até ser um link. Amanhã, completam-se 30 dias do falecimento do jornalista Octavio Frias e, às cinco horas, será rezada uma missa encomendada pelos seus amigos, dentre os quais eu. Solicitaria a todos os Senadores que pudessem comparecer a esse ato que o fizessem para homenagearmos também a liberdade de imprensa, por intermédio de Octavio Frias.
Muito obrigado.”
( da redação com informações de assessoria)
“Desci para despedir-me do Sindicato de Jornalistas que cobria o Palácio do Planalto. O Presidente do Sindicato era o Sr. Bartolo, de O Estado de S.Paulo, o qual estava sentado a uma máquina de escrever – naquele tempo, não existia ainda computador – e me disse: “Sr. Presidente, o senhor pode sair sabendo que eu aqui não recebi nem autocensura, porque sabia que existia um governo democrático no País”. Nem ele se julgava no dever de autocensurar-se ao escrever. Portanto, é assim que se processa uma democracia, e não com medo, com o fechamento dos órgãos que podem servir à opinião pública.”
Veja a íntegra da falação:
“ Sr. Presidente, serei muito breve. Esta minha intervenção é um dever de consciência. Esta Casa já ouviu, do Senador Eduardo Suplicy, um grande protesto contra o fechamento na Venezuela da RCTV.
Eu agora venho também manifestar o meu protesto por esse fato. Sr. Presidente, a democracia é uma palavra, mas sobretudo é um estado de espírito. Quando começa a ser adjetivada, ela começa a decompor-se. Quando se fala em democracias populares, quando se fala em democracia de qualquer natureza, evidentemente, neste momento, ela deixa de ser democracia para começar a decompor-se.
Portanto, não acredito que ninguém possa associar democracia somente a uma definição, por maior que ela seja, mas, sobretudo, pela prática, pelo estado de espírito. Não pode haver uma democracia na qual não exista instituição livre, instituição forte, basilar dela, como Congresso livre, forte e aberto; imprensa livre e sem restrições.
No momento em que o Governo tem o poder de silenciar qualquer órgão de oposição, a qualquer título, neste momento, passo a temer o que seja o conceito de democracia nesse País.
Quando Presidente da República, quando começamos a integração latino-americana, com Raúl Alfonsín, o que primeiro nos preocupou foi a cláusula democrática, que visava restaurar a democracia no continente. Essa democracia não pode de nenhuma maneira entrar em um processo de involução. Por isso a nossa preocupação, o nosso protesto contra o que ocorre na Venezuela: o fechamento da maior estação de televisão daquele país.
Um dos orgulhos que trago na vida, Sr. Presidente, foi o dia em que deixei a Presidência.
Desci para despedir-me do Sindicato de Jornalistas que cobria o Palácio do Planalto. O Presidente do Sindicato era o Sr. Bartolo, de O Estado de S.Paulo, o qual estava sentado a uma máquina de escrever – naquele tempo, não existia ainda computador – e me disse: “Sr. Presidente, o senhor pode sair sabendo que eu aqui não recebi nem autocensura, porque sabia que existia um governo democrático no País”. Nem ele se julgava no dever de autocensurar-se ao escrever. Portanto, é assim que se processa uma democracia, e não com medo, com o fechamento dos órgãos que podem servir à opinião pública.
Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Tião Viana. Bloco/PT – AC) – Agradeço a V. Exª.
O SR. JOSÉ SARNEY (PMDB – AP) – Queria apenas fazer um adendo, pode até ser um link. Amanhã, completam-se 30 dias do falecimento do jornalista Octavio Frias e, às cinco horas, será rezada uma missa encomendada pelos seus amigos, dentre os quais eu. Solicitaria a todos os Senadores que pudessem comparecer a esse ato que o fizessem para homenagearmos também a liberdade de imprensa, por intermédio de Octavio Frias.
Muito obrigado.”
( da redação com informações de assessoria)