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  • Contato Brasil, 19 de agosto de 2018 16:39:41
Misto Brasília - Por Gilmar Correa
  • 11/06/2018 14h35

    Entre gaiolas e inércia

    Prefeitos reclamam da falência; Congresso pode criar mais 400 municípios e a crise do abastecimento

    O Brasil de olho no Cogresso e os congressistas de olho nas urnas eletrônicas/Arquivo/Agência Senado

    O governo acordou tarde e parece que ainda dorme em berço esplêndido enquanto começa o desabastecimento em várias partes do Brasil. A paralisação dos caminhoneiros, que começou na segunda-feira (21), começa a dar sinais diretos com a falta de combustíveis e alimentos.

    O Brasil é um país que roda sobre pneus. Claro, quem paga o pato é a população. A falta de uma política para o transporte e a desativação das ferrovias que se deu a partir da década de 1960, mostra como as administrações públicas levam a sério planos estratégicos de médio e longo prazo. O transporte público é um exemplo acabado dessa falta de entendimento. Entra governo e sai governo e a insensibilidade continua, independente de partido ou de gestores.

    Feita esta introdução, eis o que está acontecendo rapidamente.

    01 – No Congresso Nacional o ano legislativo já foi para o espaço. Há tentativas de votações, mas parece que os parlamentares só tem olhos para a reeleição. Nessa batida, a Medida Provisória 814, que trata das alterações no setor de energia elétrica, bem como a Eletrobras e suas subsidiárias, foi retirada de pauta. O projeto sobre o mesmo assunto também deve ficar no caminho.

    02 – Como diz a Helena Chagas, a troca da Cide pela reoneração da folha passa pelo que Eunício Oliveira (Senado) e Rodrigo Maia (Câmara) não conseguiram fazer nos últimos meses, que é, finalmente, retirar de diversos setores da indústria o benefício da desoneração da folha de pagamento.

    03 – Pesquisador Mikkal Herberg, especialista em petróleo, diz que o mercado global de petróleo continua pressionado, e as cotações subirão ainda mais neste ano, ampliando a pressão de consumidores por ações governamentais para conter os preços dos combustíveis. E por falar em consumidor, aqui em Brasília o litro da gasolina subiu de ontem para hoje dez centavos.

    04 – E como diz Bernanrdo Melo Franco, o Henrique Meirelles sempre sonhou em se aventurar numa corrida presidencial. Não imaginou que receberia um carro batido, com os pneus furados e na última posição do grid. A pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda seria uma insistência do presidente do MDB, o senador Romero Jucá (RR).

    05 – Nas articulações políticas, Lula da Silva ainda continua insistindo com sua candidatura. O discurso de uma perseguição política caiu por terra com a negativa da ONU feita pela defesa para que o ex-presidente fosse solto. Lula está preso desde o dia 7 de abril na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Em carta aos prefeitos, ele escreveu que “deixem o povo decidir quem será o próximo presidente”. Nisso ele tem razão. E como disse José Simão, só resta à defesa de Lula da Silva recorrer aos Guardiões da Galáxia.

    06 - Prefeitos chegam em Brasília para mais uma Marcha dos Prefeitos. Vieram, como sempre, gastar o dinheiro público com festas e no tempo de folga, entre conversas com parlamentares, pedir dinheiro para as prefeituras. Enquanto dizem que os paços municipais estão falidos, há um forte movimento para criação de mais 400 novos municípios. Esses políticos vivem mesmo no mundo da Lua.

    07 – Parece que o primeiro tucano vai para a gaiola. Daqui um pouco vão chamar o Ibama (leia-se o Gilmar Mendes, minisro do STF) para soltar o ex-governador Eduardo Azeredo.