Depois que Dilma Rousseff disse que a história de Rubens Paiva só pode ser contada por conta da “Comissão da Verdade” criada por ela, Fundação FHC questiona e diz que em 1996 foi emitida a certidão de óbito do “desaparecido”
Veja mais
( Publicada originalmente às 19h 40 no dia 04/03/2025)
(Brasília-DF, 05/03/2025). No domingo, 2 de março, após o filme “Ainda Estou Aqui” ganhar o prêmio “Oscar” por melhor filme estrangeiro, a ex-presidente Dilma Rousseff saudou a conquista da cultura brasileira, diretor Walter Salles, às atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, ao ator Selton Mello e a toda a equipe do filme. Após essa saudação ela destacou que a história “pôde ser contada graças ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que criei durante meu governo para investigar os crimes da ditadura.”.
Na tarde desta terça-feira, a Fundação Fernando Henrique Cardoso, que funciona como uma verdade “Think Tank” e que atua para zelar pelo legado do governo do ex-presidente também saudou a conquista do filme, destacou o trabalho da Comissão da Verdade, mas lembrou que a história é um trabalho conjunto e que no Governo de Fernando Henrique, em 1996, foi emitida a certidão de óbito de Rubens Paiva, oficializando o seu “desaparecimento”.
Postagens de Dilma Rousseff:
“O Oscar de Melhor Filme Internacional para Ainda Estou Aqui é um reconhecimento da força da cultura brasileira. Uma homenagem merecida ao nosso cinema, ao diretor Walter Salles, às atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, ao ator Selton Mello e a toda a equipe do filme.
Nossa emoção é ainda maior porque a premiação celebra uma obra que presta tributo à civilização, à humanidade e aos brasileiros que sofreram com a extinção das liberdades democráticas, lutando contra a ditadura militar.
É motivo de orgulho saber que a história de Rubens Paiva e de sua família — especialmente a busca incansável de Eunice Paiva pela verdade e pela justiça — pôde ser contada graças ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que criei durante meu governo para investigar os crimes da ditadura.”, disse.
Confira a nota da Fundação Fernando Henrique Cardoso em que é destacado que a história não se constrói do zero e que foi na época de FHC que a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos, criada em 1995 pelo ex-presidente que foi o primeiro a reconhecer as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. Em 1996, foi emitida a certidão de óbito de Rubens Paiva, oficializando o seu “desaparecimento”.
Nota:
“A ex-presidente Dilma tem razão em ressaltar a importância da Comissão da Verdade, criada em seu governo, para a revelação de violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Compartilhamos com ela e milhões de brasileiros a alegria pelo merecido reconhecimento internacional do filme “Ainda Estou Aqui”, que conta a história do sequestro, tortura, assassinato e ocultação do cadáver de Rubens Paiva.
A ex-presidente, porém, deixa de mencionar que, antes da Comissão da Verdade, houve a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos, criada em 1995 pelo ex-presidente
@FHC, o primeiro a reconhecer as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. Em 1996, foi emitida a certidão de óbito de Rubens Paiva, oficializando o seu “desaparecimento”.
A Comissão da Verdade permitiu que, por decisão do CNJ, em dezembro de 2024, da certidão de óbito passasse a constar referência às circunstâncias “violentas, causadas pelo Estado brasileiro” que levaram à morte do ex-deputado.
Na história, não se constrói nada do zero.”.
( da redação com redes sociais. Edição: Política Real)