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  • Contato Brasil, 14 de novembro de 2019 02:12:06
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Nordestinas
  • 17/10/2019 08h59

    Após Delegado Waldir conceder uma dura entrevista contra o presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro é içado novo líder do PSL

    Mas, de acordo com informações de bastidores, lista de 27 deputados que destituíam Delegado Waldir como líder já estaria suplantada por uma outra com o apoio de 32 parlamentares
    Foto: internet

    Eduardo Bolsonaro poderá ser o líder do PSL

    ( Publicada originalmente às 23h 59 do dia 16/10/2019) 


    (Brasília-DF, 17/10/2019) A crise no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, continua firme. Os últimos episódios da novela movimentaram a liderança da legenda na Câmara. Tudo começou quando, em entrevista coletiva, o atual líder – deputado Delegado Waldir (GO) – denunciara que o presidente brasileiro estaria tentando emplacar seu filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), líder do PSL no lugar do deputado por Goiás.

    Após a explosiva entrevista, que se segue abaixo, uma articulação envolvendo o apoio de 27 deputados do PSL içara o filho do presidente a novo líder. Só que minutos depois  Eduardo Bolsonaro assumir a liderança, o grupo aliado do pesselista goiano anunciava que reunira uma lista com apoio de 32 deputados da legenda. Posteriormente, uma outra lista reiterando que 27 deputados do PSL apoiam o filho do presidente como líder.

    Assim, a liderança do PSL fica em suspenso até a Mesa Diretora da Câmara dos Depuados definir quais das listas de apoiamento terá validade. Julgarão esse caso, o presidente da Câmara – deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), os vice-presidentes Marcos Pereira (Republicanos-SP), o presidente nacional do PSL – Luciano Bivar (PE), além dos secretários Soraya Santos (PL-RJ), Mário Heringer (PDT-MG), Fábio Faria (PSD-RN) e André Fufuca (PP-MA).

    “Respeito todos os deputados, inclusive os deputados que não assinaram a lista. Não quer dizer que são contra o presidente Bolsonaro. Vou deixar bem claro aqui que todos nós somos a favor do presidente. Temos questão de divergência pontuais. Porém, neste momento, eu acredito que com esse problema pontual dentro da liderança do PSL na Câmara, que nada tem haver com o presidente Bivar, com o presidente Bolsonaro, eu estou vindo para – se administrativamente forem reconhecidas as assinaturas – para tentar colocar um pouquinho de panos quentes”, disse o içado a líder Eduardo Bolsonaro.

    O delegado Waldir disse que o Presidente Bolsonaro queria sua destituição.

    “Ele [presidente Jair Bolsonaro] quer a minha destituição da liderança do PSL. É um áudio muito claro, onde o presidente fala das vantagens de ser líder e diz que quer o filho dele, Eduardo, aqui na liderança e que teria o controle de cargos, do fundo partidário. Ele coloca outros itens de quem assumir a liderança, os parlamentares que estiverem com ele podem ter de vantagem”, comentou Delegado Waldir.

    Entrevista

    Abaixo segue a íntegra da entrevista que o ainda líder, Delegado Waldir, concedeu no início da noite desta quarta-feira, 16, sobre a situação do partido e da liderança do PSL.

     

    Imprensa: É o toma-lá-dá-cá?

    Delegado Waldir: Me parece bem claro. Pelo áudio, pelo que ouvi, pelo que outros parlamentares ouviram está bem claro, realmente, que é uma situação preocupante porque o presidente no começo do ano quando assumi a liderança e, em outros momentos, ele sempre disse que não ia interferir no parlamento, ou na escolha do PSL. Eu cheguei à liderança com apoio do filho do presidente. E, neste momento, ele age pessoalmente ao chamar vários parlamentares ao Palácio e ligar, pessoalmente, para vários deputados. E, agora, com essa pressão psicológica desta questão de cargos e outras situações.

     

    Imprensa: E ele está jogando pesado?

    Delegado Waldir: Na verdade, ele quer assumir a liderança. Nós tivemos uma grande preocupação, ontem, quando nós destituímos o líder do governo da comissão dos militares. Existe um grande interesse na reforma [da Previdência] dos militares quando nós tiramos membros de lá e eles ficaram extremamente preocupados porque nós saímos em defesa dos praças, cabos, soldados, sargentos e, isso me parece, traz um impacto financeiro, e os parlamentares que estavam até então na comissão defendiam apenas os oficiais, generais. E nós fomos para essa comissão para a defesa de todos [buscando a] igualdade. Como lá atrás, eu disse, que a reforma da Previdência dos militares é um abacaxi e a gente quis reverter isso agora. Aí isso cria uma grande tempestade. Recebi uma ligação do ministro [general Luiz Eduardo] Ramos para que ele pedia que nós mantivéssemos a votação, retornasse o membro [major] Vitor Hugo para a comissão para que essa votação da [reforma da Previdência] dos militares acontecesse rapidamente.

