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  • Contato Brasil, 22 de novembro de 2017 14:43:46
Nordestinas
  • 10/11/2017 09h00

    CRISE NO TUCANATO – Daniel Coelho diz que intervenção de Aécio no PSDB “é imoral” e um “golpe rasteiro” arquitetado por Temer

    Ex-candidato do PSDB ao Governo de Pernambuco desanca senador mineiro e diz que faltou com respeito e dignidade
    foto: Alexssandro Loyola Liderança do PSDB na Câmara Federal

    Daniel Coelho em momento mais "leve", mas hoje ele foi "duro"

    ( Publicada originalmente às 18h 29 do di a09/11/2017) 

     

    (Brasília-DF, 10/11/2017) O deputado federal, Daniel Coelho (PSDB-PE), criticou com veemência, na tribuna da Câmara Federal, a decisão do senador Aécio Neves (MG) em afastar o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência nacional da legenda.

    Tasso estava respondendo interinamente pelo cargo desde maio, quando saiu a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Aécio teria recebido cerca de 2 milhões da JBS para a sua campanha em 2014. Ontem (08), Tasso se lançou candidato à presidência do partido.

    Logo que destituiu Tasso na tarde desta quinta, Aécio reassumiu o cargo e passou em seguida ao ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman. O ato surpreendeu o meio político, inclusive deputados e senadores tucano.

    Decepção

    Daniel Coelho, que foi candidato do PSDB ao Governo de Pernambuco, classificou o ato de Aécio como um golpe, armado com concordância do presidente Michel Temer – já que o partido, na maioria, votou contra Temer nas duas votações das denúncias da PGR contra o presidente na Câmara dos Deputados.

    “Não posso deixar de falar da decepção, porque eu acreditei em Aécio, fiz campanha para ele, fui às ruas, vinculei a minha imagem à imagem dele, acreditando que ele poderia trazer uma política diferente para o Brasil”, disse o parlamentar pernambucano.

    “Atitude imoral”

    Ele classificou a atitude de Aécio de “imoral” e desrespeitosa ao partido. “A atitude desta intervenção, além de ser imoral, falta ao respeito e a dignidade. O que custava ao senador Aécio fazer uma ligação e avisar que faria uma intervenção e tiraria Tasso da presidência do partido”, declarou.

    Coelho também disse essa decisão passou pelo Palácio do Planalto, em especial, pelo presidente Michel Temer, e classificou de “golpe rasteiro”.

    “Isso é um ato tão planejado, que hoje o presidente interventor do PSDB, o Goldman, já viajou de São Paulo para cá (Brasília) e aqui já estava. Ele está agora sentado na cadeira de presidente do PSDB, na sede do partido, porque já estava combinado esse golpe rasteiro com o presidente Temer, com os ministros do PSDB e com Aécio.

    Desrespeito

    Para o deputado pernambucano, a divergência, o embate, a opinião contrária é parte da democracia. Seja ela entre a posição do PSDB e PT e entre nossas divergências internas. “Mas combinar uma atitude dessa e nós ficarmos pela imprensa, que o presidente Tasso foi afastado, passa –se a todos os limites do respeito.”

    E questionou: “Será que não era merecido, mesmo que na divergência, avisar do movimento (de intervenção)?”. Daniel informou que “pessoas se locomoveram de outros estados para cá, preparando para nesse momento fazer uma discussão”. E emendou: Acima de tudo faltou dignidade e respeito.”

    Jango e Tasso

    Daniel Coelho ressaltou que esse tipo de atitude tomada pelo Aécio é inaceitável “ainda mais em partido como o PSDB, que lutou pela redemocratização do Brasil, contra a ditatura.”

    - Qual a diferençado que fizeram com João Goulart (Jango) para o que fazem hoje com o Tasso Jereissati, para em uma canetada, em um movimento arbitrário afastar o presidente de um partido? – questionou o deputado na tribunal.

    Para ele “é uma vergonha o que foi feito agora, neste combinado entre Temer e Aécio. Rasgaram e jogaram no lixo a história do PSDB.”

    Resistência

    Coelho acredita que haverá resistência, interna e externa. “Tenho certeza que eleitores, os simpatizantes do PSDB não comungam com essa atitude. Tenho certeza que os 51 milhões de brasileiros, que votaram em acreditaram em Aécio, como eu acreditei, não comungam com essa atitude”, frisou.

    O deputado destacou que o partido foi construído em cima de princípios democráticos. “Em cima de uma convivência democrática onde o lema de fundação do partido dizia: ‘Longe das benesses do poder e próximos do pulsar das ruas’”, disse.

    “Mas  hoje, com essa assinatura de Aécio, com essa atitude de Temer, O PSDB diz: ‘Longe do pulsar das ruas, mas bem próximos da inhaca do poder’”, completou.

    Daniel Coelho também lamentou “ver a história de pessoas públicas, histórias bonitas, comungarem com atitude como esta.”

    “O poder cega. O poder chega a enlouquecer as pessoas. Eu não consigo acreditar, inclusive, que Goldman, tenha se passado por este papel, porque é uma pessoa da nossa convivência, do nosso respeito.

    FHC e outros

    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) também foi surpreendido com a notícia e ficou perplexo, segundo o deputado. “Imagine fazer uma atitude dessa sem comunicar ao ex-presidente Fernando Henrique e ao governador (de São Paulo) Geraldo Alckmin. É literalmente um golpe rasteiro”, acentuou.

    “O PSDB está enterrando a sua história se não reagir a isso. Foi um golpe na democracia, nas pessoas que acreditam no partido. Aécio Temer e os ministro do PSDB não estão honrando com a história de Mário Covas, de Franco Montoro, de Fernando Henrique e de tantos outros que fundaram o PSDB para se afastar do fisiologismo e do PMDB corrupto de Sarney lá atrás, e que não é nada diferente do PMDB de Temer”, concluiu.

    (Por Gil Maranhão. Agência Política Real. Edição: Genésio Jr.)