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  • Contato Brasil, 19 de janeiro de 2018 01:23:57
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  • 18/01/2018 07h18

    PPS cobra de ministros lista de municípios vão receber 6,6 mil ambulâncias em troca de votos para “salvar” Temer e a Previdência

    Partido quer saber também se o governo usou o repasse da saúde para premiar parlamentares que votaram contra denúncias feitas a Temer
    Foto: site Viomundo

    Arnaldo Jordy é líder do PPS

    ( Publicada originalmente às 22h 39 do dia 12/01/2018) 

     

    (Brasília-DF, 18/01/2018) A liderança do PPS na Câmara dos Deputados anunciou nesta sexta-feira, 12, que vai apresentar requerimentos de informações cobrando dos ministros da Saúde, Ricardo Barros, e da Secretaria de Governo, Carlos Marun, a lista dos municípios que pediram e dos que vão receber as 6,5 mil ambulâncias, 10 mil equipamentos odontológicos e mil vans destinadas ao transporte de pacientes para tratamentos não emergenciais liberadas pelo governo entre o final do ano passado e início desse ano.

    De acordo com o líder do partido, deputado federal Arnaldo Jordy (PA), o objetivo é confrontar os dados para saber se realmente o governo usou o repasse dos equipamentos de saúde para premiar parlamentares que votaram contra a abertura de processo contra o presidente Michel Temer e para garantir mais votos a favor da Reforma da Previdência.

    Jordy disse que há fortes indícios de que o governo utilizou os R$ 960 milhões liberados para a área como moeda de troca política.

    “Apesar do governo negar o direcionamento, parlamentares da própria base afirmaram publicamente que se tratava de um prêmio para os parlamentares da base do governo. Precisamos tirar isso a limpo para saber se realmente ocorreu um verdadeiro feirão de ambulâncias em troca de apoio político”, afirmou o líder.

    Os beneficiados

    Segundo o PPS, entre os deputados que assumiram que foram beneficiados está Darcísio Perondi (PMDB-RS), que é um dos vice-líderes do governo na Câmara. Indagado pelo Portal G1 ele admitiu que o critério para a liberação de ambulâncias era a fidelidade ao governo Temer.

    “É governo ou não é governo? É governo? Recebe. Não é governo? Não recebe. Foi fiel? Recebe. Não foi fiel? Não recebe”, afirmou Perondi, que indicou cerca de 20 prefeituras para serem beneficiadas.

    Questionado pelo G1 se a “premiação” de parlamentares fiéis também se referia ao apoio nas votações das duas denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República contra Temer no ano passado e ao compromisso de votar a favor da reforma da Previdência, Perondi foi taxativo: “Tudo, tudo”.

    Dinheiro do contribuinte

    Arnaldo Jordy repudiou qualquer movimento nesse sentido e lembrou que o dinheiro liberado é do Tesouro e, portanto, do contribuinte, que espera por serviços públicos eficientes.

    “O contribuinte, quando paga impostos, não faz essa escolha de quem é da base do governo e de quem não é. Esse não é um caso de emendas parlamentares, já que trata-se de um repasse direto do governo federal para os municípios, mas para efeito de comparação é bom lembrar que até as emendas assumiram hoje o caráter impositivo exatamente para impedir o privilégio de uns em detrimento de outros”, frisou o líder do PPS.

    “Então, não tem cabimento fazer essa distribuição de forma discriminatória em favor daqueles que manifestaram uma certa fidelidade ou não a quem quer que seja. Isso deve ser repudiado em qualquer governo”, completou.

    O requerimento

    Nos requerimentos de informações o líder do PPS indaga, entre outros pontos, quais foram os critérios técnicos adotados para atender às solicitações das prefeituras quanto a seleção e distribuição das ambulâncias; quais municípios foram contemplados com novas ambulâncias e quais municípios fizeram a solicitação para o recebimento das ambulâncias.

    A liderança também questiona se houve indicação de parlamentares para definir quais prefeituras receberiam dinheiro federal destinados à compra de ambulâncias e equipamentos odontológicos e se houve critério político, de fidelidade ao governo, que balizou a distribuição dos recursos para a aquisição desses bens.

    Recursos para ambulância

    O deputado Arnaldo Jordy ressalta ainda que no fim do ano passado, o parlamento aprovou projeto de lei do Congresso (PLN 33/17) que consignou recursos federais da ordem de R$ 960 milhões para serem aplicados na compra de ambulâncias, equipamentos odontológicos e vans destinadas ao transporte de pacientes para tratamentos não emergenciais nos municípios brasileiros.

    “No entanto, após este fato alguns parlamentares da base do governo afirmaram até mesmo em entrevistas à imprensa que o critério político, de fidelidade ao governo, balizaria a distribuição dos recursos para a aquisição de novas ambulâncias. Tal fato merece explicações pois acendeu o questionamento sobre a prática de compra de voto com recurso público”, reforçou o parlamentar.

    Após o recebimento dos requerimentos os ministros tem prazo de 30 dias para responder os questionamentos. Caso não respondam ou apresentem informações falsas podem ser enquadrados em crime de responsabilidade.

    (Por Gil Maranhão. Agência Política Real – com informações da assessoria. Edição: Genésio Jr.)