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  • Contato Brasil, 26 de maio de 2017 17:49:09
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Marcos Rosetti
  • 05/09/2016 18h42

    Crime sem castigo

    A atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski foi impecável até o momento em que ele aceitou fatiar uma sentença que constitucionalmente nasceu única.

    Renan ri enquanto Lewandowski comanda sessão do Impeachment( Fonte: Senado)

    Depois de quase dez meses debatendo o processo de impeachment da presidente petista comprovadamente inábil para exercer o cargo, o Congresso  Nacional finalmente chegou a um veredito.

    Mas a luta continua nos tribunais, nas ruas e nas articulações visando as próximas eleições. Dilma poderá ser candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul em dois anos.

    O final poderia ter sido diferente - não fosse o jeitinho brasileiro de fatiar a pena - caso os condutores do processo tivessem se preocupado mais com a estabilidade política e econômica do país.

    A atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski foi impecável até o momento em que ele aceitou fatiar uma sentença que constitucionalmente nasceu única.


    Só a ele caberia parar o movimento. Mas resolveram dar a Dilma o direito de permanecer com os dedos, após entregar o anel de presidenta.

    O episódio, que teve o apoio de dez senadores do PMDB, fortalece o presidente do Senado Renan Calheiros (AL) perto de eleger seu sucessor na Casa, em fevereiro.

    Ajuda o PT porque Dilma poderá disputar as eleições de 2018 - se até lá o STF não cassar o benefício concedido de forma inédita.

    E permite a Lewandowski não sair do processo como carrasco do PT. O que o Brasil viveu dia 31 de agosto foi muito grave.

    Abre brecha para salvar outros políticos que venham a ser condenados, como o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), cujo julgamento será agora em setembro.

    Abre uma ampla avenida para outros políticos envolvidos na Lava Jato. Dilma foi usada como boi de piranha.

    E a defesa desta tese foi negociada pela senadora Kátia Abreu (PMDB/TO). Dilma tinha conhecimento e aceitou. Ela sabia que seria impossível escapar da cassação.

    Outros senadores do PT passaram o fim de semana negociando a apresentação do destaque que permitiu a presidente afastada perder o cargo mas não os direitos sociais.

    Agora, só nos resta rezar para que as consequências dessa concessão não contamine um processo de julgamento que nasceu limpo e transparente, tirou o país da ingovernabilidade e tem a possibilidade de botar o Brasil nos trilhos, de novo.

    *Marcos Rosetti é repórter e editor da Agência Congresso