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  • Contato Brasil, 15 de dezembro de 2017 15:44:47
RESUMO DA ÓPERA - por Gil Maranhão
  • 26/04/2017 23h32

    Vestido de "metalúrgico", deputado protesta contra a reforma e é substituído por ministro do Trabalho

    Na sessão que começou às 12h30, um aliado de Temer alertou que "a aprovação dessa matéria vai tacar fogo no País"

    Deputado Assis Melo, PC do B do RS, suplente, chamou atenção no plenário( foto: Floriano Rios/PR)

    Uma sessão tensa e longa. De discursos inflamados. De obstruções de bancadas oposicionistas. De muitas reclamações. De bate-bocas entre governistas e oposicionistas. De protestos – como faixas, cartazes, banner, cruzes, caixões, palavras-de-ordem e até um "metalúrgico" no Plenário.

    Foi assim a sessão extraordinária para discutir e votar o substitutivo do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator do Projeto de Lei (PL) 6787/2016, que trata da Reforma Trabalhista. O projeto é de autoria do governo federal, que argumenta ser preciso modernizar a atual CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que é de 1º de maio de 1943.

    Retirada de Pauta

    Houveram duas tentativas de retirada da matéria da pauta de votações. A primeira, por volta das 13h30, o Plenário rejeitou, por 224 votos a 49 e uma abstenção, requerimento do PT que pedia votação nominal do pedido de retirada de pauta da proposta.

    Por volta das 15h50, o Plenário da Câmara rejeitou, por 270 votos a 64, o requerimento de retirada de pauta do projeto de lei da reforma trabalhista. O terceiro pedido de retirada do projeto da pauta do Plenário foi apresentado pela a oposição, e rejeitado  

    Adiamento/20 dias

    Também foi rejeitado por volta das 21 horas  dois requerimentos da posição pedindo o adiamento da discussão da matéria por 20 dias. 

    Ação no Supremo

    A bancada do PCdoB na Câmara ingressou, no inicio da manhã, com um mandado de segurança pedindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a votação da Reforma Trabalhista na Câmara.

    O deputado Rubens Pereira Jr. (MA) lembra que a Mesa Diretora não poderia ter votado a matéria quando ainda haviam três medidas provisórias trancando a pauta. "Há, de acordo com o entendimento da Casa, algumas exceções para que isso ocorra, mas o projeto não se enquadra nesta regra", argumenta. "A Mesa cometeu um ato ilegal, por isso fazemos este pedido duplo. Há um atropelo nos procedimentos e não podemos tolerar isso", completa o deputado.

    Manifestações

    Foram registradas três manifestações de protestos de deputados de partidos da oposição – Psol, Rede, PCdoB, PT e PDT – foram registradas durante a sessão. A primeira, com banner, trazendo uma Carteira de Trabalho e Previdência Social  rasgada e contento dizerem como "Grávidas em local insalubre", "Direitos legais derrubados", "redução ao trabalho aprendiz", "Fragilização dos sindicatos", "Acesso dificultado à Justiça do Trabalho", "tele-trabalho em hora extra", "Trabalho Interminente não é decente" e "Terceirização total".

    A outra manifestação trouxe cruzes e um caixão, ambos na cor azul – cor da Carteira de Trabalho. Na tapa do caixão estava a sigla da CLT. O protesto, sempre em cima da Mesa Diretora, irritou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que chegou a dar um tapa no "caixão".

    Deputado-metalúrgico

    A terceira manifestação, início na noite, trouxe além dos cartazes/banner, uma enorme faixa e um personagem inusitado: um deputado-metalúrgico.

    O deputado-suplente, Assis Melo (PCdoB-RS), apareceu vestido de metalúrgico, à caráter – roupas brancas e máscara de soldador. Teve risos, agitação. Protestou e provocou protestos de Rodrigo Maia, que alegou o traje permitido dentro do Plenário e exigiu que ele recolocasse o paletó.

    Ministro exonerado

    Horas depois, veio a "punição". O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB-RS), foi exonerado para assumir o cargo de deputado-titular e assim substituir o seu conterrâneo Assis Melo. Resultado: menos um voto contra o governo e a reforma.

    Fogo à vista

    No meio da discussão da reforma Trabalhista, o deputado Major Olímpio (SD-SP), aliado do governo Temer, tascou um alerta. Ele disse que o Plenário da Câmara não adiasse a votação da reforma "a aprovação dessa matéria vai tacar fogo no País". Lembrando que além de coronel da Polícia Militar paulista, Olímpio é um dos mais radicais parlamentares da atual Legislatura.

    Tudo isso foi apenas o começo do quem ainda vem por ai Brasil afora nos próximos dias.

    (Por Gil Maranhão )