Saiba quem é Kevin Warsh o economista indicado para comandar o FED que Trump faz elogios mas que precisa manter a autonomia do Banco Central dos EUA
Warsh também tem fortes laços familiares com o círculo de Trump. Seu sogro, o empresário bilionário Ronald Lauder, é um doador e aliado de longa data de Trump
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(Brasília-DF, 30/01/2026) Veterano de Wall Street, Kevin Warsh tem 55 anos e já foi membro do Conselho de Governadores do Fed, o colegiado que comanda a instituição, entre 2006 e 2011. Mais recentemente, contudo, vinha disparando uma série de críticas contra o banco central americano.
Ele é membro do Hoover Institution, uma instituição de tendência conservadora voltada à discussão de políticas públicas, e integrante do conselho da empresa de logística UPS.
O economista teve uma reputação relativamente "hawkish" (linha dura), como diz o jargão do mercado, em seu primeiro mandato como membro do Conselho de Governadores do Fed, o que significa que ele tendia a favorecer taxas de juros mais altas e concentrava o foco da política monetária no controle à inflação.
Mais recentemente, contudo, passou a ser visto como uma voz que apoiaria um corte de juros no curto prazo, algo que Trump tem defendido desde que voltou à Casa Branca.
"Ele acha que é preciso reduzir as taxas de juros", disse o presidente ao jornal americano Wall Street Journal em dezembro. "E todos com quem conversei também acham."
Warsh também tem fortes laços familiares com o círculo de Trump. Seu sogro, o empresário bilionário Ronald Lauder, é um doador e aliado de longa data de Trump.
Ao analisar a indicação, a editora adjunta de economia da BBC Dharshini David aponta que Warsh é um caso "raro que parece agradar tanto ao presidente quanto a investidores".
"Warsh acredita que as taxas de juros deveriam estar em patamar mais baixo que o atual e que a revolução da inteligência artificial pode ajudar a conter as pressões inflacionárias — alinhando-se com o presidente", escreve David.
Ao mesmo tempo, ela prossegue, alguns investidores acreditam que o histórico da carreira do economista, com posicionamentos que endossavam o controle mais rigoroso da inflação, sinalizam que ele pode ter uma abordagem pragmática à frente do Fed.
Caso seja confirmado pelo Senado, onde, ainda segundo David, há resistência à nomeação de um novo presidente enquanto a investigação sobre Powell estiver em andamento, ele "precisará provar sua credibilidade aos mercados, lidando com a pressão política para cortar as taxas de juros em meio a um mercado de trabalho em desaceleração — enquanto também tenta equilibrar a necessidade de conter a inflação".
"Economistas sugerem que Warsh pode optar por não pressionar por cortes nas taxas de juros imediatamente, para enfatizar que a independência do banco central americano foi mantida", ela completa.
( da redação com BBC. Edição: Política Real)