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  • Contato Brasil, 14 de novembro de 2019 01:23:18
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Nordestinas
  • 10/10/2019 07h48

    PANOS QUENTES: Major Olímpio e Delegado Marcelo Freitas saem em defesa de Bivar, ao mesmo tempo, que garantem que presidente Bolsonaro fica no PSL

    Para o senador quem tem que sair da legenda são os filhos do presidente; “não dá para o partido comungar com a conduta do Flávio, do Eduardo. Se forem embora os dois, é um favor que fazem hoje”, disparou
    Fotos: sites O globo, Ag. Senado e Metropolis

    Major Olímpio ainda vê Bolsonaro no PSL

    ( Publicada originalmente às 19h 20 do dia 09/10/2019) 

    (Brasília-DF, 10/10/2019) Dois importantes parlamentares do PSL, deputado Delegado Marcelo Freitas (MG) e o senador Major Olímpio (SP), já entraram em cena para instrumentalizar uma espécie de operação panos quentes para diminuir a tensão entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, com o presidente do seu partido, o deputado Luciano Bivar (PE), 2º vice-presidente da Câmara.

    Segundo ambos, tanto o pernambucano Bivar continuará à frente do PSL, como o presidente da República continuará ligado a legenda que se filiou em março de 2.018 para concorrer ao Palácio do Planalto. O atrito entre ambos ganhou força quando recepcionado por apoiadores na saída do Palácio do Alvorada nesta última terça-feira, 08, Bolsonaro afirmara para seus aliados esquecerem o PSL e que o presidente da legenda estaria “queimado pra caramba”.

    Após a repercussão da declaração do presidente brasileiro, Luciano Bivar – presidente do PSL desde a fundação do partido em 1.998 – disse nesta quarta-feira,  9, em entrevista à jornalista Andrea Sadi, do G1, que Bolsonaro “já está afastado” da legenda por conta da sua fala considerada como “terminal”. “[Ele] não disse para esquecer o partido? Está esquecido”, comentou.

    Entretanto, após a manifestação de Bivar, Jair Bolsonaro voltou a falar sobre o imbróglio que toma conta do PSL em entrevista ao site Antagonista. Dizendo que se depender somente dele, não deixará “de livre e espontânea vontade” a sigla partidária da qual foi eleito e que não vai “entrar nessa briga” com o presidente nacional do PSL. A declaração de Bivar “é um direito dele”. Mas lembrando que se sair, “a tendência do PSL é murchar”. “Se eu sair, é natural que muita gente saia também”, comentou o presidente brasileiro.

    Luciano Bivar(PE), presidente nacional do PSL

    Sem saída de Bolsonaro e Bivar fortalecido

    Repercutindo as declarações, o deputado Delegado Marcelo Freitas disse que todo esse enrosco não passa de “desencontro” de informações. “Eu acredito que esse desencontro se deve em parte pela maneira espontânea do nosso presidente, mas ontem nós tivemos várias reuniões e acreditamos que tudo isso vai convergir para um caminho melhor”, falou.

    Reconhecendo problemas na legenda, como o indiciamento do presidente estadual do PSL mineiro, o ministro do Turismo – Marcelo Álvaro Antônio, pela Polícia Federal na investigação que apura possível desvio de recursos eleitorais destinados às candidaturas femininas para atender o financiamento da legenda -  Freitas confessa que alguns pontos problemáticos do partido precisam ser corrigidos.

    “É claro que o nosso partido apresenta alguns problemas internos e esses problemas estão sendo depurados a cada dia. Ontem conversando com o presidente Luciano Bivar, ele sabe que realmente há alguns problemas e tem toda a disposição para continuar firme com o governo. Então não há nenhum propósito de se alterar qualquer mudança de rumos do PSL. O PSL é governo, vai continuar governo e, agora, a pouco o nosso presidente já manifestou publicamente que não sai do PSL, permanece no PSL e está firme com a gente”, complementou.

    “Eu acho que ele [Bivar] não forçou a barra. Eu acho que é só um desencontro de informação. O presidente da República acabou de se manifestar que não sai do PSL. O presidente Bivar não fará nenhuma força para que o presidente da República saia. Acho que é o desencontro de informação e, no final das contas, tudo vai se ajustar com a conversa breve entre o presidente da República com o presidente do partido. Não vejo dificuldades neste sentido. Isso faz parte do engrandecimento institucional”, completou.

    A hora é de conversar e defender o partido

    Na mesma linha, Major Olímpio também se manifestou. Ele acredita que tanto o presidente Jair Bolsonaro se manterá na legenda, como Bivar será mantido como presidente nacional do PSL que a partir de 2.020 passará a ter o maior orçamento do fundo partidário e eleitoral devido ao alcançar o desempenho nas eleições de 2.018.

    “Eu não acredito. Eu acho que nós temos que avançar. O momento é de se conversar. Eu acho que a resposta do presidente do partido, o Bivar, foi na defesa do partido, na dignidade do partido e ao respeito que o partido merece. O presidente é filiado ao partido. Ele é o nosso ícone maior. Eu acho que se existe alguma situação de desconforto, que se manifeste. O Bivar disse: eu não sei qual é a razão disso. Nós não sabemos qual foi a razão. Então não há de se [fazer] um cavalo de batalha em cima disso. Em cima de todos os partidos políticos você vê grupos, vê que pessoas tem posicionamentos diferentes. O que desagradou o presidente?”, iniciou o senador.

