• Cadastre-se
  • Equipe
  • Contato Brasil, 25 de setembro de 2017 03:03:45
publicidade


Nordeste em Manchete
  • 17/03/2017 16h51

    ESPECIAL – LAVA JATO/03 ANOS: Maior investigação de corrupção do País efetuou 198 prisões, recuperou R$ 10,1 bilhões e abalou políticos

    Procuradores do Ministério Público Federal defendem cooperação internacional nas investigações
    Foto: site Metropoles

    Imagem do pátio do posto de gasolina, que nem mais tem lava jato, que deu nome a famosa Operação Lava Jato

    (Brasília-DF, 17/03/2017) A maior investigação de atos de corrupção na história do Brasil – a Operação Lava Jato, completa nesta sexta-feira, 17, três anos.

    Neste período, efetuar 198 prisões, e cinco políticos viraram réus no Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF), que deflagrou a operação em março de 2014, recuperou R$ 10,1 bilhões em multas, indenizações e bens no exterior. Vários políticos foram denunciados e integram a primeira e a segunda “Lista de Janot” – relação de nomes que procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot enviou ao STF pedindo abertura de inquérito.

    Os dados foram revelados pelos procuradores do MPF que trabalham na força-tarefa da Lava Jato. Ao fazerem um balanço da operação, eles defenderam a continuidade das investigações até o fim, propuseram reformas para além da operação e defenderam acordo de cooperação internacional nas investigações, como coleta de documentos, provas e na recuperação de valores em extraviados para outros países.

    Da Petrobras à Odebrecht

    A Operação Lava Jato que começou a partir de fraudes na Petrobras, em março de 2014, faz aniversário na semana em que o meio político nacional foi abalado com a “Lista de Janoto”

    Trata de segunda lista do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, enviada ao STF com 320 pedidos de investigação na Lava Jato, e abertura imediata de 83 inquéritos – onde estão 03 ex-presidentes, 06 ministros do governo Michel Temer, 05 governadores e vários deputados federais e senadores. Todos citados nas delações da Odebrecht.

    “Caminho novo ou tradicional”

    O coordenador da força-tarefa, procurador Deltan Dallagnol, voltou a defender que o Brasil precisa se espelhar na Operação Mãos Limpas, da Itália. Segundo ele, ainda não é possível perceber se as ações colocarão o País em "novos rumos" ou se ele voltará ao "caminho tradicional" da corrupção historicamente enraizada.

    "A novidade da Lava Jato é que ela rompeu com a impunidade nos círculos de poder e trouxe a convicção de uma corrupção que é enraizada historicamente. Não sabemos ainda se o combate à corrupção fará o Brasil voltar ao caminho tradicional ou se o país trilhará novos rumos", declarou Dallagnol, em coletiva à imprensa.

    Ele elogiou a atuação do Poder Judiciário, como o fim do financiamento empresarial de campanha eleitoral e a manutenção de prisão após julgamento na segunda instância.

    Cooperação internacional

    O procurador Vladimir Aras, que também integra a força-tarefa, revelou na coletiva à imprensa que a operação contou nesses três anos com a cooperação de 33 países e que hoje a operação tornou-se referência. “Esses três anos da Lava Jato ganham dimensão internacional”, disse o procurador.

    Aras revelou que há países da Europa e da América Latina pedindo provas para processar juridicamente pessoas e empresas brasileiras e estrangeiras envolvidas no esquema de corrupção, disse ele, enfatizando que não são apenas empresas brasileiras envolvidas em corrupção.

    Ele ressaltou que em todos os pedidos de cooperação internacional recebidos e enviados pelo Brasil há um grande cuidado de observar o devido processo legal. E reclamou que não há uma lei de cooperação internacional no Brasil - uma ação que ele espera que seja feita pelo Congresso.

    Segundo Aras, a cooperação jurídica internacional permitiu a colheita de provas essenciais para diversas acusações e condenações através de contato com autoridades estrangeiras - foram 130 pedidos de auxílio para investigações feitos à outros países.

    Delações e prisões

    Já procurador da República Paulo Roberto Galvão, outro integrante da Lava Jato, destacou os acordos de delação premiada e disse que muitas prisões e condenações só foram possíveis com as provas obtidas nas colaborações internacionais. Como exemplo, o procurador citou as prisões dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, e do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Segundo Galvão, sem informações e provas vindas de outros países, as prisões não teriam sido possíveis. O procurador citou também a ajuda de instituições de outros países na repatriação de ativos por autoridades brasileiras. Galvão disse que outras operações anteriores à Lava Jato recuperaram apenas R$ 45 milhões e que a Lava Jato já conseguiu repatriar R$ 756 milhões, graças a acordos internacionais. "Estamos conseguindo mostrar para a população brasileira e mundial ao menos uma parte do que realmente acontece", acrescentou.

    Obstáculos

    O coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, salientou, no final da coletiva-balanço, que ainda há obstáculos para que o sistema funcione no foro privilegiado, e disse que é preciso que o Supremo Tribunal Federal instale mecanismos para que os processos sejam feitos de forma eficiente ou que o foro privilegiado seja restringido.

    Na visão do procurador, o fim da Operação Lava Jato só ocorrerá “quando forem exauridas as possibilidades de investigação sobre os crimes praticados e também”. Ou, ainda, “quando ocorrem reformas para o fim dos incentivos para que a corrupção aconteça, para que a punição para quem comete esse tipo de crime seja a regra, e não a exceção”, concluiu.

    === POLÍTICOS E RÉUS

    Cinco políticos com mandatos se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal (STF): os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e os deputados federais Aníbal Gomes (PMDB-CE), Nelson Meurer (PP-PR) e Vander Loubet (PT-MS). Ao todo foram abertos na Corte 38 inquéritos para investigar 111 pessoas - entre elas 29 deputados federais e 12 senadores.

    PODEM VIRAR RÉUS

    Outras 11 denúncias contra parlamentares estão pendentes de decisão no STF, que deve decidir se os torna réus ou se recusam a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Foram denunciados e aguardam decisão do STF: os deputados federais Arthur de Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE), José Otávio Germano (PP-RS), Luiz Fernando Faria (PP-MG), Mario Negromonte Junior (PP-BA), Roberto Britto (PP-BA), e mais o senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Benedito de Lira (PP-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Fernando Collor de Mello (PTC-AL).

    (Por Gil Maranhão – Agência Política Real, com informações do MPF. Edição: Genésio Jr.)