31 de julho de 2025

Bahia.

José Carlos Aleluia, líder da Minoria, volta a falar do fim da esperança.

Publicado em

( Brasília-DF, 03/08/2005)  O líder de Minoria, José Carlos Aleluia(PFL-BA) volta a criticar o Governo e o PT em artigo, publicado, hoje, no informativo do PFL da Câmara Federal.  Aleluia vem no plenário da Câmara, ou em artigos, em seu site ou em jornalísticos nacionais fazendo reiteradas críticas face ao momento de crise.

 

 

Dessa vez escreve sobre o fim da esperança, numa alusão ao mote usado na época da campanha de eleição presidencial que teve êxito, em 2.002. No Nordeste, segundo as últimas pesquisas Sensus e Ibope, é onde o Presidente Lula tem melhor desempenho. Confira a íntegra do artigo:

 

 

“A esperança que se esvai

 

 

 

 

Lula foi eleito presidente da República e trouxe, com sua eleição, um caminhão de esperanças para a juventude e para praticamente todos os trabalhadores brasileiros. Se analisarmos as pesquisas de opinião, logo após a posse de S. Exa., veremos que sua aprovação, em algumas pesquisas, ficavam um pouco abaixo de 80%, em outras, em 80%. Ou seja, quando assumiu o governo do Brasil, até aqueles que não votaram em Lula

tinham um pouco de esperança.

 

 

Incluo-me entre os que não votaram em S. Exa. Porque não acreditava que tivesse um projeto para o Brasil, não acreditava que estivesse preparado para governar o País. Mas, na condição de brasileiro, até eu, que fui líder do PFL durante dois anos, o maior partido da oposição, e agora sou líder da minoria, no fundo da alma, tinha esperanças de que o governo Lula traria algum alento para o

cidadão brasileiro.

 

 

Quem sabe traria um pouco mais de distribuição de renda, quem sabe traria uma nova estrutura ética para o Brasil. Todos tinham esperanças disso, porque o PT e Lula, ao longo de suas histórias, sempre usaram a bandeira da ética ao lado da bandeira vermelha. Era o PT e a ética.

 

 

 

 

Todo mundo achava que o PT poderia fazer da política brasileira algo que navegasse no mar da ética. E o que vimos? O presidente Lula esqueceu completamente todos os compromissos que assumiu na campanha, alguns deles, evidentemente, irrealizáveis, a

exemplo da política econômica, que dizia ter e não tinha. Lula abandonou completamente o discurso que fez e que o levou ao governo.

 

 

 

 

Recordo-me do debate de que participei durante a campanha como deputado. Os deputados do PT e dos aliados de Lula diziam “não ao FMI”, falavam em moratória e em uma série de coisas impossíveis de serem realizadas, mas que foram usadas como bandeira tanto nas ruas de Salvador, onde fiz campanha, quanto nas do interior da

Bahia. O PT representava a esperança, e Lula era o símbolo das esperanças do PT.

 

 

Lula tomou posse, esqueceu a política econômica prometida em campanha e

começou a desenvolver uma política econômica sem criatividade, uma cópia malfeita da que já

estava esgotada nos oito anos do período do presidente Fernando Henrique Cardoso. E

malfeita porque realizada de forma esquizofrênica. Por um lado, extremamente conservador no que se refere à política monetária e à política fiscal, por outro, extremamente desastrosa no que se refere aos aspectos microeconômicos, nos setores específicos. Paralisou todos os investimentos em energia, em saneamento, em comunicação. Paralisou o País.

Nada aconteceu, até ocorrer o episódio do Waldomiro Diniz. Faço questão de

recordar quem é Waldomiro Diniz: um assessor do ex-ministro José Dirceu, homem-chave, forte, do governo Lula. Waldomiro Diniz era assessor de José Dirceu desde a época do impeachment do presidente Collor. Era também um dos responsáveis por buscar nos arquivos da Comissão Parlamentar de Inquérito documentos para entregar à imprensa, falsificando alguns inclusive. Esse homem tornou-se o braço direito do ministro José Dirceu, que era o braço direito do presidente Lula.

 

 

Quando apareceu o filme, exibido a toda a hora, em que o Sr. Waldomiro Diniz

pedia ao sr. Carlos Cachoeira propina para si e para os candidatos do PT, e o governo Lula veio à rua, usando toda sua força para barrar a investigação, vimos que não havia

absolutamente nenhuma ética neste governo, que não havia inovação alguma.

O que vimos, portanto, foi que Lula não tinha nenhum compromisso com a ética

nem proposta de governo. Mas, àquele instante, usou o seu poder no Congresso — agora

visto, calçado no mensalão — para abafar a CPI, que seria mista naquela oportunidade. Foi o mensalão que impediu a realização da CPI dos Bingos para apurar o caso Waldomiro Diniz.

Conseguiu-se número para a CPI apenas no Senado da República.

 

 

Mais uma vez, Lula e José Dirceu erraram — mais Lula do que José Dirceu,

que é mais vítima do qualquer outro, porque o chefe de tudo isso sempre foi Lula.

Lula está querendo passar a idéia de que é autista. Ele não é autista nem bobo.

Nenhum de nós vai admitir que Lula tenha deficiência mental. Não tem. É um homem

inteligente, mas ele e seus aliados — Delúbio, José Dirceu, Silvinho, Valério — são farinha do

mesmo saco.

 

 

A população já começa a ver a desaprovação ao governo Lula, a qual foi

multiplicada por três. A desaprovação ao governo Lula, que estava lá em baixo, está subindo

de elevador. E a aprovação está caindo. E só não é maior porque as informações são difíceis

de fluir. Mas o povo brasileiro, aquele povo humilde do Brasil que está nos vendo, que está

ouvindo o que se passa na CPI dos Bingos, na CPMI dos Correios, na CPMI do Mensalão, esta

gente sabe que Lula traiu a esperança do povo brasileiro e será julgado por isso.”

 

 

 

 

( da redação com informações do PFL)