Bahia.
Pefelista faz artigo falando de frustação
Brasília-DF, 03/08/2005) O deputado Claudio Cajado(PFL), divulgou artigo, a que a Política Real teve acesso, em que o parlamentar baiano comenta o momento de crise e se arrisca em falar sobre “ governo de esquerda”.
Confira a opinião do parlamentar editada no Informativo do PFL, hoje:
“Um governo de esquerda
A Nação está paralisada, pasma, boquiaberta com o que está acontecendo no Brasil. Se estivéssemos vendo esses desmandos administrativos, essa corrupção desenfreada em um governo de direita, de centro-direita, em um governo das elites, poderíamos justificar dizendo que a direita sempre viveu amparada no poder, usufruindo das suas benesses, dos seus órgãos, das suas empresas, da sua folha, fazendo aquela política fisiológica, clientela, pendurada nas tetas do governo. Agora, quando presenciamos essa mesma situação em um governo de esquerda, que tinha compromissos com as bandeiras
dos movimentos sociais, com os trabalhadores, com os aposentados, sentimos como se as coisas estivessem de cabeça para baixo, como se os papéis estivessem completamente invertidos.
O pior de tudo é que o governo do PT trata a opinião pública de uma forma cínica. Toda vez que existe uma denúncia contra o governo do PT, principalmente de corrupção, qual a justificativa dos petistas? Que o governo passado fazia igual.
Tentam justificar seus erros com os eventuais erros do anterior! Esse é o pior dos mundos, pois não bastasse a desfaçatez de cometerem os mesmos erros, ainda tentam
justificá-los dizendo que já foram cometidos anteriormente —e eles condenavam antes o superávit primário e a política de juros altos.
Na condição de deputado de oposição, já no ano passado chamava atenção para a completa mudança do discurso da campanha do PT depois da eleição. E a
opinião pública — o que me deixou de certa maneira apreensivo — não estava atentando para isso. Eu conversava com várias pessoas, inclusive formadores de opinião, políticos, a população em geral e parecia que a mudança radical do discurso da campanha para o governo petista, negando tudo o que haviam dito, era algo normal: “política é tudo igual, estão fazendo o que sempre fizeram”.
Como a economia estava bem, e continua bem, não havia grandes sobressaltos,
mas as conseqüências dessa política cruel, que não tem a compensação devida no campo social, começaram a aparecer. A população começou a perceber o não-cumprimento de promessas como a das três refeições por dia, dos 10 milhões de empregos, do desenvolvimento econômico para os pequenos e microempresários, do aumento do salário para os servidores públicos, do aumento das aposentadorias e pensões. Tudo isso começou a incomodar quando não aconteceu de fato.
Hoje, com o que estamos descobrindo sobre essa corrupção deslavada, a Nação
está efetivamente assustada. Li outro dia que alguns artistas começaram a se manifestar
publicamente contra o governo Lula, dizendo que houve uma mutilação da esperança e, o pior, foram aplaudidos, entusiasticamente aplaudidos.
Ora, a questão é grave e o governo não pode achar que, entregando mais dois
ministérios ao PMDB, irá resolver a questão. Não, o problema é muito maior e muito mais grave.
Para que possamos resolvê-lo, é necessário que os homens públicos que hoje detêm funções em partidos políticos e no governo abram mão do seu interesse pessoal, da sua vida pública, mesmo em detrimento do seu bem-estar pessoal, em favor da Nação, em favor das instituições e dos partidos políticos.
Não podemos permitir que essa crise se afunile mais, que continuem a tratar a
opinião pública com a desfaçatez que hoje presenciamos nas entrevistas, como se nada tivesse acontecendo de grave. Para os petistas, é tudo normal, é tudo passageiro, nada grave. Não existe mensalão, não existe corrupção, não existe aval, não existe dinheiro. Até em relação ao dinheiro, se antes eram 25 milhões, hoje os jornais mostram que a movimentação foi de mais de um bilhão de reais. Aonde isso vai chegar? Quem sabe o que aconteceu tem de ter a necessária responsabilidade e agir, sem esperar que os acontecimentos o façam por eles. É chegada a hora de assumirem sua responsabilidade histórica, não apenas com o País, que assiste a tudo isso, mas também, e principalmente, com seu passado e com os partidos a que pertencem. Eles têm de dar uma demonstração de altivez, abrir mão de seus cargos e exigir que o Congresso Nacional investigue a fundo; que a Controladoria-Geral da União investigue a fundo; que o Ministério Público investigue a fundo; que a Justiça não faça blindagens preventivas.
É preciso que seja feita a apuração para, depois, ser dada a garantia dos direitos constitucionais.”
( da redação com informações do PFL)