     

    Imprensa: E o Sr. vai, como o Sr. sentiu aí a reação com os parlamentares da bancada?

    Delegado Waldir: Na verdade, a bancada está água e óleo. Uma grande divisão da bancada e eu vejo que está acontecendo uma grande preocupação do Planalto. Porque há uma ação do presidente da República em humilhar o Sr. Luciano Bivar, um Sr. de 79 anos com conduta ilibada. Ele humilhou esse presidente do PSL. E eu como líder do PSL tinha que sair em defesa. Bastava apenas o presidente pedir desculpas. Mas ele não teve essa humildade de pedir desculpas ao presidente Luciano Bivar. E me parece que ele adivinhou, que tinha bola de cristal, e queria se afastar do PSL. E depois acontece uma semana a operação na casa do presidente Luciano Bivar. A gente só quer o tratamento com igualdade. Não queremos que suspenda nenhuma investigação. Se aconteceu a investigação em relação ao líder do governo, o [Fernando] Bezerra [Coelho (MDB-PE)], o ministro [do Turismo], e continua as investigações. O PSL e o Brasil não pode ter nenhum bandido de estimação. Existem outras pessoas investigadas.

     

    Imprensa: Por exemplo?

    Delegado Waldir: Por exemplo, eu diria o filho do presidente [senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)] aí que, então, a gente, seria importante, transparente. Ele é o presidente do PSL do Rio de Janeiro. Então seria importante prosseguir às investigações, mas infelizmente temos uma decisão neste momento da justiça que impede o levantamento das informações. Tivemos também, em São Paulo, um caso envolvendo um deputado estadual numa ‘rachadinha’. Então a gente fica preocupado e que o tratamento seja igualitário para todas as pessoas.

     

    Imprensa: Em que forma o presidente está pressionando no parlamento?

    Delegado Waldir: O presidente da República está ligando para cada parlamentar [do PSL] e cobrando voto no filho do presidente. Me parece que a oposição vai ficando muito feliz. Porque pelo menos o filho do presidente não vai para Washington. Eu acho que, então, o Senado não vai ter essa preocupação e essa votação. Pela pressão, eles querem que ele [Eduardo Bolsonaro] assuma a liderança aqui do PSL na Câmara.

     

    Imprensa: É desta forma que ele, o presidente Jair Bolsonaro, está interferindo?

    Delegado Waldir: Essa é uma forma direta, não é? Porque em vários momentos ele disse que não interferia no parlamento e nem na escolha do PSL. Mas ele está praticando isso e tomou isso como uma questão pessoal. Respeito a posição dele. É um direito político.

     

    Imprensa: Com relação ao líder do PSL o que está acontecendo?

    Delegado Waldir: Ele está trabalhando a colocação do filho Eduardo Bolsonaro. Fazendo ligações telefônicas.

     

    Imprensa: Ele quer destituí-lo, isso?

    Delegado Waldir: É. Sim, sim. Com certeza. Esse é o caminho.

     

    Imprensa: Como o PSL é uma das maiores bancadas da Casa, como fica a situação das votações enquanto o PSL não se ajustar?

    Delegado Waldir: PSL continua votando com o governo, vai continuar votando e tem assunto que não tem como votar. Por exemplo, esse grupo que está com o Bivar, nós somos defensores da CPI da Lava Toga. Mas o governo é contrário a essa investigação da CPI da Lava Toga. Existem vários assuntos, onde existem polêmicas. E o presidente só acirra essa divisão. Eu peço que o presidente, uma pessoa espetacular, mas nesse momento e foi eleito por mais de 57 milhões de votos, comigo, inclusive, votando e trabalhando no sol nos 246 municípios de Goiás, gritando o nome dele, então, na verdade, ele teria que ter um gesto de humildade.

     

    Imprensa: Você está se sentindo traído, líder?

    Delegado Waldir: Eu fiquei surpreso, só. Porque eu não causei nenhum problema nunca. Talvez, a verdade doa a algumas pessoas. Talvez, a minha transparência e a minha verdade estejam magoando algumas pessoas.