    Filhos e advogada atrapalham o presidente e o PSL

    Olímpio não poupou os filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Assim como a advogada Karina Kufa, que seria ligada a família Bolsonaro e que nesta quarta foi desligada do partido por decisão de Bivar.

    Eduardo e Flávio Bolsonaro deveriam sair do PSL, diz Major Olímpio

    “A Karina não é filiada ao partido. Se ela prestava serviço ao partido, ou é [ligada ao] Jair Bolsonaro, o presidente tem que dar condições de ela ser advogada. Ela não é interventora do partido, então ela passou da conta aonde tinha as suas obrigações funcionais. Agora não dá, às vezes para o partido, comungar com a conduta do Flávio, do Eduardo. O Eduardo está destruindo o partido em São Paulo. Eu vou ficar quieto? Não vou. Rompi com o presidente? De jeito nenhum. Vou continuar defendendo o presidente, mesmo que ele saia do partido. Vou continuar fazendo a defesa nos mesmos princípios e nos mesmos ideais”, comentou.

    “Se sair o Flávio é um favor. E acho que para o PSL também. Se forem embora os dois, é um favor que fazem hoje. Uma coisa é apoiar o presidente. Outra coisa é essas idiotices que fazem. O Eduardo em São Paulo, o outro aqui que é o iluminado no Senado querendo dar ordem para gente para retirar assinaturas. Eu não sou moleque e já escolhi o meu lado a vida e da lei a muitos anos”, complementou.

    Requisição de mandatos dos que deixarem o PSL

    Olímpio mandou, ainda, um recado para os parlamentares que pretendem deixar o PSL por conta destes últimos acontecimentos.

    “Algumas pessoas têm que conhecer lei eleitoral [e] estatuto do partido. O mandato é do partido. O [Alexandre] Frota [hoje no PSDB] não perdeu o mandato porque foi uma votação dentro da executiva para abrir mão do mandato dele. Foi uma decisão. [...] É o mandato. Tem uns caboclinhos que falam ‘eu vou sair, vou para o partido X’. Não tem mais legislação eleitoral? [Então] cria uma janela particular e vamos embora. Vai. Não vai fazer falta não. Nós vamos requerer no momento [que sair] ao TSE e o suplente assume. Vai embora”, provocou.

    Marcelo Freitas foi relator da reforma da Previdência na CCJ da Câmara

    “É preciso conhecer legislação partidária no Brasil. Entendeu? Tem gente brincando em criar partidos. Você acha que [é fácil] conseguir fundar um partido em nove estados com 490 mil assinaturas? Então, se alguém vendeu ilusões para o presidente, ‘olha vamos criar o Conservador’, sabe, eu disse brincando, mas é uma verdade, se o presidente sair do partido é morar sozinho e fugir de casa, mas a casa é sua. Entendeu? Então, o presidente, ele é o nosso ícone maior. Se ele tem alguma coisa, algum desconforto, manifesta esse desconforto. Não tem nada do que o partido deixou de atender o presidente”, completou.

    Apoio incondicional a Bivar

    Por fim, o senador do PSL paulista ratificou o seu apoio a Luciano Bivar na condução do partido.

    “Eu não assinei e nunca ninguém me procurou com carta nenhuma. Nem uma carta aí que seria pedindo convenção e teria 34 [nomes] assinados. Eu não assinei carta nenhuma. Diz o filósofo na minha terra [que] a saúva sabe a terra que come. Se o cara vem com umas patifarias aí para cima de mim vai ouvir de todas as formas. Se andaram fazendo para fazer uma convenção, para tirar o Bivar, não participo dessas patifarias. Eu vou apoiar o Bivar presidente do partido”, emendou.

    “Tem um monte de cara que acabou de subir no bonde e quer sentar na janelinha e já acha que tudo que foi feito está tudo errado. Calma. O Bivar tem uma grandeza muito grande e foi o único dirigente, presidente de partido, que nos ofereceu a legenda para o Bolsonaro ser candidato no bujão daquele momento que disse para ter a garantia que vai ter a legenda, ‘eu me afasto da presidência e vocês põem uma executiva’ e foi quando o [Gustavo] Bebbiano [ex-secretário-geral da Presidência] assumiu”, acrescentou.

    “Nenhum outro dirigente de partido fez isso. Então os dois se completam, o Bivar e o Bolsonaro. Sem o Bolsonaro não tinha o partido que o Bivar preside e sem o Bivar o Bolsonaro não era candidato coisa nenhuma. Isso é a grande realidade. Então algumas pessoas que querem criar esse ambiente estão conseguindo. Nós estamos à beira de votar o 2º turno da [reforma da] Previdência e nós estamos criando lutas internas e nós mesmos dando caneladas um nos outros”, encerrou.

    (por Humberto Azevedo, especial para Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)