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  • Contato Brasil, 28 de outubro de 2021 06:01:09
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  • 13/10/2021 07h45

    RECUPERAÇÃO MUNDIAL: Gita Gopinath, economista chefe do FMI, avalia que inflação global só deverá voltar ao patamar anterior a pandemia no meio do ano de 22

    Ela defende que os ricos, na questão ambiental, cumprem os acordo com a política de carbano
    Foto: imagem de Streaming

    Gita Gopinath em declaração sobre o World Economic Outllook do FMI

    ( Publicada originalmente às 11h00 do dia 12/10/2021) 

    (Brasília-DF, 13/10/2021) A economista Gita Gopinath, que é Conselheira Econômica e Diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), assim como economista chefe da instituição – publicou artigo no blog do FMI nesta terça-feira,12, tratando que existe uma clara “recuperação desequilibrada por profundas fissuras” dentro da pandemia do covid-19, porém ela destaca que a comunidade internacional deve enfrentar a questão com prioridade, pois de nada adianta algumas economias se recuperarem e outras não.

    “A pandemia não terminará em lugar algum até que termine em todos os lugares. Se tiver um impacto prolongado – de médio prazo – a Covid-19 pode fazer com que o PIB global fique 5,3 trilhões de dólares abaixo de nossa projeção atual nos próximos cinco anos.”, disse.

    Ela destaca no artigo que está sendo uma reaviação do crescimento mundial em 2021, porém mantém as perspectivas para 2022.

    “Em comparação com nossa previsão de julho, a projeção de crescimento global para 2021 foi marginalmente reduzida para 5,9%, e a projeção para 2022 permanece inalterada em 4,9%. Contudo, essa revisão moderada na previsão global mascara grandes reduções em alguns países. A perspectiva para o grupo de países em desenvolvimento de baixa renda tornou-se consideravelmente mais sombria devido ao agravamento da dinâmica da pandemia. A revisão em baixa também reflete perspectivas mais difíceis no curto prazo para o grupo de economias avançadas, em parte devido a perturbações no abastecimento. Parte dessas alterações é contrabalançada pela melhora das projeções para alguns países exportadores de commodities devido ao aumento dos preços desses produtos. Na maioria dos países, o ritmo de recuperação do mercado de trabalho é muito inferior ao da recuperação da produção, em razão das perturbações relacionadas à pandemia nos setores de contato intensivo.”, disse.

    ( Fonte: FMI, World Economic Outlook - outubro 2021) 

    Inflação

    Gita Gopinath demonstra uma destacada preocupação com a inflação e trata do assunto em alguns momentos.

    “As rupturas no abastecimento representam outro desafio para a política econômica. Por um lado, os surtos da pandemia e as perturbações climáticas resultaram na escassez de insumos essenciais e reduziram a atividade industrial em vários países. Por outro lado, essa escassez da oferta, juntamente com a liberação da demanda reprimida e a recuperação dos preços das commodities, fez com que a inflação dos preços ao consumidor aumentasse rapidamente, por exemplo, nos Estados Unidos (EUA), Alemanha e muitas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. Os maiores aumentos de preços dos alimentos ocorreram nos países de baixa renda, onde a insegurança alimentar é mais grave, exacerbando as dificuldades para as famílias mais pobres e o risco de agitação social.”, diz.

    Ela avalia que a inflação mundial so voltará ao patamar anterior da pandemia em meados de 2022, porém ela avalia que nos países emergentes isso poderá se prolongar a depender das ações dos banco centrais.

    “ A política monetária precisará se equilibrar numa linha bastante tênue entre o combate à inflação e riscos financeiros e o apoio à recuperação econômica. Projetamos que, em meio a incertezas elevadas, a inflação geral volte aos níveis anteriores à pandemia em meados de 2022, tanto no grupo das economias avançadas como nas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. Entretanto, existe uma heterogeneidade considerável entre os países, com perspectivas de resultados mais favoráveis em alguns, como os EUA, Reino Unido e certas economias em desenvolvimento e de mercados emergentes. Embora, de forma geral, a política monetária possa olhar para além da alta transitória da inflação, os bancos centrais devem estar preparados para atuar rapidamente caso os riscos de aumento das expectativas inflacionárias se tornem mais concretos neste território ainda desconhecido da recuperação. Os bancos centrais devem planejar ações contingentes, anunciar acionadores claros e atuar de acordo com essa comunicação.”, disse

    Prioridades

    Ela destaca prioridades econômicas que devem ser enfrentadas a partir do estudo Relatório sobre a Estabilidade Financeira Mundial (GFSR) de outubro de 2021.

    “A prioridade máxima das políticas públicas é vacinar pelo menos 40% da população de cada país até o final de 2021 e 70% até meados de 2022.”, disse.

    Ela aborda a questão climática.

    “Outra prioridade global urgente é desacelerar o aumento da temperatura do planeta e conter os crescentes efeitos adversos da mudança climática. Isso exigirá compromissos mais ambiciosos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26).”, disse.

    Ela defende que os países ricos tem que cumprir a promessa na questão do carbono.

    “Uma estratégia de política que inclua um preço mínimo internacional para o carbono, ajustado às circunstâncias de cada país; um impulso ao investimento público verde e às pesquisas nessa área, bem como transferências compensatórias direcionadas às famílias, pode ajudar a fazer com que a transição energética ocorra de forma equitativa. Igualmente importante, os países avançados precisam cumprir suas promessas anteriores de mobilizar anualmente 100 bilhões de dólares de financiamento climático para os países em desenvolvimento.”, disse.

    Entre as prioridades, Gita Gopinath defende que se enfrente o financiamento das economia endividadas.

    “Além disso, esforços multilaterais coordenados para assegurar a liquidez internacional adequada para as economias em dificuldades, além da implementação mais rápida do quadro comum do G-20 para a reestruturação de dívidas insustentáveis, ajudariam a limitar as divergências entre os países. Aproveitando a alocação histórica de US$650 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES), o FMI está incentivando os países com posições externas sólidas a canalizar voluntariamente seus DES para o Fundo Fiduciário para a Redução da Pobreza e o Crescimento. Além disso, está analisando a criação de um Fundo Fiduciário para a Resiliência e Sustentabilidade, que ofereceria financiamentos de longo prazo para apoiar o investimento dos países em crescimento sustentável.”, afirmou em parte do artigo.

    Ela destaca que nas questões nacionais e os problemas fiscais se deve focar mais na questão da saúde e os auxílios emergenciais devem ser focados na preparação e qualificação da chamada mão de obra.

    “No plano nacional, a combinação geral de políticas deve ser adaptada à evolução da pandemia e às condições econômicas locais, visando atingir o nível de emprego máximo sustentável e, ao mesmo tempo, proteger a credibilidade dos quadros de políticas. Com o espaço fiscal cada vez mais limitado em muitas economias, os gastos com saúde devem continuar a ter prioridade, enquanto os auxílios emergenciais e as transferências precisarão se tornar cada vez mais direcionados, reforçados pela requalificação e pelo apoio à realocação da mão de obra. Conforme melhorem os resultados na área da saúde, a ênfase das políticas deve se concentrar cada vez mais nas metas estruturais de longo prazo.”, disse.

    Veja AQUI a íntegra do artigo.

     

    ( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)