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  • Contato Brasil, 22 de novembro de 2017 14:44:25
Nordestinas
  • 10/11/2017 21h49

    ESPECIAL — Panorama das eleições regionais do PSDB mostra racha entre "cabeças brancas" e "cabeças pretas" do partido

    Divisão maior se dá entre os apoiadores de Tasso Jereissati e a base governista de Aécio, que se recusa a desembarcar do governo e entregar ministérios
    Foto: site Jornal Opção

    Disputa nos estados nordestinos será fundamental no futuro da disputa entre Tasso Jereissati e Marconi Perillo

    (Brasília-DF, 10/11/2017) Os novos comandos dos diretórios das executivas estaduais do PSDB tomam posse neste final de semana. No Ceará, a posse começou hoje, um dia após a destituição de Tasso Jereissati (PSDB-CE) da presidência interina da legenda tucana. O presidente do PSDB cearense, Luiz Pontes, entregou o cargo hoje e comentou a decisão de Aécio.

    "É uma atitude de mau-caráter, de quem quer acabar com o PSDB. Atitude de uma pessoa que infelizmente não enganou só o povo brasileiro, mas todos nós", declarou Pontes, sinalizando que o PSDB-CE fica ao lado de Jereissati. "Qualquer pessoa de bom senso vê a atitude do Aécio como uma coisa vingativa", disse. Para ele, Tasso sai fortalecido na corrida presidencial tucana.

    NO MARANHÃO

    A incerteza paira sobre o comando da legenda no Maranhão. O vice-governador Carlos Brandão deixou a presidência no último dia 8, sendo que a eleição está prevista para amanhã, dia 11. O senador Roberto Rocha é um forte nome para o comando tucano no estado, mesmo recém filiado.

    A assessoria de Carlos Brandão teria informado que a candidatura de Rocha ainda não é possível.

    "A filiação de Roberto Rocha não consta no sistema do PSDB e, portanto, ele não pode despachar como presidente", explicou a assessoria. Com isso, não se sabe se a convenção programada para este sábado irá acontecer ou terá validade.

    O portal  do jornal “O Imparcial” publicou uma fala de Brandão, onde ele desafiava Rocha e Sebastião Madeira.

    "Quero aqui fazer um desafio ao senhor Roberto Rocha e Sebastião Madeira. Se eles quiserem participar de forma democrática e legítima, que disputem eleição contra mim. Isso não é mais um desejo meu. É de todos vocês. Que eles participem de uma forma democrática e não entrem de paraquedas, por cima", disparou.

    RIO GRANDE DO NORTE

    No RN, o presidente da sigla Ezequiel Galvão Ferreira sinaliza um movimento anti-Tasso. Mas outra disputa que racha o PSDB envolvendo o estado é a liderança do partido na Câmara, onde o páreo está entre o deputado cabeça preta Betinho Gomes (PE) e o pró-Temer Rogério Marinho (RN).

    PIAUÍ

    Antes de deixar o cargo, o deputado estadual Marden Menezes, presidente tucano no Piauí, afirmou que a destituição de Tasso foi "constrangedora".

    "Eu acho desnecessária essa atitude do senador Aécio, e até mesmo constrangedora ao mesmo tempo em que não promove a unidade no partido. O PSDB tem uma história, uma trajetória, e uma importância muito grande no país. Não haveria nenhum problema na eleição do senador Tasso devido o seu histórico, um homem responsável. Essa situação foi constrangedora para muitas lideranças no país inteiro. Eu fiquei desconfortável com isso", lamentou.

    Para ele, não haveria nenhum problema em Tasso continuar na presidência interina e candidato à presidência, até porque se estar na presidência influenciasse algo, o presidente da República e prefeitos, por exemplo, teriam que deixar seus cargos antes de concorrer a pleitos.

    "Alegaram que ocorreria uma influência na disputa. Tasso é um homem de conduta séria, por isso ocupou a presidência, e não haveria esse desequilíbrio na disputa nacional mesmo com a sua permanência. Se fosse assim o presidente da República, prefeitos, iriam sair antes dos respectivos pleitos. Isso foi uma bola fora", afirmou.

    Neste sábado, 11, acontece a convenção estadual no Piauí, a partir das 9h da manhã. A chapa será única e defenderá o nome do deputado Firmino Paulo para a sucessão de Marden.

    PARAÍBA

    O ambiente não é favorável para Aécio Neves em terras paraibanas. Seu correligionário de quem já foi bom amigo, senador Cássio Cunha Lima, afirmou nesta sexta-feira, 10, em entrevista à rádio CBN João Pessoa, que está surpreso e decepcionado com a decisão.

    "É preciso que a política brasileira mude radicalmente. E o que o senador Aécio fez não conta com minha aprovação. É uma decepção atrás da outra", disse Cássio.

    Cássio lembrou que o PSDB vem fazendo autocríticas e se distanciando de "práticas antigas da política".

    "O PSDB tem sido o único partido que tem feito autocrítica e que já pediu humildemente desculpas à opinião pública pelos erros cometidos pelo sistema político brasileiro", lamentou.

