Nordeste e IBGE
População brasileira envelhece: para cada 100 jovens há 25 idosos; 44 por cento das famílias nordestinas vivem com meio salário mínimo.
(Brasília-DF, 12/04/2006) As Projeções Populacionais das Nações Unidas para 2005 apontam que o Brasil pertence ao grupo dos 10 países com maior população de pessoas de 60 anos ou mais em termos absolutos, que juntos representam 62,9%% da população idosa mundial.
O número de brasileiros maiores de 60 anos era de 17,6 milhões, representando 9,7%% da população em 2004. O índice de envelhecimento passou de 0,11 no início da década de 80 para 0,25 em 2004, ou seja, para cada 100 jovens, existiam 25 idosos. Esse valor mostra que a sociedade brasileira está envelhecendo, mas ainda pode ser considerada jovem. A população somente é considerada envelhecida quando esse índice é superior a 1. Numa comparação internacional, verifica-se que os três maiores índices são da Itália, Japão e Alemanha, com 1,42; 1,41; e 1,31 respectivamente.
A distribuição por sexo do contingente de idosos no Brasil segue a tendência mundial apresentando um maior número de mulheres: para cada 100 mulheres idosas, havia 78,6 homens idosos. As grandes regiões possuíam comportamento semelhante, sendo que no Sudeste essa diferença se acentuava, principalmente no último grupo etário (maiores de 80 anos), onde havia somente 56,4 homens para cada 100 mulheres, indicando uma maior mortalidade masculina.
A proporção de idosos que moravam sozinhos representava, em 2004, 13%% dos arranjos familiares. Entre as mulheres de 70 anos ou mais, 19,6%% moravam sozinhas, enquanto entre os homens esse percentual atingia apenas 11,7%%. A cobertura previdenciária (aposentados e/ou pensionistas) contemplava 77,4%% da população de 60 anos ou mais (13,7 milhões de pessoas). No caso dos idosos de 70 anos e mais, essa proporção era superior a 90%%.
Em relação à distribuição por sexo, 78,6 %% dos homens eram aposentados enquanto entre as mulheres a proporção não chegava a 55%%, resultado da menor participação feminina no mercado de trabalho formal no passado. Um terço dos idosos ainda se encontrava ativo no mercado de trabalho, sendo essa situação mais freqüente entre os homens (43,9%% contra 18,8%% entre as mulheres).
Em 2004, as unidades unipessoais (um só morador) correspondiam a 10%% das famílias. Essa modalidade tem apresentado tendência sistemática e contínua de crescimento. A maioria das unidades unipessoais eram ocupadas por pessoas de mais de 60 anos e, em especial, por mulheres.
Na análise da distribuição das famílias por classes de rendimento familiar mensal per capita, percebeu-se que, para o conjunto do país, em 2004, 23,6%% viviam com apenas até 1/2 salário mínimo, uma situação considerada vulnerável. Em contrapartida, apenas 6,4%% das famílias viviam com rendimento per capita de mais de 5 salários mínimos (cerca de R$1.300 reais em 2004). No Nordeste, a proporção de famílias com até 1/2 salário mínimo per capita alcançou quase 44%%, contrastando com a proporção encontrada no Sudeste (14,6%%) e revelando as desigualdades históricas existentes entre essas duas regiões.
As desigualdades de renda familiar se mostram evidentes quando se observa o rendimento médio daqueles que pertencem aos 40% mais pobres em relação ao valor auferido pelos 10%% mais ricos. Tais rendimentos foram de, respectivamente, 1/2 salário mínimo e 9,2 salários mínimos per capita, ou seja, os 10%% mais ricos tinham um rendimento quase 19,3 vezes superior. No Nordeste, a relação foi ainda maior, chegando a 21,1 vezes.
( da redação com informações do IBGE)