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  • Contato Brasil, 26 de abril de 2018 23:31:37
Genésio Jr.
  • 01/04/2018 11h57

    Elas sabem o seu papel

    Nesse período de calmaria, em Brasília, assisti toda a primeira temporada da série “O Mecanismo”, dirigida por José Padilha, aquele de “Tropa de Elite”, uma produção da Netflix

    A série que está mexendo com o poder( Foto: divulgação)

    (Brasília-DF) Estamos passando a Páscoa. É comum se falar em ressurgimento, renascimento, redefinição, contrição para enfrentar novos momentos, rejuvenescimento! Difícil encontrar isso ao falarmos de nossa política!

    Esses dias foram marcados por prisões e por liberações de personalidades poderosas. Logo no início da semana vamos ter o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, no Supremo. O Presidente Michel Temer foi duramente alvejado com a prisão de amigos próximos e foi exumada investigação que o fragilizará depois de enfrentar duas denúncias rejeitadas pela Câmara dos Deputados. Difícil encontrar razões para ver Lula, Michel Temer ou a nossa vida pública em melhor lençóis!

    Nesse período de calmaria, em Brasília, assisti toda a primeira temporada da série “O Mecanismo”, dirigida por José Padilha, aquele de “Tropa de Elite”, uma produção da Netflix. O pessoal do PT e a ex-presidente Dilma Rousseff detonaram a série que é baseada na “Lava Jato”. Na verdade, todos os partidos e agentes políticos importantes são expostos em “O Mecanismo”.  PT com Lula e Dilma são desmontados. Aécio Neves e Michel Temer, também. Aécio ridicularizado. Temer um mero oportunista. Enfim, a série não cita nominalmente nenhum desses agentes públicos, mas são mais que sugeridos.  A esquerda reagiu duramente, a direita não passou recibo. Uma pena.

    A série merece ser assistida. Uma obra precária, merece muitos reparos no entanto não merece ser jogada na lata do lixo. Ao demonstrar o ‘mecanismo’ da política brasileira moderna, o diretor revela que “desde a redemocratização” o sistema se realimenta de forma circular, tem origem na base da sociedade em que agentes públicos, empresários, políticos, intermediários fazem operar dentro do Estado brasileiro uma máquina que se apropria não só do poder público, mas da própria sociedade.

    Num momento em que passamos por mais uma lembrança do 31 de março de 1964, em que os militares estão cada vez mais presentes em nosso dia-a-dia, são respeitados pela maioria da sociedade temos o dever de avaliar a importância do ‘mecanismo’ no Brasil atual. A obra de Padilha indica que tudo começou com a “redemocratização”. Meio que sugere que não teríamos uma solução para barrar o ‘mecanismo’ revelado e detrator, que não seja com outra coisa, não precisa ser “essa” democracia. A crítica à democracia é radical.

    Os militares que estão na cúpula do poder estão sintonizados com o pensamento nacional mais democrático que a nossa democracia atual. Isso é evidente. A presença do ex-capitão do Exército Brasileiro, o deputado Jair Bolsonaro(PSL-RJ), na corrida presidencial, um claro radical de direita, faz com que  se ressalte mais ainda a importância de uma Forças Armadas equilibrada.

    Como existe a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo desafiando a Justiça, podemos ver como é importante neste momento para o país o outro lado com Bolsonaro.  Não quero parecer, aqui, simpático a nenhum das pré-candidaturas. Não estamos aqui para isso, porém é evidente que esses contrapontos são importantes para darmos mais respeito ao equilíbrio de nossas Forças Armadas.

    Exatamente por existirem esses pêndulos, as Forças Armadas brasileiras se mantém altaneiras frente seu papel constitucional.  Não adianta só saber qual o seu papel, mas é importante que as circunstâncias o justifiquem. “O Mecanismo”  pode até sugerir que isso não seja suficiente.

    Talvez haja alguém ou algo que esteja aprendendo a renascer, rejuvenescer, neste início de abril de 2018.  As Forças Armadas brasileiras.

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: [email protected]