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  • Contato Brasil, 21 de agosto de 2019 17:29:03
Misto Brasília - Por Gilmar Correa
  • 20/05/2019 14h24

    No grito e no truco

    Há um jogo de cena perigoso no universo político, onde falta pouco discernimento e sobra divergência

    Bolsonaro caminha com seguranças após receber populares no Alvorada/Valter Campanato/Agência Brasil

    A semana começa sob a expectativa de uma convocação popular para apoiar o governo Bolsonaro no próximo domingo (26). A ideia original era essa no final da semana passada. Os motivos para a manifestação estão mudando de acordo com o vento político. E talvez um “tsunami” no decorrer desses sete dias acabe de vez com o projeto. O termômetro estará especialmente no Congresso Nacional e no barulho das redes sociais.

    Muita gente do staff ideológico do presidente da República percebeu que o governo não tem, literalmente, nada para apresentar nesses cinco meses de administração.

    O melhor desempenho foi nas vendas de estatais, que está nas mãos do Ministério de Infraestrutura que num futuro não muito distante poderá desaparecer. Falamos da reforma administrativa que morre na praia nas próximas duas semanas.

    Só por um milagre ou por muita conversa no estilo da “velha política”, a Medida Provisória que reduz de 29 para 22 ministérios poderá ser aprovada como veio ao Congresso Nacional. É mais provável que a proposta caduque por decurso de prazo.

    O governo Bolsonaro está numa crise, não por conta da oposição, mas dos próprios apoiadores. Nas palavras do velho cacique da velha política, José Sarney, “o presidente está no meio de um furacão”. Mesmo dentro do PSL, partido de Bolsonaro, não há consenso sobre quase nada e na disputa por espaços, a guerra se trava com o Democratas, cujo principal alvo é o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

    As contas não fecham na economia e mais cortes de custeio vão alimentar mais críticas. A economia está andando de ré e as reformas que tanto se fala não saem do discurso. O cabo de guerra está bem esticado e nesta altura da beligerância, o presidente afirma (através de um texto apócrifo) que o país é ingovernável sob as atuais circunstâncias. Por baixo, mira no confronto.

    Não queremos uma Venezuela e as ameaças que pairam sobre a Argentina, só para citar o que disse Bolsonaro. O presidente não é adolescente desocupado. E mais uma vez vale a experiência do Sarney: a cadeira de presidente não se adapta ao presidente, mas o presidente se adapta à cadeira.

    E vamos com esta segunda, porque o barulho vai ser grande neste jogo de truco espanhol com baralhos franceses.