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  • Contato Brasil, 27 de junho de 2019 06:01:51
Misto Brasília - Por Gilmar Correa
  • 24/04/2019 14h18

    Crises de fumaça e crises reais

    Polêmicas geradas em gabinetes consomem a energia e tiram de foco para os reais problemas nacionais

    Os problemas do Brasil são mais reais que as crises geradas em gabinetes/Arquivo/Supercon

    Nos últimos quatro ou cinco anos, os brasileiros assistiram a inúmeras “crises” que, de fato, não envolveram a maioria da população. Grande parte das chamadas crises republicanas foram gestadas em gabinetes. Ganharam as ruas através da Imprensa e das redes sociais que consumiram tempo, dinheiro e paciência.

    Desde janeiro, por exemplo, assistimos a uma série dessas polêmicas. É fumaça para encobrir os verdadeiros problemas que o Brasil atravessa em décadas e que, por uma série de situações, tornam-se cada vez piores.

    Estamos escravizados por debates inócuos produzidos pelo que eu chamo de “elite branca”, os mandantes que vivem no alto da pirâmide.

    Eis algumas dessas poeiras, um nhém nhém nhém – ou mi mi mi - sem fim e sem propósito que ganham importância:

    01 – Olavo de Carvalho-Hamilton Mourão-Carlos Bolsonaro. Esse bate-boca nos órgãos de comunicação e nas redes sociais é uma fofoca. Nada produz, nada conduz.

    02 – A pseudo doutrina no Ministério da Educação, que atrasa a verdadeira educação, avanços e investimentos na área.

    03 – A briguinha Rodrigo Maia-Jair Bolsonaro – que mais parece “briga de comadre”

    04 – A “crise” do Judiciário com seus ministros que falam demais e o abafa geral das corporações jurídicas.

    05 – O cavalo-de-batalha contra o socialismo. Socialismo?

    A real crise está estabelecida nos hospitais, com um sistema público quebrado, onde milhares choram por atendimento.

    A real crise está na segurança pública, onde o clima é de medo e insegurança. O sistema de segurança está tão quebrado e malversado que a tese de armar a população ganha força.

    A real crise é a situação da educação, com escolas ruins, ensino péssimo, professores desmotivados, insegurança dentro da sala de aula e baixíssimos níveis de aprendizado.

    A real crise é a falta de propostas e ações para gerar empregos em um País com quase 14 milhões de pessoas (oficialmente) sem carteira assinada, onde a economia patina há mais de quatro anos e as perspectivas futuras são bastante desanimadoras.

    A real crise está na falta de estrutura de transporte público - cada vez pior. Na Capital da República que deveria ser exemplo de eficiência em mobilidade, o número de ônibus diminuiu nesta década, enquanto a demanda de passageiros triplicou.

    A real crise está no Parlamento e na política partidária com seus mais de 70 partidos (30 legalizados) ou na qualidade ruim dos eleitos, que perdem meses uma infindável discussão sobre a necessidade ou não de uma reforma na Previdência Social, deixando de lado o debate sobre as demais reformas.

    A crise está na economia estagnada com pouco ou quase nenhum investimento – ou mesmo anúncios de propostas para alavancar o setor.

    A real crise é esta pasmaceira dos governos - municipais, estaduais e federal - que não têm capacidade de reverter uma situação caótica e que pode ficar pior.

    Estamos num jogo perigoso de faz-de-conta, com polêmicas idiotas e infrutíferasque ganham espaço nos veículos de comunicação (que igualmente vivem uma crise de fato real) e nas redes sociais.

    Seria conveniente que o Governo e atores políticos do País produzissem menos “memes” nas redes sociais e mais debates concretos sobre a real situação socioeconômica do Brasil. Parece que há uma aposta do “quanto pior, melhor”. Debates genéricos, infinitos e, certamente, improdutivos.