Donald Trump anunciou que pediu a Vladimir Putin que cesse os ataques na Ucrânia por uma semana devido ao frio extremo; a arma do “inverno infernal” é uma velha tática de Moscou
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(Brasília-DF, 29/01/2026) Nesta quinta-feira, 29, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse durante uma reunião de gabinete em Washington que pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, que não atacasse a capital ucraniana por uma semana devido ao frio extremo.
O pedido de pausa ocorre em meio à tática de longa data da Rússia de atacar a infraestrutura energética da Ucrânia, particularmente durante os invernos rigorosos, na guerra que já dura quase quatro anos.
"Pessoalmente, pedi ao presidente Putin que não atacasse Kiev e as cidades vizinhas por uma semana, e ele concordou", disse Trump durante a reunião, atribuindo seu pedido ao "frio extraordinário".
A Rússia não comentou sobre nenhum cessar-fogo ou pausa nos ataques, e os comentários de Trump não deixaram claro quais "cidades vizinhas" poderiam ser abrangidas por uma possível anistia.
"Muita gente disse: 'Não desperdice a ligação. Você não vai conseguir isso'", disse Trump. "E ele concordou. E estamos muito felizes que eles tenham concordado."
As temperaturas já baixas na região de Kiev devem cair acentuadamente por um período prolongado a partir de sexta-feira, com mínimas noturnas abaixo de -20 graus Celsius (-4 graus Fahrenheit) previstas para quatro dias consecutivos a partir de sábado.
Frio ao invés de diplomacia
O porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Steffen Meyer, descreveu neste mês os ataques contra a infraestrutura energética como "profundamente desumanos e desprezíveis da vida humana". "Em nossa opinião, a Rússia de Putin está cometendo crimes de guerra."
Já Zelenski vem acusando o Kremlin de não permitir que a diplomacia liderada pelos Estados Unidos trabalhe em direção a uma resolução para o conflito. Os dois lados atualmente negociam um possível acordo de paz .
Para analistas, o objetivo do governo russo é forçar a Ucrânia a aceitar a paz em seus termos. "Em vez de concordar com um cessar-fogo ou oferecer concessões, Putin usa o terror como ferramenta de negociação para garantir a rendição da Ucrânia," escreveu ainda a pesquisadora.
À época da ofensiva invernal que deu início à guerra, analistas especularam que o Kremlin esperasse que o frio fosse também contribuir para uma atmosfera mais favorável na União Europeia (UE). A previsão era de que a dependência do gás russo, que aquecia parte das casas europeias, freasse o apoio à Ucrânia.
Mas um inverno ameno, apesar do aumento dos preços da eletricidade, frustrou o provável cálculo de Putin. A UE ganhou tempo para ensaiar a substituição da participação russa no fornecimento de gás, que já caiu de 40% para 13%. Nesta semana, o bloco aprovou uma regra para banir todas as importações de gás russo até 2027.
Frio como arma
Apelidada de "General Inverno" na Rússia, a estação gelada do Leste Europeu se consagrou como aliado histórico de Moscou contra outros exércitos, do napoleônico ao nazista . Hoje, ela é usada pelo presidente Vladimir Putin contra civis em vários cantos da Ucrânia, provocando demandas urgentes e acumulando danos difíceis de rapidamente reparar.
O resultado tem sido uma degradação geral do sistema de energia da Ucrânia, o que resultou em cortes rotativos na maioria das regiões do país, que rotineiramente duram até 18 horas por dia nos últimos meses.
Ação premeditada
A ofensiva contra o fornecimento de eletricidade e aquecimento escalaria ainda no fim do ano passado e, sobretudo, a partir deste janeiro, à medida que baixavam os termômetros. Desde outubro, pelo menos 20 regiões foram alvo de ataques.
Já não há "uma única central elétrica na Ucrânia que não tenha sido atingida pelo inimigo desde o início da guerra", disse ao Parlamento o ministro da Energia ucraniano, Denys Shmyhal, conforme reportou a mídia independente local.
Segundo ele, 612 ataques russos miraram a infraestrutura energética no ano anterior, e o ritmo dos ataques vinha aumentando. "Milhares de megawatts de capacidade de geração foram destruídos."
( da redação com AFP, AP, DW, DPA, Edição: Política Real)