     

    Imprensa: Você está falando de uma lista, que lista é essa?

    Delegado Waldir: Eu não posso revelar números neste momento, mas a gente tem um grande grupo na bancada que é extremamente independente, transparente e que defende o combate à corrupção, que defende o Moro. Então nós somos legalistas pragmáticos. Nós não somos cegos aos problemas que o governo enfrenta em algumas áreas. Inclusive, em algumas situações de combate a corrupção.

     

    Imprensa: E a obstrução de ontem no plenário, isso foi algum recado?

    Delegado Waldir: Não, não. Na verdade, aquela situação foi uma grande fake News, ok? A bancada estava reunida aqui nessa sala da liderança e toda a imprensa estava aqui do lado, os parlamentares não poderiam sair porque estavam reunidos e eu fui até o plenário, lancei obstrução que é uma norma regimental que a gente usa para que o parlamentar não leve falta. E aí, alguns parlamentares, covardemente, lançaram para a imprensa que eu estaria covardemente agindo dessa forma. Há alguns parlamentares, inclusive, o líder do governo. mas não houve obstrução e, logo em seguida, terminada a reunião, fomos para o plenário, votamos a [MP] 886 junto com o governo. Nós somos 98% fiéis ao governo, a bancada do PSL.

     

    Imprensa: E na reunião da executiva vai ter uma reunião para destituir os diretórios do Rio, São Paulo? Como vai se dar isso?

    Delegado Waldir: Nós vamos aguardar a chegada do presidente Luciano Bivar e ele vai decidir em relação aos diretórios estaduais.

     

    Imprensa: Mas é uma decisão dele, Bivar?

    Delegado Waldir: Na verdade, estamos aguardando ele chegar. Ele passou dois dias em Pernambuco, sob efeito de medicamentos, é uma pessoa idosa. A gente tem que pensar na saúde dele. Não queremos fazer nenhuma pressão na saúde dele. Mas, com certeza, eu acredito que decisões importantes irão acontecer no meio do PSL. E ninguém, ninguém, vai tomar o PSL na mão grande. Seja o filho do presidente, o Bivar. Não vão arrombar a porta. Parlamentares que estão em busca do dinheiro do PSL, isso não vai acontecer desta forma. O PSL é transparente. Qualquer um poderá, que estiver assistindo, nos ouvindo, de um google. Estão todas as contas prestadas nos últimos anos lá. E vamos contratar uma empresa para mostrar toda a transparência. Essa semana mesmo, o Bivar mandou no grupo. A advogada recebeu, fez um contrato de R$ 200 mil, dinheiro seu cidadão, a pedido do, essa advogada foi indicada pelo presidente da República, pelo grupo dele, e R$ 200 mil para defender a Adis e foi apresentada uma empresa de compliance também. Mais de R$ 1 milhão, dinheiro seu cidadão. Então é a advogada que defendia o partido e hoje defende apenas o presidente e defende este grupo de parlamentares que seguem essa linha.

     

    Imprensa: Mesmo sabendo que tem um grupo de parlamentares fazendo motim contra o Sr., esses parlamentares não serão expulsos? Como vai ser a convivência?

    Delegado Waldir: Na verdade, a gente não pode dar um presente que eles querem. Eles querem pular do 17º andar do edifício, [que] pulem. Saltem, vão para o suicídio. Mas eu não vou ajudar, eu não vou empurrar. Cada um faz uma escolha, aqui não tem crianças. Todos deputados. O mais bobo aqui é deputado federal.

     

    Imprensa: A suspensão do mandato destes parlamentares pode acontecer?

    Delegado Waldir: Essa é uma decisão do Conselho de Ética do partido. Eu não posso me manifestar. É uma decisão do Conselho de Ética e uma decisão do partido.

     

    Imprensa: Essa decisão sobre os diretórios do Rio e de São Paulo é decisão do presidente Bivar, ou precisa reunir a executiva?

    Delegado Waldir: É uma reunião do presidente Bivar, pessoal dele.

     

    Imprensa: E ele, Bivar, já tomou essa decisão?

    Delegado Waldir: Eu não sei.

     

    Imprensa: E vai ter reunião hoje com ele?

    Delegado Waldir: A gente está aguardando ele chegar. Nós estamos aguardando o horário, local, para a gente bater um papo. Não é uma reunião. É um bate-papo. É um jantar, algo muito tranquilo, para a gente ver qual o sentimento do presidente após a operação.

     

    (por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)