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  • 07/01/2025 06h57

    Pela primeira vez desde o fim da segunda guerra, Áustria, terra onde nasceu Hitler, poderá ter um governo de extrema direita

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    Foto: Imagem de Streaming

    O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen (esq.), recebe o líder do FPÖ, Herbert Kickl

    ( Publicada originalmente às 20 h 00 do dia 06/01/2025) 

    Com agências.

    (Brasília-DF, 07/01/2024). Nesta segunda-feira, 6, o presidente  da austria, Alexander Van der Bellen, autorizou o líder da legenda austríaca ultradireitista Partido da Liberdade (FPÖ), Herbert Kickl, formar um governo de coalizão, após forças de centro fracassarem em fazer isso. Austria é o país onde nasceu Adolph Hitler, e é a primeira vez desde o final da segunda guerra que um governo de extrema direita poderá ser montado na Áustria.

    O FPÖ – um partido eurocético e favorável à Rússia fundado na década de 50 por um ex-oficial da força de elite paramilitar Schutzstaffel (SS), de Adolf Hitler – ficou em primeiro lugar nas eleições parlamentares de setembro pela primeira vez na história, com 29% dos votos.

    Os ultradireitistas terão de negociar uma coalizão de governo com o conservador Partido Popular da Áustria (ÖVP), que até a pouco vinha se recusando a sentar-se à mesa com o FPÖ.

    Segunda tentativa de formar governo

    Van der Bellen havia enfurecido o FPÖ logo após a eleição, ao não incumbir a legenda mais votada de formar um governo, uma vez que nenhum outro partido expressou intenção de aliar-se à ultradireita.

    Ele inicialmente atribuiu a tarefa ao ÖVP e ao seu líder, o chanceler Karl Nehammer. A legenda de centro-direita havia ficado em segundo lugar nas eleições. Mas a tentativa de formar uma coalizão com outros partidos centristas fracassou neste fim de semana, o que levou o chanceler a anunciar sua renúncia.

    Nehammer insistia que seu partido não aceitaria governar ao lado do FPÖ, afirmando que Kickl é um teórico da conspiração e uma ameaça à segurança do país.

    Essa postura, porém, pode ter chegado ao fim com a renúncia do chefe de governo. O sucessor de Nehammer, Christian Stocker, disse no domingo que seu partido participaria de uma negociação de coalizão liderada por Kickl.

    "Estamos bem no início. Se formos convidados para essas conversas, o resultado delas estará em aberto", afirmou o governador de Salzburgo, Wilfried Haslauer, um dos principais líderes do ÖVP.

    Se as negociações fracassarem, é provável que sejam convocadas eleições antecipadas no país. As pesquisas de opinião mostram que o apoio ao ultradireitista FPÖ aumentou desde setembro.

    Discordâncias entre centro-direita e ultradireita

    "Primeiro o povo e depois o chanceler", disse Kickl em um post no Facebook na noite de domingo, repetindo o slogan populista utilizado durante sua campanha. O FPÖ já esteve no poder anteriormente como um parceiro minoritário de uma coalizão, mas jamais liderou um governo.

    A questão mais espinhosa nas negociações gira em torno de sobre como reduzir o déficit orçamentário, que deve exceder o limite imposto pela União Europeia (UE) de 3% do PIB em 2024 e 2025.

    Enquanto ambas as partes pedem cortes de impostos, o FPÖ prometeu atacar alguns dos interesses mais caros ao ÖVP. Os dois partidos entram em conflito sobre a oposição do FPÖ à ajuda à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia e em relação aos planos para um sistema de defesa antimísseis.

    Van der Bellen, ex-líder do Partido Verde, de esquerda, disse várias vezes que estará atento para garantir que "pedras angulares da democracia", incluindo direitos humanos, imprensa independente e a filiação da Áustria à União Europeia, sejam respeitadas.

    "Vozes dentro do ÖVP que descartam a cooperação com um FPÖ sob Herbert Kickl se tornaram mais silenciosas. Isso, por sua vez, significa que um novo caminho pode estar se abrindo", disse Van der Bellen neste domingo.

     ( da redação com informações da DW. Reuters, DPA. Edição: Política Real )

     

     

     


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