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Em Tempo Real
  • 24/11/2021 07h59

    Paulo Guedes disse aos deputados que criou Off-Shore para proteger investimentos de tributação nos EUA; deputados dizem que ele fugiu da tributação do Brasil e cometeu crime

    Guedes disse que decisão é legal e tinha que proteger direitos sucessório da família
    Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

    Paulo Guedes deu explicações em sessão conjunta de comissão da Câmara dos Deputados

    ( Publicada originalmente às 14h 30 do dia 23/11/2021) 

    (Brasília-DF, 24/11/2021) O ministro da Economia, Paulo Guedes, falando nesta terça-feira, 23, em sessão conjunta das comissões comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados disse que a decisão de criar a empresa Dreadnoughts Internacional, offshore localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, foi para proteger o patrimônio que tinha nos Estados Unidos e evitar perdas sucessórias. Ele não quis explicar aos deputados e deputados sobre seu patrimônio ma que a decisão tomada em 2014  não gera conflito de interesses para sua atuação como ministro da Economia do Brasil.

    “Não há nada mais claro e transparente do que declarar que tem um parente seu lá e ele não está fazendo nenhuma ação que tem conflito de interesse. O que tinha de conflito de interesse no Brasil foi removido”, disse, explicando que se desvinculou de toda a atuação no mercado privado desde que assumiu o cargo de ministro, inclusive do controle da offshore, conforme exigido pela Comissão de Ética Pública da Presidência,

    “Fiz um depósito lá fora, 2014 e 2015 quando a empresa foi criada o dinheiro foi para lá. Não houve mais depósitos e não houve remessas para o Brasil. Essa ideia que está ganhando, especulou, com dólar subindo, esquece, não existe isso, são recursos que foram e é parte da sucessão familiar”, completou. De acordo com Guedes, os recursos são administrados por uma plataforma independente de custódia e investidos em ativos “que têm zero a ver com o Brasil”, como fundos de longo prazo. “A minha mão [atuação como ministro] não chega lá”, ressaltou.

    Guedes disse que a empresa foi criada por decisão pessoal de investir parte de seu patrimônio no exterior, mas sem estar submetido à cobrança de impostos. “Offshore é um veículo de investimento absolutamente legal”, disse.

    “Por razões sucessórias, se quiser investir alguma coisa nos Estados Unidos, se comprar ações, se tiver uma conta em nome da pessoa física, se você falecer, 46%, 47% são expropriados pelo governo americano. Mesmo sendo estrangeiro, se fizer investimento na pessoa física, todo seu trabalho de vida, em vez de deixar para herdeiros, vira imposto sobre herança e é apropriado pelo governo. Então, o melhor é usar offshore, usar uma companhia que está fora do continente", explicou aos deputados.

    A existência da offshore de Guedes foi revelada em outubro pelo Pandora Papers, investigação de um consórcio internacional de jornalistas com base em documentos vazados de 14 escritórios internacionais de abertura de empresas em paraísos fiscais no exterior. As matérias citam figuras públicas como políticos e até cantores e monarcas.

    “Vou reafirmar que todos os dados foram entregues, seja minha saída da empresa, seja a permanência de familiar como proprietário dos recursos, que é absolutamente uma obviedade. São recursos que pertencem à família, como um patrimônio, foi colocado lá em 2014, não tem nada a ver com a minha atuação como ministro”, reafirmou. “Como eu podia imaginar em 2014 que ia ser ministro em 2019, que ia ser atingido por um covid [pandemia], que ia empurrar [o dólar] ainda mais pra cima?”, questionou, dizendo que não está no governo “por oportunismo”.

    Dólar

    O ministro Guedes negou ainda que tenha atuado para elevar a cotação do dólar. Como os valores depositados na offshore estão em moeda norte-americana, os investimentos se valorizam se o dólar aumenta. “Ninguém lutou mais por um Banco Central independente. O poder de determinar taxas de juros, de trabalhar com o câmbio é o BC que tem. Se eu tivesse interesse em fazer alguma coisa, eu ficava com o BC sob meu comando”, disse.

    Ele apresentou um levantamento que aponta que, nos últimos três anos, o dólar subiu mais de 2% em 27 ocasiões. “Nenhuma pela Economia. Não houve nenhuma declaração da Economia que fizesse subir 2%. Foi covid, Sérgio Moro sai do governo, ex-presidente Michel Temer é preso; política ou doença que foram os eventos mais contundentes”, disse.

    Oposição

    O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) disse os investimentos do ministro podem ser considerados ilegais. “Eu também manteria meu patrimônio fora se eu fosse um multimilionário num país em que o ministro da Economia é o ministro Paulo Guedes. O que a lei diz é que é vedado o investimento em bens cujo valor possa ser afetado por decisão ou política governamental. É vedado o investimento, o mero investimento. Não a gestão do patrimônio em si”, disse.

    O deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que o Guedes fugiu da tributação no Brasil, o que seria “imoral”. “Se o senhor tivesse aplicado aqui no Brasil esse recurso, estaria pagando 15% de impostos. Quanto o senhor está pagando de imposto lá fora? Deve ser próximo de zero. E, se tiver pagando alguma coisa, é para outro país. É isso que o senhor recomenda para os brasileiros?", afirmou.

    ( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)