• Cadastre-se
  • Equipe
  • Contato Brasil, 24 de novembro de 2017 11:00:52
Marcos Rosetti
  • 02/12/2015 21h41

    Delcídio coletivo

    A imunidade não foi criada para defender canalhas, mas para defender parlamentares que se arriscavam defendendo a sociedade, principalmente durante o cruel regime militar. Leia-se Rubens Paiva.

    Ele, hoje, está na cadeia

    A prisão do senador Delcídio Amaral (PT/MS) criou um pânico coletivo junto à classe política.  Muitos deputados e senadores jamais imaginaram que décadas de vida política poderiam desaparecer com uma gravação.

    Se a prisão surpreendeu o país, imagina a reação do próprio senador ao receber voz de prisão na porta do seu quarto no hotel, onde residia, deve ter achado que era brincadeira.

    A prisão de um senador em pleno exercício do mandato já passava da hora de acontecer no Brasil. Muitos se valeram do mandato, desde a Constituição de 1988 para cometer crimes se colocando acima da lei. 

    A imunidade não foi criada para defender canalhas, mas para defender parlamentares que se arriscavam defendendo a sociedade, principalmente durante o cruel regime militar. Leia-se Rubens Paiva.

    O artigo 53 da Constituição, que prevê que um parlamentar só pode ser preso se for pego em flagrante cometendo crime inafiançável – nem deveria existir. 

    A sessão que o Senado realizou para decidir se a prisão seria mantida ou relaxada, também nem deveria ter sido realizada. Foi perda de tempo para o país. E para o ajuste fiscal.

    Se a Justiça decidiu, cumpra-se. Como disse a ministra Cármen Lúcia: " .......com a Ação Penal 470 descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça".

    Vários senadores já foram investigados e alguns indiciados pela Polícia Federal, mas no Supremo o caso parava devido ao foro privilegiado. 

    Segundo essa regra, o congressista só pode ser investigado e preso após autorização do Supremo Tribunal Federal. Isso livrou a cara de muitos senadores, entre eles, Magno Malta.

    Escândalo dos Sanguessugas

    Esse caso, também conhecido como máfia das ambulâncias, foi um escândalo de corrupção que estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro público destinado à compra de ambulâncias.

    Dos sanguessugas, o então senador Ney Suassuna era o político mais influente. Foi ministro de Fernando Henrique Cardoso, era líder do PMDB no Senado, e assíduo interlocutor do então presidente Lula.

    O senador escapou da cassação, mas perdeu a disputa para o Senado em 2006. 

    Em outubro de 2008, Suassuna foi formalmente denunciado como integrante do braço político da máfia dos sanguessugas. O caso tramita na Justiça Federal de Mato Grosso.

    O mesmo ocorreu com dois outros senadores envolvidos no mesmo caso, Magno Malta (PR-ES) e Serys Slhessarenko (PT/MT). 

    A senadora se livrou da cassação, mas perdeu a disputa pelo governo do Mato Grosso em 2006.

    Magno foi o mais esperto, e até hoje é senador. Ele combinou a apresentação de emendas favoráveis à Planam no valor de 1 milhão de reais e recebeu como adiantamento um Fiat Ducato, que usou entre 2003 e 2005.

    Admitiu ter ganho o carro como sinal de pagamento. Mesmo assim foi inocentado. O Conselho de Ética arquivou a acusação naquele ano, mas o senador ainda é alvo de inquérito no STF, que corre sob segredo de Justiça.

    Quando perder o mandato e a imunidade poderá ser preso. Isso se não cair antes.

    http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/perfil/magno-malta.shtml 

    *Marcos Rosetti é repórter e editor da Agência Congresso