    O deputado Pedro Cunha Lima, filho de Cássio, fica ao lado de Tasso nesse embate. Para ele, é o que de melhor pode ser feito neste momento.

    "É uma circunstância delicada, porque, insisto, a bancada talvez nunca esteve tão dividida. Mas Tasso consegue fazer esse papel de conciliador. Por isso, com todo o respeito ao Marconi Perillo, estímulo e apoio a candidatura do Tasso."

    A convenção deste sábado promete também o encontro de dois possíveis candidatos da oposição para as eleições de 2018: o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), e o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB). O atual presidente da sigla, Ruy Carneiro, deverá ser reconduzido à presidência.

    ALAGOAS

    O prefeito Rui Palmeira já é nome confirmado para assumir o PSDB alagoano no próximo sábado. Apesar disso, ele negou qualquer tipo de pré-candidatura, afirmando que a tensão pré-eleitoral tem feito muita gente sofrer.

    "Estamos preocupados com a cidade, com a gestão atual. As questões relativas a 2018, só no ano que vem. Tem muita gente sofrendo com tensão pré-eleitoral. Já com relação à posse, foi tudo acordado com o ex-governador Teotônio Vilela e com o prefeito Rogério Teófilo".

    A maior liderança política do PSDB alagoano, o ex-governador Teotonio Vilela Filho, usou suas redes sociais para comunicar que não iria disputar a reeleição à presidência. Ele ainda assegurou que Rui era o nome certo para assumir o partido, além de ser seu candidato para o governo do Estado — tema sobre o qual Rui prefere não falar.

    SERGIPE

    Ao que tudo indica, o Sergipe é pró-Tasso. O senador Eduardo Amorim foi um dos presentes no lançamento da campanha de Tasso, junto com Cássio Cunha Lima (PB), Flexa Ribeiro (PA), Ricardo Ferraço (ES) e José Serra (SP).

    BAHIA

    O movimento baiano é a favor de Aécio. O tucano Antônio Imbassahy é detentor de um dos ministérios mais cobiçados pelos aliados, a Secretaria do Governo. Outro ministro tucano, Aloysio Nunes, ironizou que a "histeria" do partido iria "dar a presidência a Lula".

    "Engana-se quem pensa que será carregado nos braços do povo por ter desembarcado do governo. O PSDB será julgado por suas ações concretas em benefício do país. Mas como fazer o discurso da razão com o partido em pé de guerra?" discursou.

     

    Até mesmo Geraldo Alckmin, um nome cogitado como terceira via alternativa para um consenso, foi contra a destituição de Tasso. "Eu não fui consultado. E se fosse, teria sido contra, porque não contribui para a união do partido", afirma, por meio de nota.

    Alguns comentários em off dizem que a pressão pela queda de Imbassahy cresce a medida que cresce o racha entre os tucanos, mesmo que o baiano seja um nome favorito do presidente Temer.

    O deputado federal Jutahy Júnior, filiado ao PSDB desde sua criação, diz que o episódio da destituição de Tasso é traumático para a história do partido.

    "Esse episódio foi muito traumático, a destituição do Tasso, mas temos que olhar para a frente. Eu tenho absoluta convicção de que o [Alberto] Goldman, indicado para a presidência interina, tem todas as condições para trabalhar pela unidade do partido", declarou para o portal BahiaBa.

    Na Bahia, o deputado federal João Gualberto é o único nome para a presidência da sigla.

    PERNAMBUCO

    Em Pernambuco, o discurso contra Aécio é ácido. O deputado federal Daniel Coelho, um dos principais cabeças pretas da Câmara, criticou firmemente Aécio na tribuna, afirmando que sua decisão passava por cima da história do partido. Segundo ele, "o PSDB está na UTI, respirando por aparelhos, mas ainda pode ressuscitar".

    Tasso é o grande defensor de que é preciso separar "o joio do trigo" no partido, dando a entender que há várias fases no mesmo PSDB.

    "Existe o PSDB nosso, que fez a grande revolução aqui no Ceará. Existe o PSDB do Mário Covas, do Fernando Henrique, que acabaram com a inflação e mudaram o Brasil. E existe o PSDB do momento, que ao longo dos anos perdeu o rumo. Agora vai separar o joio do trigo para enfrentar esse momento de desafio do Brasil. É muito difícil o momento do Brasil, e a gente precisa estar pronto. Pronto não é em quantidade, pronto é em qualidade", afirmou.

    Já Goldman, o novo interino, pediu calma. Para ele, a atitude de Tasso em nada contribuiu para a reconciliação do partido.

    "O senador Tasso precisa se acalmar e espero que ele contribua para uma pacificação. O que existe de diferenças irreconciliáveis em relação à visão de país? Isso não é um programa de país, de visão política de país. Ele não está levando em conta os interesses do país, mas interesses internos e pessoais".

    (por Bruna Pedroso. Edição: Genésio Araújo Jr)