Nordeste e o Congresso
Mesa diretora pede abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra deputados B. Sá (PSB-PI) e Domiciano Cabral (PSDB-PB, 1); Mesa não quis desmoralizar Corregedoria mas revelou sua divisão.
(Brasília-DF, 02/08/2006) A mesa diretora da Câmara se reuniu hoje para avaliar os processos contra os deputados B. Sá (PSB-PI) e Domiciano Cabral (PSDB-PB). Após a reunião, o presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP) anunciou que a Câmara vai pedir ao Conselho de Ética abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra os dois deputados. “Vamos pedir ainda alguns dados do Ministério da Justiça sobre os casos antes de enviar ao Conselho de Ética”, informou. Na prática, com essa decisão da Mesa - que foi provocada a partir de questão de ordem feita pelos deputados Inocêncio Oliveira(PL-PE) e Givaldo Carimbão(PSB-AL)- a vinda de novas informações - se enfraqueceu o relatório da Corregedoria, especialmente no caso do deputado B.Sá(PSB-PI). Há informações de fontes da Política Real que revelam, o relatório do deputado Robson Tuma(PFL-SP) não teria analisado todas as provas apresentadas pelo deputado B.Sá. A Mesa não queria desmoralizar a Corregedoria neste momento de intensa crise com o Caso Sanguessugas, mas não é unânime na investigação que se montou contra o deputado socialista. Alguns consideram que o deputado Ciro Nogueira(PP-PI),corregedor, por ser do estado do parlamentar socialista, o Piauí, deveria ter se considerado suspeito ou impedido para atuar - o que não ocorreu.
Os dois parlamentares foram alvos de denúncias veiculadas na imprensa, em março deste ano. O deputado B. Sá está sendo acusado de negociar suposta propina com as empreiteiras OAS e Cojuda em torno da construção da barragem de Poço de Marruá, no sul do Piauí, para a qual teria apresentado emendas ao Orçamento. Domiciano Cabral teria sugerido ao sogro, Julião Medeiros, dono da construtora Cojuda, que fizesse negócios com o Ministério dos Transportes. Em uma gravação de conversas telefônicas, o sogro sugere ao deputado que interceda no pagamento de uma suposta dívida do ministério com a Cojuda, no valor de R$ 2 milhões.
O presidente Aldo Rebelo disse que apenas estes dois casos foram discutidos na reunião da Mesa de hoje. O deputado afirmou que só vai avaliar casos de envolvimento de parlamentares no esquema de fraudes da ambulância depois que for enviado o relatório parcial da CPMI, que deve ficar pronto dia 10 de agosto.
(por Liana Gesteira e Genésio Araújo Junior)