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Nordestinas
  • 11/06/2021 14h20

    CPI DA PANDEMIA: Cláudio Maierovich disse que não gostava do termo “imunidade de rebanho”; Natália Pasternak disse que “imunidade de rebanho” nunca controlou doença no mundo

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    Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

    Natália Pasternak, Randolfe Rodrigues e Cláudio Maierovich

    (Brasília-DF, 11/06/2021) O médico sanitarista Cláudio Maierovich e a microbiologista Natália Pasternak, durante a oitiva nesta sexta-feira, 11, na CPI da Pandemia no Senado deram declarações contra a imunidade de rebanho.  Maierovich se disse contrário a expressão “imunidade de rebanho” e afirmou que o governo deveria ter buscado levar à frente medidas reconhecidas pela ciência.  Enquanto isso, Natália Pasternak disse que em local nenhum do mundo essa estratégia eliminou doença infecto contagiosas.

    “Não gosto do termo "imunidade de rebanho". Não somos rebanho, e não há nenhum coletivo da palavra "gente" ou "pessoa" que seja traduzido como rebanho. Temos multidão, povo, muitos coletivos nos dicionários, e rebanho não é um deles. Rebanho se aplica a animais, e somos tratados dessa forma. Acredito que a população tem sido tratada dessa forma ao se tentar produzir imunidade de rebanho à custa de vidas humanas. O governo se manteve na posição de produzir imunidade de rebanho, com essa conotação toda, para a população, em vez de adotar medidas reconhecidas pela ciência para enfrentar a crise — afirmou Maierovitch, que também chefiou a área de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde de 2011 a 2016.

    Natália Pasternak

    A microbiologista aproveitou a fala de Maierovich para trata do tema.

    “Aproveitando o gancho do meu colega, o Cláudio, a gente nunca erradicou ou controlou uma doença no mundo com imunidade de rebanho; a gente controlou com vacinas. A gente teve a varíola durante milhares de anos na humanidade. Sumiu? Não! Não sumiu. Só sumiu com o processo de vacinação organizado pela Organização Mundial da Saúde, que durou dez anos. E daí a gente conseguiu erradicar a única doença viral até hoje. A gente conseguiu controlar muito bem a pólio, que também não tem remédio, tem vacina. E a gente conseguiu controlar com vacina, mas ainda não conseguimos erradicar. E o motivo pelo qual a gente não conseguiu ainda erradicar a pólio é justamente a atuação de alguns grupos contrários, por diversos motivos, mas que acabam prejudicando a adesão à campanha de vacinação, principalmente em alguns países específicos.

    Mais adiante, em resposta a senadora Kátia Abreu(Progressistas-TO) ela voltou a tratar do assunto.

    “Essa imunidade de rebanho, de deixar todo mundo ficar doente, ela não funciona, ela não é consistente, ela não é estável. A gente sempre vai ver novos surtos, novos picos. A gente pode até ter um controle temporário e muito localizado, mas ele não vai durar. Então, não é uma estratégia efetiva. Imunidade de rebanho é algo que a gente só consegue com vacina, e não simplesmente deixando as pessoas ficarem doentes.”, disse.

    ( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)