31 de julho de 2025
CONTAS PÚBLICAS

Fernando Haddad, ao comentar o déficit recorde em 2025 nas contas, disse que herdou um déficit de 1,6% do PIB e que hoje tem um déficit de. 0,48% do PIB

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Por Política Real com assessoria
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Fernando Haddad fala aos jornalistas à porta do Ministério da Fazenda Foto: imagem de streaming

(Brasília-DF, 29/01/2026) Na conversa com os jornalistas nesta quinta-feira, 29, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou sobre o resultado fiscal negativo de R$ 61 bilhões que teria sido recorde. Haddad disse que o atual governo herdou um déficit público de 1,6% do PIB e hoje está em 0,48% do PIB.  Ele se vai continuar trabalho o risco fiscal para garantir um bom ciclo para redução de juros.

“O nosso objetivo é continuar reconstruindo as contas públicas, que desde 2015 não foram cuidadas, agora nós estamos cuidando e reconstruindo um resultado primário compatível com as necessidades do Brasil, o que vai permitir que esse ciclo de juros, de corte de juros que se inicia agora, tenha sustentabilidade até atingir um patamar adequado. “, disse.

Confira os momentos da conversa de Haddad com os jornalistas sobre resultado fiscal e juros:

 

Jornalista: Ministro, a gente tem algumas perguntas, assim. Nesse momento tem a divulgação do resultado fiscal do ano passado. Tem um déficit de R$ 61 bilhões, R$ 48 não entraram nessa conta e o resultado...

 

Haddad: Não entraram.

 

Jornalista:  É, não entraram nessa conta desse R$ 61 bilhões e aí tem um déficit de R$ 13 bilhões. O que eu entendo é o seguinte, para esse ano agora de 2026, a gente tem um outro objetivo diferente desses dois últimos anos. O senhor acha que dá para chegar lá?

 

Fernando Haddad:  Olha, nós herdamos um déficit do governo anterior de 1,6% do PIB.

 

Se nós consideramos a peça orçamentária que foi encaminhada, mais o calote dos precatórios, mais o reajuste do Bolsa Família que não foi previsto na peça orçamentária.

 

Nós herdamos um déficit de 1,6% do PIB. Nós tivemos o ano passado um déficit de 0,48% do PIB, ou seja, menos de 0,5%.

 

Foi uma redução de 70% do déficit público. Por quê? Por contenção de despesa, por um lado, e por corte de gasto tributário, de subvenções, subsídios, que eram, na verdade, benefícios fiscais para grandes empresas que não se justificavam mais. E nós acabamos com muita coisa disso e conseguimos esse resultado.

 

O nosso objetivo é continuar reconstruindo as contas públicas, que desde 2015 não foram cuidadas, agora nós estamos cuidando e reconstruindo um resultado primário compatível com as necessidades do Brasil, o que vai permitir que esse ciclo de juros, de corte de juros que se inicia agora, tenha sustentabilidade até atingir um patamar adequado.

 

Porque o juro no Brasil não está em um patamar adequado. Mas se nós continuarmos perseguindo esses objetivos, esse ciclo de corte de juros pode ser um ciclo longo e muito benéfico para a economia brasileira, crescimento e tal, e também para que a dívida se estabilize e, do meu ponto de vista, com o crescimento, ela vai crescer e cair, como aconteceu nos dois mandatos do presidente Lula, em que ele herdou uma dívida gigantesca e entregou uma dívida 30%, 40% menor. Ela estava acima de 60% do PIB, foi entregue abaixo de 40% do PIB.

 

Então eu tenho muito em vista esse tipo de instrumento para nós conseguimos fazer com que o ciclo de corte de juros seja sustentável.

 

Jornalista:  Então há uma expectativa de queda na inflação agora a partir de março? Há essa expectativa mesmo, né, ministro? A queda na inflação diminui os juros.

 

Fernando Haddad:   A inflação em quatro anos vai ser a menor da nossa história, de todos os tempos. A menor da nossa história. Então nós colocamos a inflação em um patamar como ela nunca teve na história do Brasil, em quatro anos, que é o que conta, porque às vezes a inflação de um ano pode ser mais baixa, mas a inflação de quatro, acumulada, é a que conta para saber se nós tivemos aí um ciclo virtuoso.

 

E eu penso que a inflação e desemprego em baixam, e juro agora, embaixam, perseverando nos ajustes, porque a gente não pode abrir mão de fazer o que precisa ser feito em termos de reconstrução das contas públicas. E isso vai ser feito, vai ser feito esse ano.

 

Você vê que todo ano o mercado começa o ano dizendo, não vai cumprir meta, vai mudar meta, aí quando cumpre não comemora, tem que comemorar.

 

Jornalista: Ministro, qual o grau de insatisfação do governo em relação à taxa de juros, que ainda não baixou, mas sinalizou que pode baixar?

 

Fernando Haddad: Não, a sinalização é importante. Os especialistas estavam um pouco divididos, né?

 

Alguns dizendo que tinha que começar a cortar ontem, e outros dizendo que deveria começar a cortar em março, né? Estavam um pouco divididos. E a essa altura, o que conta é que foi começar a cair a taxa de juros.

 

Jornalista:  Então você está otimista?  Manter a taxa não é muito preocupante nesse momento?

 

Fernando Haddad: Não, é bem, de novo, você pode dividir em Fla-Flu, tem gente que queria que caísse ontem, né? Ou começasse a cair ontem. Mas o fato de ter uma sinalização de que o ciclo de corte vai ter início, né? E fazendo essa compatibilização do fiscal com o monetário, nós vamos corrigir um problema de uma década finalmente.

 

( da redação com informações de assessoria, IA. Edição: Política Real)